Espaço aberto| Em busca de recolocação profissional: cuidado com o que escreve no currículo


Equipe FOLHA
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Tem um pessoal aí que na hora de criar um currículo, ou atualizar o existente, coloca vários termos sofisticados, bonitos, que enchem os olhos do entrevistador, ou do recrutador. Aliás, qualquer pessoa que tivesse esse currículo em mãos certamente ficaria impressionada. Conversando há alguns dias com um cliente de coaching e pedindo para que ele me contasse um pouco sobre suas habilidades anotadas no currículo, fiquei bem atento ao que ele ia lendo. Resolvi então compartilhar essa experiência com todos, como uma forma de orientá-los quanto ao que se escreve e não se observa.

Sabe aquela história de que “isso é muito relativo”, pois é. Ele começou a ler o currículo: sou uma pessoa muito produtiva, sou proativo, rápido nas atividades, entrego as tarefas sempre antes do prazo, e continuou: sou organizado, proativo, e uma pessoa de confiança, leal ao meu chefe. Logo, pedi para que ele parasse de ler.



Agora pergunto a você que está lendo este texto: - Você contrataria alguém com todas essas qualidades/habilidades?

O que pretendo mostrar ou alertar com esse conteúdo é sobre as coisas que dizemos ou escrevemos e não temos como comprovar, demonstrar ou explicar, logo, é muito arriscado colocar tudo isso no currículo. O que faz a diferença, por exemplo, é quando você fala algo e explica ao recrutador dando exemplos do seu dia a dia. Carregar o currículo de termos que muitas vezes não será capaz de demonstrar ou até mesmo falar a respeito, não dá muito certo. Características como essas, e tantos outros termos sofisticados, estão presentes em centenas de milhares de currículos que são distribuídos por aí todos os dias.

Tipo, achei bonito e coloquei.

Ao perguntar a ele se estava confortável para explicar sobre a palavra proativo para um recrutador, percebi que se perdeu completamente. Muitas vezes o candidato está entregando seu currículo nas empresas, e não está tendo respostas do recrutador ou da empresa e quase sempre não saberá porquê.

E você? Será que seu currículo também está assim, todo recheado de qualidades que são inexplicáveis? Uma das partes mais importantes de um currículo é mencionar as conquistas e realizações no emprego anterior, ou na carreira dependendo do caso. Mesmo assim se o candidato insistir em colocar os termos sofisticados, e for chamado para a entrevista, deve estar preparado para dar exemplos reais e que justifique o uso deles. Se escreveu que é organizado, diga o que fazia ou fez para que o recrutador tente entender. Escreveu que é produtivo, então explique ou dê exemplos reais e que demonstrem isso.

Às vezes o candidato e o recrutador perdem muito tempo num processo que poderia ter sido mais simples e objetivo. Logo, seria bem produtivo ser bem realista no currículo e o mais verdadeiro possível. Não tem muito o que dizer no seu currículo? Talvez esteja precisando refletir sobre o quanto deixou de aproveitar alguma oportunidade no passado, ou quanto deixou de investir em si mesmo, ou ainda, quanto talvez deixou de usar todo o seu potencial. Sempre é tempo de olhar para o passado e analisar esses pormenores, buscar atualização e ajuda profissional. 



Luciano Muchiotti é especialista em carreira e empreendedor.

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