Na semana iniciada em 15 de novembro, Dia do Professor, não há muito o que comemorar. Faz tempo que sobre as mesas dos docentes nas salas de aula não é depositada uma maçã. Poucos são os agradecimentos e muitos os lamentos.

A profissão ainda reconhecida como a mais importante, não tem correspondência no ambiente de trabalho e muito menos na remuneração. Este cenário é explicitado nas recentes pesquisas sobre a situação da educação no Brasil.

Com a indiferença da população e até a violência na relação entre professores e alguns governantes, quando estes reivindicam melhores salários e condições de trabalho, sofremos o risco de um apagão de professores, que já vem ocorrendo em algumas áreas, tanto em instituições públicas como privadas. Dentre as causas apontadas, cabe destacar a baixa remuneração.

Segundo estudo da OCDE (2021), realizado entre quarenta países, o piso salarial de docentes do ensino fundamental do Brasil é o mais baixo de todos. Também contribui a falta de infraestrutura como laboratórios e bibliotecas, a sobrecarga de trabalho e a desvalorização social. Não podemos incluir nesta conta a falta de vagas para formação em cursos de licenciatura, uma vez que, segundo o INEP, existem 2,5 milhões de vagas ociosas nas instituições de ensino superior. Números que crescem a cada ano.

Para piorar, mesmo entre os que finalizam os cursos de licenciatura, somente um terço irá atuar na docência. Situação alarmante para um país em que a maioria da população ainda não atingiu uma situação de bem-estar social, que precisa crescer na economia e que passa por um processo acelerado de envelhecimento.

A falta de professores, aliada às más condições de trabalho e o baixo investimento em capacitação profissional, justifica, por exemplo, a posição dos estudantes brasileiros no Pisa (Programa Internacional de Estudantes) que coloca o Brasil entre os 10 piores do mundo em desempenho em matemática.

Valorizar e tornar a carreira docente mais atrativa é um caminho longo. Pesquisa de 2015 aponta que entre os concluintes da educação básica que queriam se tornar professores, eram 20% na média entre os países europeus; e no Brasil, 2,4%. Número que deve ter piorado nos últimos anos, após tantos ataques à educação e aos educadores.

Se não tomarmos providências, urgente, subletrados, corremos o risco de acentuarmos a segregação social e comprometermos nossa autonomia como nação. Para reverter esta situação é preciso investir na carreira docente com melhores salários, menor carga horária e programas de capacitação profissional. Assim, no futuro, faltarão maçãs e sobrarão cidadãos felizes e profissionais qualificados.

Ricardo Dias Silva, professor doutor associado do Departamento de Arquitetura e Urbanismo (DAU), membro do Programa Associado de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo (UEM-UEL- PPU), coordenador do Laboratório de Pesquisa em Habitação e Assentamentos Humanos (LAPHA)

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