A vida em sociedade e o modo que temos vivido têm sido superficial e em busca de felicidade efêmera. A busca de fama, status e poder está em evidência e tornou-se necessidade para ser feliz. Confirma isso o fato da profissão de “youtuber” estar entre as mais desejadas pelos adolescentes. Ficou fácil, de certa maneira, amealhar uns trocados criando um canal pra falar do seu dia a dia ou discursar sobre qualquer bobagem que passe pela sua cabeça.

A verdade é apenas detalhe. Há quem ganhe muito com isso nas redes sociais. Os espaços de fala foram ampliados, no entanto, deu margem ao lado obscuro do ser humano pela verborragia do preconceito e desrespeito com o outro e os extremistas observaram um caminho livre para agir.

As ideias extremistas são extremamente sedutoras, pois são simples e de fácil compreensão, demandando pouca ou nenhuma elaboração mental mais profunda. É o modo de ação dos terroristas, espalham o medo e se colocam como salvação do mundo e que o mal precisa ser eliminado.

Dizer que na sociedade há o bem e o mal é muito cômodo. Definem o que é o mal e falam que é preciso combatê-lo. Assim criam o inimigo e o transformam no culpado de todos os males, alimentando todos os dias e de todas as formas o ódio contra ele.

A receita é criar o inimigo e lutar com a própria vida contra ele. Assim o extremismo ganha corpo e se agiganta fomentando o ódio na sociedade para destruir o pretenso mal que ameaça nossa vida. Assim buscam concretizar sua “sociedade ideal” via autoritarismo e submissão das minorias usando qualquer meio disponível.

Estamos cheios de medo que nos é incutido dia pós dia e a saída que nos apresentam é combater o ódio com ódio. O medo dos dois lados nos paralisa. Os extremistas vivem pelo medo dos monstros que eles próprios criaram para manter suas ideias. Do outro lado estamos todos inseguros. As soluções que nos apresentam é armar as pessoas para se defenderem; polícia nas escolas, revistas em clientes de bares e aumento de todo aparato de segurança para proteger a vida. Nenhum lugar é seguro. Abrimos mão de liberdade pela segurança, o contrato social em seu sentido primordial em que não conseguimos avançar.

A onda de crimes de ódio em escolas, cinemas e até igreja entre tantos lugares a que temos assistido advêm destas ideias extremistas que vão plantando aos poucos na sociedade. A semente do ódio cedo ou tarde gerará ações concretas. Temos ouvido que é preciso fuzilar os adversários políticos e que eles têm que morrer, entre outros tantos absurdos, pra se defender certa posição política. A democracia não deve e não pode conviver com o discurso de ódio, a liberdade de expressão não autoriza que se cometa crimes sem punição. Os problemas da sociedade são complexos e demandam soluções complexas.

Ao longo da história da humanidade os crimes sempre existiram e continuarão a existir. Cabe a nós construirmos mecanismo de combate e controle. No entanto, nenhum mecanismo autoritário será eficiente ou eficaz. A democracia é o ideal a ser perseguido sempre.

Tolerância, convivência pacífica entre diferentes e busca da paz. Nenhuma teoria simples do bem contra o mal pode ser positiva. Por isso, educação, ciência e cultura precisam ser levados a sério, do contrário o medo nos levará a todos; os “bons” e os “maus”. A luta do bem contra o mal e as teorias simplistas têm nos levado ao precipício como humanidade. Viver é difícil, pensar é difícil, mas é preciso coragem para vencer o medo e para viver.

Wilson Francisco Moreira, policial penal, poeta e cientista social em Londrina.

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