O possível

Uma menina brincava com sua boneca de porcelana predileta quando acidentalmente a deixou cair. Seu brinquedo partiu-se em inúmeros pedaços, o que a deixou muito triste, mas ela resolveu pedir a Deus para que ele juntasse os fragmentos e consertasse a boneca. Seu irmão mais velho vendo essa atitude lhe perguntou: "Você espera que Deus responda?".

A menina disse-lhe que sim e lá foi ela rezar. Após um tempo, o irmão quis saber da menina se Deus havia respondido e o que havia respondido. A menina disse que Deus respondeu e que a resposta havia sido um não. Com essa simples e singela historieta podemos aprender algo muito importante para essa vida que esquecemos com frequência.

Muitas coisas nos acontecem que nos deixam tristes, frustrados, com raiva e nós desejamos que fossem diferentes. Aqueles que são religiosos oram e pedem a Deus o que desejam, outros que não são crentes não oram a Deus, mas secretamente pedem em seu interior que as coisas e a vida sejam de uma maneira ou outra. Porém, na verdade não é bem um pedido, mas uma demanda que se faz para a vida ou até Deus, como se tivessem que funcionar de acordo com o desejo de cada um.

Perdemos muito tempo exigindo que a vida nos gratifique. Que ela funcione de maneira que concorde com nossos desejos e gastamos muito pouco tempo avaliando se o que desejamos é possível ou até mesmo bom. É muito fácil o ser humano esquecer-se de sua pequenez perante a realidade e acreditar que tudo ao seu redor deveria se dobrar à sua vontade. Há muita arrogância quando cremos que a vida deve ser do jeito que a desejamos e muita birra quando brigamos com a vida desejando o impossível.

A menina da história acima pediu, a resposta foi não e parece que ela aceitou o seu desejo negado, por isso ela pode continuar em frente. Quando recebemos um não será que aceitamos de verdade a situação? Ou ficamos de mal para com a vida, emburrados porque não obtivemos a resposta que queríamos? Quem pede e exige o impossível, sem aceitar nenhuma contrariedade, tem como único destino a infelicidade e a arrogância. No final, o resultado é uma vida muito pobre.

SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina




Por que este apoio a Bolsonaro

Por que centenas de jovens festejaram com aplauso e entusiasmo a presença de Jair Bolsonaro em Londrina? Talvez, uma manifestação de protesto contra os desmandos do império da corrupção que se robusteceu no Brasil com os dois governos petistas. Por seis vezes deputado federal pelo Rio de Janeiro, também não se explica essa contínua preferência, se ele nunca foi um parlamentar brilhante nem se soube de um projeto seu de relevância. Contra Bolsonaro pesam seus pronunciamentos extremamente radicais, a favor da tortura e da pena de morte para os casos de crime premeditado, contra os homossexuais, por defender que na ditadura militar "foi um erro apenas torturar ao invés de matar", contra a entrada de imigrantes, que ele denomina "a escória do mundo", contra as políticas indigenistas, e assim por diante.

Mas substancial parcela da população o aplaude como uma voz que sempre combateu o comunismo - que desde os idos da pré intervenção militar tentou implantar-se no Brasil. Combatente pela proteção aos produtores rurais, veio assumindo posições contra os sem-terra, pela invasão a propriedades produtivas e que tanta inquietude geraram no campo, sem que o governo petista tenha implantado a decantada reforma agrária. Seu discurso positivo estriba-se na defesa do liberalismo, portanto, a favor do livre mercado e com menor presença do Estado.

Ele ironizava que Dilma era "a mulher de Fidel Castro", pela admiração dela ao ditador sanguinário e por ter ajudado Cuba com volumosa soma, que não mais voltará - o mesmo que Lula fez em casos semelhantes, para beneficiar ditaduras de esquerda, e ao financiar a JBS. O movimento feminista repudiou Bolsonaro quando, ao ser chamado de estuprador pela deputada Maria do Rosário, retrucou com igual contundência. Potencial candidato à Presidência da República, não se sabe que tenha sido corrupto, embora se afirme que recebera ajuda de R$ 200 mil para suas campanhas, mas que ele devolveu esse dinheiro. Os petistas o execram, por conta de sua postura política e ideológica, mas querem de volta o Lula, réu cinco vezes e com uma carga de pecados infinitamente maior que Bolsonaro. Um contrassenso. É certo que o ex-capitão do Exército, de linguagem agressiva, ainda é melhor que Lula no conceito das pessoas cansadas e desencantadas ante tanto desmando dos governos.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

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