ESPAÇO ABERTO
A indústria da alimentação
José Luiz Tejon Megido
A indústria da alimentação do Brasil representa um elo fundamental para o agronegócio brasileiro, exatamente por ser ali onde ocorre a agregação de valor, e mais ainda, lançamento de produtos, marketing e a educação alimentar do consumidor final. Essa indústria é a maior empregadora industrial dentre todos os demais segmentos, com 1,7 milhão de empregos diretos e com um potencial gigantesco para as micros e pequenas empresas, sendo que os Estados Unidos e a Europa possuem três vezes mais empreendedores nessa área do que nós. O Instituto de Tecnologia de Alimentos (Ital), na pessoa do seu presidente Luis Madi, atua agora querendo destruir mitos que perambulam em torno da indústria da alimentação. Que a comida no passado era muito melhor, não é um fato, pois antigamente havia muito mais contaminação microbiológica e o alimento era mais inseguro. Madi acrescenta que o chocolate já foi um vilão e hoje é bom para o coração. O ovo já foi um problema, agora já não é mais; o café da mesma forma, o camarão também. E no consumo do açúcar, só 25% vem dos processados e 75% ocorrem nos alimentos não processados. Mitos que vão sendo desmistificados com o conhecimento científico. Madi ainda adiciona que 50% da população brasileira está com sobrepeso e isso tem muito mais a ver com a forma da alimentação do que com outro mito, o de que o alimento processado faz mal pra saúde. Ao contrário, segundo o Ital. E para esclarecer a opinião pública sobre a segurança alimentar dos alimentos da indústria brasileira, foi criado o portal www.alimentosprocessados.com.br. Segundo as pesquisas, o brasileiro afirma acreditar nas informações que vêm dos amigos e das pessoas. 83% se informam com sua base de relacionamento sobre os alimentos. Confiamos nas pessoas e assim como no futebol, acabamos todos virando nutrólogos e engenheiros de alimentos. A indústria da alimentação significa praticamente 60% de todo o PIB do agronegócio no país e, com um potencial gigantesco de crescimento, permite muito empreendedorismo e cooperativismo. O agro não é só agro, é indústria, é supermercado, é restaurante, é 25% do PIB do país, quando somamos tudo isso. E será cada vez mais cidade, uma agrossociedade agrourbana.
JOSÉ LUIZ TEJON MEGIDO é conselheiro fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável
O entrechoque de ideologias
Walmor Maccarini
Nem todos os patrões são maus, e isto se dá também com a classe operária. Mas existe uma comunidade que odeia os patrões e os ricos, por razões que se desconhece, talvez reminiscências amargas de vivências anteriores. As pessoas desse círculo possivelmente tenham sido protagonistas em relacionamentos tumultuosos e guardam disso uma memória remota, da qual ainda não se libertaram. Formam maioria os que enriqueceram pelo trabalho honesto, pela ousadia de arriscar-se nos negócios e empreender, num país como o Brasil de grandes riscos nesse campo, enfrentando a burocracia governamental e a escorchante carga tributária para sustentar administrações públicas corrompidas e esbanjadoras.
Exemplos próximos são Londrina e o grande Norte do Paraná, ricos em sagas de arrojo e produção de riquezas, e por isso semeadores de mais riquezas, para benefício de muitos. No seio das esquerdas abundam os que alimentam ódio atávico aos empreendedores de sucesso. O agronegócio de escala, a indústria e o comércio de porte, embora produzam bens, gerem empregos e impostos e contribuem para segurar a barra neste país, são abominados por essas camadas radicais. Sim, há desigualdades sociais, mas são múltiplas as razões. E se há os casos de exploradores, eles são uma minoria, assim como também existem os que tiram proveito das empresas onde trabalham por via de abusivas ações trabalhistas, mais o sindicalismo que forma uma cadeia de onze mil unidades no Brasil e se vale da contribuição de seus filiados. E parecem mais preocupados mais com a receita do que a com as necessidades da classe.
O PT - origem do mais expressivo titular deste partido, dito dos trabalhadores - valeu-se dos sindicatos para levantar as bandeiras de seus ideais, uma espécie de exército de retaguarda e de propaganda, e teria sido um bom partido de oposição. Mas desejou ser poder governamental e, ao alcançar isto, demonstrou a que veio - o anseio de perpetuação e dominação, formando uma elite. E com poder, cometeu abusos e enriqueceu muitos dos seus. Políticos no geral são muito iguais, e o petismo não seria diferente. Por essa via, abandonou seus ideais. Seu plano inicial era manter-se no poder e criar um regime do estilo soviético em toda a América Latina. Mas faltou-lhe a competência para conviver com as diversidades, em que se estriba a democracia.
WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina
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