ESPAÇO ABERTO Ditadura é ditadura
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quarta-feira, 03 de abril de 2019
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Ditadura não se comemora, nem se relativiza. Ditadura é ditadura e ponto final. Oficialmente, são 434 mortos e desaparecidos do regime militar. Tem gente que acha pouco. Foram mais de seis mil denúncias de tortura entre 1964 e 1977. Pau de arara, choque elétrico, chutes, afogamentos, as técnicas eram as mais variadas e cruéis.
A tortura foi política de Estado. As violações dos direitos humanos foram praticadas de maneira sistemática e planejada pelas Forças Armadas sob comando dos presidentes militares.
Além da tortura, dos assassinatos, dos desaparecimentos, o País sofreu com a censura. Dedos-duros do regime foram trabalhar nas principais redações. Não podendo tratar de determinados fatos, teve jornal que passou a publicar receitas de bolo nos espaços censurados.
Peças de teatro foram proibidas não por tratar de assuntos políticos, mas por serem consideras ofensivas à moral e aos bons costumes pelo regime.
A Ditadura foi nefasta para toda a sociedade brasileira. Por isso, 1985 foi um ano de festa. Finalmente, deixava o Planalto o último presidente militar. Desde então, 31 de março foi dia de lembrar o golpe como um capítulo triste da história que não deve ser repetido.
Mas os armários se abriram em 2019. Parte da sociedade está se sentindo à vontade para dizer que o regime foi necessário para salvar o País do comunismo. Quem apanhou e morreu, apanhou e morreu porque mereceu.
Para essas pessoas que vivem em estado delirante, o comunismo ainda é um inimigo a ser vencido. Portanto, é de se imaginar que elas considerem natural a volta dos militares para o bem do Brasil.
Nossa sorte é que uma parte expressiva do País ainda valoriza a democracia. E que não vai cansar de repetir “Ditadura nunca mais”.
Nelson Bortolin, jornalista (Londrina)


