Peregrinar no colo da Mãe

Estamos em pleno ano mariano. Ano que se completam 100 anos da aparição aos pastorinhos em Fátima, em Portugal, e também 300 anos do encontro de Nossa Senhora Aparecida nas águas do rio pelos pescadores, aqui no Brasil. E, para quem é católico, a espiritualidade dedicada a Maria é devotamente fervorosa. Porque sabemos que, embora Jesus Cristo seja o único mediador entre Deus e os homens, Maria é o caminho de fé que nos leva justamente ao Filho.

O terceiro século de Aparecida é tema para outro artigo. No de hoje, quero compartilhar a experiência com a devoção a Nossa Senhora de Lourdes. Para mim, as orações a Maria são especiais. Recém-cheguei de uma viagem acompanhando um grupo de peregrinos que passou por santuários marianos na Europa. Entre eles o de Fátima e o de Medjugorje, na Bósnia-Herzegovina. Mas, de modo muito particular o de Lourdes, na França.

Lourdes é o local da cura. Uma história linda que começou em 1858 com as aparições de Maria a uma camponesa analfabeta, Bernadette Soubirous. Simples e obediente, ela tinha apenas 14 anos quando Nossa Senhora passou a aparecer com frequência pedindo penitência e oração pelos pecadores. Até que um dia, pediu que a camponesa cavasse um buraco no chão e bebesse da água que brotasse dali. A notícia se espalhou e até hoje jorra água dessa gruta em Massabielle é fonte de curas e milagres, atraindo milhões de pessoas anualmente.

Uma gruta dedicada a Nossa Senhora de Lourdes foi construída em Bandeirantes, no santuário dedicado a São Miguel Arcanjo, mesmo local onde foi instalada a maior cruz do Brasil, com 81 metros de altura. A maior no mundo fica na Espanha, com cerca de 150 metros de altura. Tudo sob o comando de fé e devoção do reitor do santuário, o padre Roberto de Medeiros. Um sinal de amor, de fé e de compaixão para nós, cristãos, que rezamos a Maria em busca do Filho, Jesus Cristo.

Peregrinar nos lugares marianos, seja na Europa ou aqui pertinho, é buscar o colo da Mãe. Foi assim que nos sentimos nos lugares onde Nossa Senhora se manifestou: no aconchego do colo de uma mãe amorosa!

RITA VEZOZZO BRAILE é agente de turismo em Londrina


Quando o racismo habita no íntimo

Os negros norte-americanos são tão racistas quanto os brancos. Combater esta realidade pelo confronto ou pela punição não é garantia de eficácia, porque o necessário é que haja evolução moral e espiritual das pessoas, que assim cessam todas as dissidências. E este é um processo lento e gradual. Os descendentes dos negros outrora escravizados têm naturalmente o mesmo sentimento de hostilidade aos brancos. Um filho de negro diz para um seu igual branco: "Você não fez nada contra mim, mas seu pai fez contra meu pai e seu avô fez contra meu avô".

Os movimentos pacifistas buscam reverter essa situação (que é mundial), mas isto pouco resolverá se continuar endurecido o coração das pessoas envolvidas nesse confronto. Os membros da radical Ku Klux Klan dizem que lutam para preservar a raça branca que, segundo eles, corre risco de ser dizimada pelos negros. Um argumento inconsistente, mas motivo de confrontos.

Nos EUA, quanto às raças e etnias, os litigantes podem ofender-se entre si publicamente, porque a Constituição permite a livre manifestação. Considera-se que lá é preferível essa agressão (certamente que não a física) do que limitar o que é tido como um direito dos cidadãos. É interessante que os Estados Unidos perfilam entre as nações mais democráticas do mundo, embora não hesitem em intervir em outras, por apelo ou arbitrariamente, e os povos favorecidos consideram isto necessário em função da existência em seus países de governos tiranos e sanguinários.

No caso do Brasil, adianta pouco combater o racismo - uma ação que tem, igualmente, matizes pouco amistosas de parte a parte. Porque, desde o alvorecer da humanidade, a rejeição a raças e grupamentos étnicos continua no íntimo das pessoas, sejam elas brancas, negras, mestiças, orientais. Já nos bastam os embates entre esquerda e direita, que poluem a atmosfera e maculam a alma, por conta do ódio aos que defendem políticos corruptos e os querem de volta ao poder - para se locupletarem - e dos que visam o crescimento econômico, que só dessa forma, e com menos governo, os muitos pobres poderão emancipar-se. Porque é gritante o drama da pobreza e da desigualdade social. Ao lado da corrupção governamental, este é o grande problema nacional, infinitamente maior que o racismo.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

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