Opinião Atualizado em 14/02/2018, 17:38
ESPAÇO ABERTO
Ano novo, vida nova. Época de fazer promessas, de reavaliar a vida, de colocar em prática alguns propósitos. É tempo de ser diferente, de fazer a diferença. E por isso mesmo é que o mês de janeiro foi o escolhido para a realização de uma campanha de conscientização e prevenção em relação à saúde mental, chamando-o de Janeiro Branco. É o período que se inicia um novo ano e em que as pessoas estão mais propícias e adentram a um movimento espontâneo de (re)avaliação de suas próprias vidas, de seus relacionamentos e do quanto conhecem a si mesmas e suas próprias emoções, pensamentos e comportamentos.
Um assunto que não deveria ser resumido apenas a janeiro ou ao novo ano. Afinal, cuidar da saúde mental é essencial para o bem-estar integral do indivíduo, pois está diretamente ligado à própria vida, aos relacionamentos interpessoais estabelecidos, sejam amorosos ou de amizade, às atividades cotidianas, ao convívio social. Portanto, colocar a saúde mental em debate e discussão é necessário e importante.
A máxima da campanha deste ano é "quem cuida da mente, cuida da vida". Porque é verdade: sem saúde mental não há nem sossego; não há harmonia nas relações sociais e pessoais, nem energia para cuidar da vida. Então, a proposta é que as pessoas invistam em tudo aquilo que nos move, nos sustenta e nos capacita para uma vida saudável, plena e cheia de realizações, de tudo aquilo que todo o ser humano merece e é capaz de conquistar.
Claro que cada pessoa tem suas particularidades, mas diversos são os aspectos que nos levam a uma boa saúde mental: ter tempo de lazer e descanso, conviver com a família, poder viajar, desenvolver algum esporte, entre outras coisas que são importantes. Além disso, a campanha é um alerta para que as pessoas também procurem a ajuda de um psicólogo, não só quando estão em sofrimento, em depressão ou luto, por exemplo, mas também para aprender a lidar consigo mesmo, com suas emoções, enfrentar seus medos, planejar suas metas e objetivos, ter mais qualidade de vida.
CAMILA LUPORINI é psicóloga em Londrina
É um engano pensar que os católicos cultuam imagens. O fato de prostrar-se diante delas é apenas um simbolismo, porque a mente e o coração estão sintonizados na figura viva e real que elas representam. Nunca um fiel da comunidade católica espera uma graça de uma estátua e nem considera sagrada a imagem. Da mesma forma que colocamos na parede um quadro de familiares falecidos. Isto não significa idolatrar tais retratos mas reverenciar os que estão ali representados.
A violência ora praticada contra a imagem de Jesus na Catedral de Londrina foi abominável e, como os fiéis do culto evangélico não cultivam estátuas, foi inevitável pensar-se num fanático desse grupo religioso, por causa de uma bíblia que ele levava consigo e um livreto de cânticos de sua igreja. Mas é óbvio que não se deve achar que os evangélicos aprovam essa iconoclastia. A não ser o caso de insanos, presentes em todas as crenças. Da mesma forma que o povo islâmico não adere às atrocidades de seus coirmãos radicais.
Mas é certo que a pregação bíblica contra o denominado culto às imagens (e repito que esse culto no universo católico não existe) pode induzir os fanáticos a cometerem vandalismos como o que agora ocorreu. A palavra tem grande poder de incitação, principalmente quando proferida por um guia religioso no púlpito. Assim com o que os mais velhos falam em casa e as crianças ouvem. Poucos anos atrás a TV Canção Nova, da Igreja Católica, fez uma miniprocissão interna aos brados contra o espiritismo. Daí, para levar uma pessoa descontrolada a um ato violento contra adeptos dessa doutrina é um passo. Tal evento já foi uma agressão, ademais porque tornada pública pela televisão.
Certa ocasião, um pregador da Igreja Universal do Reino de Deus levou ao palco a imagem de uma santa e chutou-a, diante dos que o viam e ouviam no templo, e pela TV. Depois, a Igreja condenou o ato, mas o mal já estava feito. E por que a agressão aconteceu? Porque era um comportamento da igreja bater na tecla da condenação a imagens. Por estes dias, a internet mostrou uma mulher martelando a estatueta de uma santa, enquanto um pregador exaltava o ato. É prudente evitar essas prédicas, porque cabeças fracas são facilmente manipuláveis pelo que ouvem de seus líderes religiosos.
WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina
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