ESPAÇO ABERTO
Os dejetos animais de cada dia
Henrique Reis e Lin Yu Cheng
É comum observarmos pessoas passeando com animais de estimação nas vias públicas. Também observarmos pessoas se recusando a recolher os dejetos produzidos por seus animais e, quando o fazem, realizam de maneira inadequada e depositam em lugares inapropriados.
Em 2016, um estudo realizado por Aparício Lopes Júnior, revelou que o número de cães e gatos na cidade gira em torno de 192 mil e 30 mil, respectivamente. Esses animais domésticos produziam por dia cerca de 70 toneladas de dejetos, os quais são descartados in natura em vias públicas ou lixos comuns. Com a água das chuvas, esses dejetos acabam indo para lagos e córregos da cidade, contaminando-os com coliformes fecais e outras bactérias.
Em Londrina, o Código de Posturas afirma que é dever do proprietário remover os dejetos deixados pelo animal em vias e logradouros públicos, bem como reparar e ressarcir os danos causados por este a terceiros. Contudo, a lei não impõe nenhum tipo de punição às pessoas que não obedecem-na.
Em Belo Horizonte, há uma lei específica para o tema (lei 10.534/2012) que determina que o proprietário dos animais deve recolher os dejetos e levá-los para casa e despejá-los dentro do vaso sanitário. Diferente da lei em Londrina, caso a pessoa não cumpra a lei em BH está sujeita a uma multa de R$ 790,54.
A questão dos dejetos nas vias públicas é de suma importância e não deve ser deixada de lado. O setor público deve aperfeiçoar os mecanismos legislativos e administrativos, como a fiscalização, e promover campanhas de esclarecimento sobre o recolhimento e destinação adequados dos dejetos de seus animais.
Outra solução seria a adoção de uma política pública específica para cuidar desta imensa quantidade de dejetos produzidos pelos animais, por meio de biodigestores que utilizam esses dejetos para produzir biogás, uma energia renovável ou até mesmo servir de biofertilizante na agricultura.
No Brasil essa questão dos dejetos de animais em vias públicas é corriqueira e em Londrina ainda é um problema presente embora exista lei específica.
É necessário discutir e propor uma nova lei com uma abordagem mais eficaz a esse problema ambiental e de saúde que atinge a todos.
HENRIQUE PELEGRINO DOS REIS e LIN YU CHENG são estudantes de Administração da Universidade Estadual de Londrina
Os discursos de Charlottesville
Pedro Vinicius Rossi
Não tão isolado como imaginamos, os eventos recentes que ocorreram em Charlottesville (EUA) apenas externalizam um exemplo concreto daqueles mesmos discursos que vemos crescer, não muito recentemente, neste nosso mundo ocidental. Brasil: presente. A afamada direita alternativa (alt-right) estava lá, e está aqui também, bem representada. Uma marcha de fascistas. Racistas, segregacionistas.
Nas palavras do governador daquele estado (Virgínia) "supremacistas brancos vieram a Charlottesville altamente armados, a vomitar ódio e à procura de uma luta". Sobre isso, não houve dúvidas. E os discursos não estão tão desalinhados àqueles que acompanhamos por aqui há tempos.
A direita alternativa pode ser descrita e identificada pelos seus discursos nacionalistas, recheados de um ódio consistente, altamente ressentido pelo avanço dos direitos de negros, mulheres, grupos LGBTS, etc. Basicamente: é o genuíno ódio e aversão para com grupos diversos e aqueles que lhe são diferentes do próprio espelho. Notou algumas semelhanças?
Comparativo raso e razoável, no entanto, necessário. Presenciamos nos últimos anos uma escalada de discursos misóginos, de discursos racistas. Inflamados e afamados discursos diversos contra grupos histórica e/ou contextualmente segregados de direitos. Temos nossos expoentes, aqueles tais mitos (sic!) defensores de tais escarnados discurso. E seus seguidores.
O presidente estadunidense não está tão isolado em suas declarações abjetas, em seu uso de qualquer whataboutismo para condenar todo e qualquer tipo de violência ocorrida. Mas Charlottesville também não está para o mundo como um evento isolado. Quando os discursos impelem ódio, caracterizam a exclusão, impõem violência e segregação: o que fazemos?
PEDRO VINICIUS ROSSI é professor e sociólogo graduado em Ciências Sociais e colaborador do grupo de pesquisa do Laboratório de Estudos sobre Religião e Religiosidades (UEL)
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