Espaço Aberto: A natureza da moral
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sexta-feira, 15 de maio de 2015
Abraham Shapiro 
Dia desses, ouvi uma notícia pelo rádio que me deixou bastante impactado. Uma quadrilha de assaltantes explodiu um caixa eletrônico numa agência bancária de uma cidade do interior e fugiu com o dinheiro. Porém, várias notas voaram e se espalharam por uma rua. Os transeuntes começaram a recolher para si as notas que encontraram no solo.
O que mais me surpreendeu não foi a notícia, mas os comentários das pessoas entrevistadas. O repórter perguntou o que teriam feito se tivessem estado ali. Pegariam as cédulas de dinheiro que voaram do roubo ou não? Todos os entrevistados disseram que ficariam com as cédulas que pudessem apanhar. Justificaram sua opinião dizendo que os bancos são milionários, cobram juros altos e se tivessem oportunidade de ficar com um pouco daquele dinheiro, por que não pegá-lo? Assim, para eles, não havia nada de mal em levar aquelas cédulas.
Esse é só um exemplo entre muitas atitudes incorretas que as pessoas realizam e que, em seguida, justificam seus comportamentos.
Na realidade, essas pessoas não julgam estar atuando de forma incorreta. O fato de existir uma lei que proíba algo, não significa que fazer o que ela proíbe seja intrinsecamente mal. E, por outro lado, se algo é legalmente permitido, não significa que seja bom.
Aqui surge uma pergunta. Quem define ser um comportamento correto ou não? Quem define a moral? O estado? Por que alguém poderia dizer que o que aquelas pessoas fizeram foi mau? Só por que o país diz isso? Existe uma moral absoluta? Ou a moral é algo que as pessoas vão definindo segundo o lugar e a época?
O problema de não existir uma moral absoluta é que cada pessoa ou sociedade pode definir o que é correto ou incorreto desde seu próprio ponto de vista, e não há um padrão objetivo que defina o que está bem ou mal. E se a moral é subjetiva, o bem e o mal ficam reduzidos a questões de opinião e gostos pessoais. Sem um padrão objetivo de moralidade gostemos ou não as pessoas podem fazer o que querem. E este é um grande risco, pois acabaremos ajustando o padrão moral ao que queremos fazer. Teremos, assim, uma justificativa para todos os nossos comportamentos, convencidos que estaremos de que o que fizermos está bem, ou seja, racionalizando os nossos atos.
Justamente isso é o que aconteceu com Adolf Hitler. Ele não acreditava estar fazendo algo errado. Ele pensava que tudo o que fazia estava certo, e até o converteu em leis em seu país.
Escrevo e reflito sobre esse tema movido por uma preocupação: "O que será da nossa sociedade frente a tantas falcatruas e sujeiras ventiladas diariamente em todas as mídias deste país?". Não temo pelas consequências econômicas. Mas pelas morais, sim.
E quanto ao que se passa em Londrina? Exploração sexual infantil, desvios de recursos públicos por pessoas sobre quem a sociedade confiou cargos e funções de alta importância na esfera fiscal, etc. O que será de tudo isso? "Operação abafa" promovida por grupos econômicos possivelmente envolvidos? Políticos pizzaiolos? Gente de dinheiro removendo promotores e delegados?
Onde estão as manifestações da sociedade local? Onde está o apoio declarado ao Ministério Público dos vários segmentos com os pés vermelhos, azuis ou amarelos?
O que será do nosso futuro, da educação dos nossos filhos? Qual exemplo será legado por esta geração às futuras?
Será a moral subjetiva? Ou objetiva? E se é objetiva, quem a define?
ABRAHAM SHAPIRO é consultor e coaching em Londrina
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