Respeito. A crise humana precede todas as demais crises, no mesmo passo deste compasso social que antes de superar crises se impõe subirmos um degrau: empatia. Quando nossa honrada e lhana prefeitura de Londrina corta pés de abacate e outras frutas, ou qualquer que seja a árvore sadia, mostra que não tem consideração com o meio ambiente, e com a população propriamente.

Acreditamos ser uníssono que árvores são importantes dentro das cidades. Até aqueles que outrora defendiam que a terra é plana ou que vacinas possuem chips e transformam pessoas em jacarés sabem a importância. Respirar é sobrevivência, se alimentar necessidade.

O ditado popular "tiro no pé" é o melhor exemplo para a esculhambação ambiental que ocorre em Londrina. Uma árvore com saúde não se corta, do contrário, é a nossa saúde que se vai. Será que alguém da administração municipal tem parente médico para explicar esta afirmação?

Aliás, não é necessário o uso da inteligência humana ou a moderna AI do afamado Chat GPT para chegarem a conclusão que cortar árvores sadias e frutíferas é antônimo de inteligência e razão.

Sinto muito. Ninguém é melhor que ninguém e não quero julgar a pessoa, não sei quem ordenou ou fez, mas, o ato é de alguém que é desconectado da vida, do mundo e de si propriamente.

Já não basta o absurdo histórico que esta cidade comete contra nosso meio ambiente? Entregamos a coleta de lixo para um grupo; deixamos outra moçada controlar recolhimento de entulhos; permitirmos capitanias hereditárias no lixo reciclado etc. O serviço monopolizado se torna caro, até impagável para os mais simples. Assim, pessoas buscam meios errados para descarte, separam errado etc.

Não temos o mesmo enredo do pobre menino carioca, Zezé, quando se aproveitam da tristeza deste menino, que tinha perdido um amigo e ficado doente, para cortar seu precioso pé de Laranja Lima, conforme escreveu com penas de ouro José Mauro de Vasconcelos em 1968. Mas, é uma tragédia cortar abacateiros para plantar, talvez, eucaliptos.

E meio ambiente não tem matemática. Não pode o prefeito cortar 10 árvores e se defender que plantou 10, não existe esta conta, tenho dois filhos e posso matar 2. O prefeito que gosta do clima tropical precisa entender que meio ambiente é somente somatório, que fica melhor na eventual foto. Tem que pagar para ver.

Enquanto vereadores dormem em berço esplêndido preocupados em aumentar seus próprios salários e até sua irmandade, a prefeitura segue atropelando e cortando o que não lhe convém. Trazendo maquiagem para os dias atuais, mas comprometendo o futuro da cidade.

A atual administração trocou estruturas duráveis das pracinhas e seus parquinhos históricos por latas de tintas multicoloridas e enfeitadas e pneus velhos pintados de verdade e chamou isso de revitalização. O verbo reviver tem o sentido de dar vida onde morreu ou está morrendo.

Trocaram a imagem do calçadão da cidade. Antes local histórico, hoje abandonado. Tanto na parte de estrutura e calçamento diferente, quanto na falta de zelo na fiscalização, deixando virar a Zona Franca de Londrina.

Enfim, agora jaz, é caso de leite derramado. Melhor se fosse ao abacate misturado. Que seria assim, vitamina para nosso alimento sagrado. Esperamos que nossa prefeitura tenha mais cuidado, comece a ter a questão do meio ambiente como assunto sagrado. Fica aqui nosso recado.

Ronan Wielewski Botelho é filósofo em Londrina

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