ESPAÇO ABERTO A agricultura no planejamento estratégico da Região de Londrina
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quinta-feira, 04 de abril de 2019
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Londrina e a região Norte do Paraná parecem estar acordando para a necessidade de se ter um planejamento estratégico que defina para onde queremos ir...
É incrível que uma região como a nossa, que em suas origens teve o planejamento como base, tenha deixado de lado as várias iniciativas havidas nos últimos 20 ou 30 anos. Felizmente parece que acordamos e hoje temos pelo menos três processos em andamento que precisam se conectar: um voltado especificamente para a inovação (Ecossistema de Inovação de Londrina e Região), outro com características regionais (Metrópole Paraná Norte) e por fim um mais direcionado a Londrina (Masterplan). Mas, além dessa óbvia necessidade dessas três iniciativas “conversarem” entre si, fica a preocupação de que todas elas devem inserir em seus estudos e propostas a questão da agricultura.
Individualizando apenas o município de Londrina, a participação da agricultura no PIB é pequena e a população rural pouco expressiva. Entretanto, não podemos esquecer que esse setor garante matéria-prima para o agronegócio regional e o abastecimento de boa parcela do consumo local de alimentos.
O conceito de “agronegócio” se embasa na análise da interação entre seus três componentes que são definidos como “dentro da porteira” (a produção agrícola em si, fruto do trabalho executado nos limites das propriedades rurais), o “antes da porteira” (os insumos e equipamentos externos à produção, geralmente originados no setor industrial urbano) e o “depois da porteira” (processamento, transporte, comercialização da produção agrícola).
Mesmo a produção agrícola não sendo tão determinante na formação do PIB local, o VBP (Valor Bruto da Produção) calculado anualmente pelo Deral/Seab chega a um montante bem significativo, da ordem de R$ 600 a R$ 700 milhões.
Esse valor é originado de cerca de 150 produtos diferentes (de fato, alguns “produtos diferentes” são tipos distintos de apresentação do mesmo produto agrícola). Na safra 2015/2016 é possível destacar alguns produtos geradores de valores mais significativos para a economia de Londrina:
· Produtos com valor acima de R$ 20 milhões: milho safrinha; soja safra normal; trigo; milho verde (espiga); tomate (safra “de risco”); tomate safrão; frango de corte;
· Produtos com valor entre R$ 10 milhões e R$20 milhões: mandioca (para consumo humano); alface; pepino; bovinos (boi gordo); feno; garrotes; novilhas; suínos de raça (abate); madeira (lenha).
· Produtos com valor entre R$ 5 milhões e R$10 milhões: batata doce; cará; chuchu; bezerros; ovos de galinha (fecundados); ovos de galinha (para consumo); vacas para corte.
Esse tipo de “mapa” da produção agrícola de Londrina é muito importante para que os grupos que vão atuar nos três processos de planejamento estratégico, acima mencionados, tenham uma adequada percepção sobre a composição da produção agrícola, parte fundamental das cadeias que levam os produtos de “dentro da porteira” até o consumidor final. Nunca é demais lembrar que, sem o “dentro da porteira”, o “antes” e o “depois” não existiriam.
PAULO VARELA SENDIN, engenheiro agrônomo (Londrina)


