Como diria Ricardo Kotscho, eu “bem que gostaria de mudar de assunto, mas ele não deixa”! Jair Bolsonaro disse que o Brasil está quebrado. Na verdade, não está e ele não entende nada de economia como já deixou claro inúmeras vezes. Quem entende é o “posto Ipiranga”, que por acaso anda bem sumido ultimamente. Mas, porque esperar algo de Bolsonaro? Foi um deputado do baixíssimo clero durante 28 anos. Um “eterno” profissional da baixa política; leia-se, política medíocre. As vezes que ouvimos falar dele, teria sido melhor ficado calado! Nunca entendeu de finanças, de administração, de geopolítica em geral. Nunca fez nada, além de ter sido botado pra fora do exército, como tenente. Nunca administrou a própria família (ou famílias), embora os seus religiosos seguidores o confundam e enalteçam como defensor dessa instituição! Bolsonaro é igual aos tios que aparecem no churrasco de domingo, muitas vezes sem serem convidados. Dão palpite sobre tudo e fazem piadas de mau gosto que beiram o racismo e a xenofobia. Deleita-se com as risadas que escuta e geralmente toma a cerveja que não trouxe.

Bolsonaro se assusta com o que não domina. Ou seja, tudo, na administração do país. Qual é a reação típica da insegurança? Agressão, negação e fuga! Não foi além disso, desde que a Pandemia nos atingiu. Negou-a, tentou reduzi-la a pó buscando se livrar dela e continuar não governando! A “gripezinha” que não depende do humor do presidente já matou 200 mil compatriotas. Mas a política de avestruz do Jair, continua negando-a e acusando a mídia de super estimá-la. A onda da Covid não seria um tsunami imbatível para o Brasil. Somos o principal país da América do Sul e temos o melhor know-how para a vacinação, podendo sem dificuldade, “puxar” de 20 bilhões para nos imunizarmos! Mas o país é grande demais para o anão Bolsonaro. Eleito em circunstâncias especialíssimas, não apresentou nenhuma virtude para conduzir a nação num período conturbado. Tornou-se ídolo, recorrendo a todas as táticas populistas e nacionalistas já usadas nos meados do século XX e agora reaparecendo em alguns países. Estratégias que muitos frutos perversos produziram na Alemanha e na Itália. Seguidor cego de Trump, envergonhou o Rio Branco e tornou-nos num páreo internacional. Expôs o país ao ridículo e só não o apequenou mais, porque somos um gigante (ainda que adormecido).

icon-aspas Qual é a reação típica da insegurança? Agressão, negação e fuga! Não foi além disso, desde que a Pandemia nos atingiu.

A sua incapacidade de governar é inata. Não tem empatia com os pobres, desvalidos e muito menos com os familiares dos milhares de mortos. Debocha, ridiculariza, ignora. Nenhuma compaixão. Bolsonaro vive como se não fosse o presidente. Está em campanha para 2022 desde o primeiro dia de governo. Tudo que faz ou não faz é em função da reeleição! Vê nos governadores inimigos e a imprensa livre lhe dá náuseas, para usar um termo leve. Não entende de harmonia entre os poderes e confunde órgãos estatais como “puxadinhos” da sua pseudo governança. Os filhos acima de tudo e, diz ele, Deus no comando geral. Uma teocracia fajuta, iraniana ou católica do século XVI. Bolsonaro escava em torno do arcabouço do Estado laico brasileiro, não vendo a hora de desmoroná-lo. Usa a religião num anacronismo perverso e fuleiro. Não existe nenhum entusiasmo com as reformas que o Estado precisa e a Previdenciária saiu das articulações do Congresso. Ele não teve nem o ônus e nem o bônus. Porém, o auxílio emergencial de 600 reais, também determinado pelo Parlamento, lhe rendeu a maior aprovação do mandato. Homem de sorte, num país onde as migalhas fazem a maior diferença.

Bolsonaro está errado. O país não quebra, nem com insanos ou inaptos como ele. Está para vir o presidente que consiga quebrar o país. E olha que muitos já o tentaram!

Padre Manuel Joaquim R. dos Santos, arquidiocese Londrina

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