ESPAÇO ABERTO: Comentário sobre a transferência dos padres
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quinta-feira, 04 de janeiro de 2024
Padre Alexandre Alves dos Anjos Filho 
Eu havia jurado para mim mesmo que não escreveria nada a respeito da coluna “Espaço Aberto” de ontem, quarta-feira, dia 03/01/2024 sobre a transferência de padres em Londrina, mas algumas coisas são necessárias pontuar e esclarecer. Podem não concordar comigo, e é um direito de cada um, mas preciso pontuar o que segue.
Quando padre Edivan assumiu como pároco da Paróquia Santa Rita de Cássia ele sabia muito bem que seria por um período de seis anos. Isso estava escrito no papel que ele, padre Edivan, assinou e que foi lido publicamente no dia da posse dele na referida paróquia. As nomeações para o cargo de pároco são sempre assim e não é novidade para nós, padres, e nem deveria causar estranheza. Sempre tem um prazo, a não ser que o arcebispo e seu conselho digam o contrário, o que, diga-se de passagem, acontece pouco. O senhor bispo prefere deixar até o fim dos seis anos. Há casos, entretanto, em que é possível um ano de acréscimo, mas isso não é usual.
O Cânon 538 do Código de Direito Canônico, quando fala da destituição do ofício de pároco, diz no parágrafo 1º: “O pároco perde o ofício por remoção ou transferência efetuada pelo Bispo diocesano nos termos do direito, por renúncia apresentada por causa justa pelo próprio pároco e, para ser válida, aceite pelo mesmo Bispo, e bem assim pelo decurso do prazo, se, de acordo com as prescrições do direito particular referido no cân. 522, tiver sido constituído por período determinado” (o grifo é por minha conta; é o caso do padre Edivan: ele foi designado para o cargo de pároco por um período determinado que se findou, simples assim). O bispo não está fazendo nada de arbitrário.
As transferência nunca são feitas de forma arbitrária, como se o senhor arcebispo fosse um déspota e maquiavélico, querendo sempre o pior dos padres. Não é assim. Ele tem um conselho, que o ajuda nas decisões, que o aconselha. Claro que a decisão final é dele, mas ele sempre ouve este conselho. “Ah, ele está fazendo um bom trabalho aqui”. Pois é, este é um critério bom: ele fará um excelente trabalho em outro lugar também. Quanto egoísmo querer os bons sacerdotes só para nossa paróquia. Nós, padres, deveríamos ser abertos a novos trabalhos.
Eu acho que deveria comentar quando os autores agridem o arcebispo, perguntando “quem paga o salário altíssimo do arcebispo e os gastos de sua corte”, mas não o farei. Quando a gente não tem argumentos plausíveis, a gente parte para a agressão mesmo. Como diria a personagem de um antigo programa de TV, “prefiro não comentar”.
Quase concluindo meu comentário, no dia da nossa ordenação presbiteral, durante as perguntas que são feitas ao candidato a padre, a última é bastante simbólica e comprometedora. A gente se ajoelha na frente do bispo, une as mãos e o bispo envolve as suas mãos nas nossas e pergunta: “Prometes respeito e obediência a mim e a meus sucessores?” É uma promessa forte; nós respondemos sim e se respondemos “sim” à essa pergunta, deveríamos, no mínimo, agir de acordo com aquele que prometemos ajoelhados no altar. Deveríamos viver essa obediência sim. Afinal, padre Edivan prometeu obediência ao bispo, assim como eu!
Por fim, os autores da coluna terminando dizendo que “o povo de Londrina não aceitará a remoção do padre Edivan da Paróquia Santa Rita”. Povo de Londrina? Desculpa, os senhores não me representam. Falem por vocês! E mais: ajudem o padre Edivan a viver a obediência que ele prometeu no altar!
Padre Alexandre Alves dos Anjos Filho, presbítero da Arquidiocese de Londrina


