Opinião Atualizado em 10/02/2018, 10:24
ESPAÇO ABERTO
Em 20 de dezembro passado, dois repórteres de TV na Somália, Ahmed SaEd e Abdirahman Mohamed Ege, foram presos sob a acusação de produção de notícias falsas ao denunciarem a corrupção na prefeitura da cidade portuária de Berbera. Os dois estão entre os 262 jornalistas que atravessam este fim de ano em prisões em razão da missão de buscar e divulgar a verdade, segundo o Comitê para Proteção de Jornalistas.
Revidar com a expressão fake news para desmerecer o noticiário apurado e editado por jornalistas e veículos profissionais é o novo efeito perverso da difusão de inverdades via redes sociais e grupos de WhatsApp. Se 2016 foi o ano em que se acordou para a doença das notícias falsas, em 2017 a epidemia de desinformações fabricadas em ritmo industrial se espalhou em escala planetária. Contribui na disseminação o fato de governantes - e Donald Trump é apenas o mais notório - carimbarem agora como "notícias falsas" o noticiário que lhes causa dissabor.
A distorção sobre a real natureza de notícias propositadamente falsificadas alimenta regimes autoritários mundo afora. Depois da tentativa de golpe na Turquia, o governo de Recep Erdogan dispensou a maquiagem de democracia, brandiu o discurso das fake news e se tornou campeão mundial de prisões de jornalistas, com 73 atrás da grades. Em segundo lugar, está a China, com 41 presos.
Segundo o CPJ, nunca tantos jornalistas estiveram na cadeia desde o início do censo, em 1992. O recorde reflete uma era de valores revirados: profissionais da verdade são aprisionados com crescente frequência enquanto os profissionais da falsificação ganham dinheiro e poder com seu trabalho sujo.
Só há uma vacina contra a epidemia - e ela não virá de governos incomodados pelo noticiário independente. O antídoto está no reconhecimento de jornalistas e meios de comunicação como as fontes mais confiáveis de notícias. Mesmo que nem sempre sejam precisos, jornalistas e veículos profissionais vivem do acerto e da pluralidade, e não do erro e do sectarismo, como a verdadeira praga das notícias falsas e das bolhas de ódio nas redes.
MARCELO RECH é presidente da Associação Nacional de Jornais e vice-presidente Editorial do Grupo RBS
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Mais um ano se inicia. E, com ele, todas as promessas de que tudo será diferente. Diferente, no entanto, tem de ser a prática das teorias confabuladas a cada fim de ano. Para que, de fato, o que queremos que seja diferente realmente seja diferente. E, assim, imbuídos desse espírito de força de vontade e de determinação, queremos iniciar um 2018, com tudo para ser diferente.
Claro que ser diferente não significa mudar tudo em nossas vidas. Ao contrário, é preciso manter nossos valores, aquilo que fez com que fôssemos o que somos hoje. Nossas tradições fazem parte de nós, embora algumas delas tenham de saber dar lugar ao novo. É preciso ter o equilíbrio e a sabedoria de entender o que deve permanecer em nossas vidas e o que deve ser educadamente jogado fora.
Até porque um dos desejos mais pedidos no Natal e que, certamente, é colocado em prática no ano que se inicia logo a seguir, é o de renovação. Renovar-se significa justamente poder manter elementos vitais tento a consciência de que esses itens precisam ser renovados. Vamos exemplificar: as amizades que conquistamos, os trabalhos que empreendemos, as viagens que realizamos. Tudo faz parte do nosso currículo e devemos nos orgulhar de termos passado por essas experiências que contribuíram para sermos quem somos.
É o que nos faz diferentes dos mais jovens, das crianças: a sabedoria de poder dosar, ano a ano e renovando as esperanças a cada "feliz ano-novo", o que já foi e o que está por vir. Não há qualquer problema em fazer ou refazer as promessas no fim do ano. O segredo para o sucesso delas está, na realidade, no novo ano. Não no velho. Olhar para frente, seguir adiante e caminhar a passos firmes, nem sempre largos, mas seguros em busca dos objetivos prometidos. Custe o que custar.
Porque cada escolha que fazemos vem acompanhada de renúncias. Cada passo que damos, deixamos para trás algumas pegadas. Cada caminho que tomamos, faz-nos perder outros que poderiam ter outros destinos. Faz parte da peregrinação da vida. É natural do ser humano. Não tem como seguir viagem sem termos nas costas a bagagem das experiências que acumulamos e das roupas sujas, velhas e puídas que teremos de deixar pelo caminho. São escolhas que precisamos fazer.
CACO BRAILE é agente de turismo em Londrina
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