Muito no desenvolvimento das ciências, de modo geral, volta-se para a otimização e racionalização no uso de recursos. É por isso que pesquisadores esmeram-se no sentido de aprimorar máquinas, técnicas e operações tendo como objetivo melhorar a eficiência dessas. Assim, cada vez mais, vê-se falar por exemplo de motores que economizam mais, são mais leves e também porque não dizer mais baratos.
No campo, tanto no Brasil como em outros lugares do mundo, isso não é diferente. Jornais e revistas sempre publicam nomes de empreendedores rurais que alcançam melhores índices de produtividade em suas propriedades. Revelam suas técnicas para conseguir tal feito e algumas vezes são até são premiados por isso.
A razão por isso acontecer também está ligada à pressão que ocorre sobre os custos de produção. Pois, para se ter lucro, quando o custo dos insumos aumentam os produtores se veem obrigados a "correr" atrás de meios que os façam ter revertida aquela situação de aumento nos custos. Então, começam a planejar suas atividades de modo a não ficar no prejuízo. Esse conjunto de fatores fez com que a produtividade de alguns setores no agronegócio dobrasse nos últimos anos. E muito ainda está por ser feito.
Porém, no outro lado da cadeia produtiva muitas vezes, especificamente no Brasil, o que se vê é exatamente o contrário. O desperdício sem medida. Estima-se que até 35% do que se produz em hortaliças e frutíferas no campo seja literalmente jogado fora, inutilizado até o consumo final. Isso parece ser apenas uma estatística, mas considerando-se que esse descarte reflete sobre toda a cadeia produtiva temos como resultado que de todo aquele esmero dos produtores 35% foi jogado fora. Esse desperdício no setor de alimentos, no Brasil, pode-se afirmar que se não houvesse poderia alimentar uma grande parte da população que hoje ainda passa necessidades.
Pense você o que aconteceria se um produtor descartasse diretamente 35% de tudo o que produz, o que seria?
Para se ter uma ideia da gravidade do problema, a França recentemente aprovou uma lei que multa severamente comerciantes que jogam fora produtos alimentícios ainda próprios para consumo. Tenho como informação que a educação dos franceses em relação ao consumo de alimentos seja muito boa, mas mesmo assim o governo propôs tal lei.
Cada vez mais as situações relativas a esses fatos são evidenciadas e, algumas vezes quando os aspectos negativos são revelados, trazem desconforto a quem os promove. É o caso de ações mal planejadas que até acontecem em empreendimentos públicos.
Entre nós acredito que o caminho correto a seguir não seja apenas o governo propor leis semelhantes para coibir o desperdício, mas sim as pessoas se darem conta de quão prejudicial é, foi e será desperdiçar recursos, sejam eles alimentícios ou básicos como água e energia elétrica. Campanhas esclarecedores que escolas e outros meios possam fazer podem colaborar para melhorar a forma de pensar e agir das pessoas em relação ao que elas consomem e como consomem. É o chamado consumo consciente que tem um longo percurso a percorrer.

MAURICIO KALAU GONZALES é professor e administrador de empresas em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res.
Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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