Opinião Atualizado em 15/02/2018, 19:42
ESPAÇO ABERTO
Voltei para a cidade, depois de passar as festas de fim de ano com a família. Encontrei no jornal, nas pessoas e nas ruas, um clima de incredulidade, de raiva e mesmo de desprezo pelo que houve com uma das imagens santas da Catedral de Londrina. Teve até mesmo discursos, nesse jornal inclusive, que creditavam a ação ares de desequilíbrio mental ao agressor. Acredite, a pessoa não é desequilibrada.
Antes fosse um desequilibrado, antes esse fosse um fato isolado. Pessoas de opinião, pessoas comuns: o que houve foi um fato mais corriqueiro do que a bolha da sua realidade lhe permite compreender. Não vou relembrar o já folclórico (sic) e famigerado chute na santa, que ocorreu em rede nacional na década de 90. Constantemente, determinados grupos étnico-religiosos, outras tantas minorias que foram relegadas às margens, sofrem do mesmo estigma da intolerância.
Aquela pessoa, que quebrou a estátua do Sagrado Coração de Jesus, que havia realizado feito semelhante já em outra cidade do interior, não é um desequilibrado. Um pária social. Ele tem a certeza de suas ações, e a consciência daquilo que fez está presente nos argumentos que apresentou. Acredita estar com a razão. Uma razão que lhe foi posta num viés dogmático, nessa forma de uma verdade incontestável.
Que católicos não adoram a imagem, mas a representação simbólica daquilo que ela representa, não é uma ideia presente no fluxo contínuo dos discursos de muitas vertentes religiosas. Que se apropriam de outros tantos dogmas cristãos não sincretizados. Agem contra religiões de matriz africana recorrentemente, enviesados num discurso de ódio sem pormenores, impassíveis de serem questionados. O que assustou agora é aquilo que certos grupos, religiosos ou não, vivenciam diariamente, expropriados à margem, muitas vezes por simplesmente questionar certos dogmas, certas verdades incontestáveis.
Não, aquele rapaz não é um desequilibrado. Ele tem plena consciência daquilo que faz, ou ao menos daquilo que foi instruído a fazer. O ódio que lhe foi ensinado, ou mesmo uma tal missão (sic) que tenha lhe sido outorgada, sabe-se bem de que forma, sua origem e motivação. Assusta quando afeta algo próximo, algo tão certo e fatidicamente também inquestionável. Simbolicamente ou não. Mas não tome isso por ares de desequilíbrio de um agente ou fator isolado. Para alguns não o é, todos os dias.
PEDRO VINICIUS N. M. F. ROSSI é professor e sociólogo graduado em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina e colaborador do grupo de pesquisa do Laboratório de Estudos sobre Religião e Religiosidades (UEL)
É consenso que a atualização da planta genérica de valores onerou o IPTU para a população londrinense. Neste momento, se faz necessário somar forças entre todos os moradores com um único objetivo: amenizar os impactos do aumento do IPTU. Dentre as sugestões discutidas, o presidente da Acil, Claudio Tedeschi sugeriu o congelamento dos salários dos servidores. A busca pela justiça fiscal coaduna com a penalização dos servidores? Antes de tudo, os servidores são trabalhadores que também têm seus compromissos e pagam impostos, inclusive o IPTU. Não é penalizando uma categoria de trabalhadores que vamos amenizar as consequências da elevação do IPTU. Em nome da sensatez, é evidente que nenhum sindicato patronal lutou ou irá lutar pela valorização dos servidores do município. Uma breve análise de conjuntura histórica prova isso. Não quero desmerecer a visão do presidente da Acil, entendo que é importante discutirmos a atualização da planta de valores, da mesma forma, tão importante quanto, devemos pensar também em discutir a descentralização do bolo tributário. Infelizmente, este bolo é centralizado pela a União e ela não tem provido as necessidades dos cidadãos, apesar de ficar com a maior parte da grande fatia dos tributos arrecadados. A União arrecada muito e utiliza estes recursos de forma vexatória. É este escárnio no uso dos tributos que penaliza todos os trabalhadores. Em um país com grande carga tributária, onde 57% é destinado para a União, 25% para os Estados e apenas 18% para os municípios, fica latente a grande injustiça fiscal legalizada em forma de lei. Essa injustiça produz consequências para todos os municípios, inclusive Londrina. Não devemos pensar em mudar essa lei? Os responsáveis que podem mudar a triste realidade da má distribuição do bolo tributário estão inertes. Os deputados federais, inclusive de Londrina, calam-se diante dessa centralização dos tributos em Brasília. Pensar em penalizar uma categoria de trabalhadores jamais irá amenizar ou resolver qualquer outro problema.
JONAS VIEIRA DA COSTA é professor de Geografia com especialização em Administração, Supervisão e Orientação Educacional em Londrina.
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