ESPAÇO ABERTO
O ano de 2017 é especial para a devoção católica a Nossa Senhora. É quando se comemoram os 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, tirada das águas do Rio Paraíba do Sul nas redes de pescadores. A história da padroeira do Brasil se mistura com a história, a cultura e a crença de nosso povo. E em Portugal, nos próximos dias, serão celebrados os 100 anos da aparição de Nossa Senhora às crianças de Fátima.
Duas formas diferentes de se rezar à mãe de Jesus e, ao mesmo tempo, muito semelhantes. Isso porque a fé em Maria automaticamente nos leva a Cristo, o único salvador e mediador entre Deus e os homens. Rezar para a mãe é, com carinho materno, pedir ao Filho.
Desde 12 de outubro do ano passado, a Igreja no Brasil vive o Ano Mariano, instituído pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e confirmada pelo papa Francisco, que concedeu indulgência plenária aos fiéis que visitarem, de forma peregrina, penitente e impulsionados pela caridade, a Basílica do Santuário Nacional de Aparecida ou qualquer igreja paroquial do Brasil dedicada à padroeira.
A devoção a Aparecida é particularmente especial. Porque, do mesmo jeito que Jesus escolheu como missionários alguns pescadores da Galileia, a Mãe de Deus escolheu no Brasil aparecer a alguns pescadores no Rio Paraíba, no interior de São Paulo. E, tal qual mais de dois mil anos atrás, há 300 anos a pesca milagrosa se concretizou no grande número de peixes pescados. Dali por diante, a fé e a intercessão de Maria acompanharam tanto os apóstolos de Jesus quanto os brasileiros.
Essa graça, dividida entre os pescadores os da Galileia e os do Rio Paraíba pode e deve ser partilhada entre as pessoas, hoje em dia. E é a mesma bênção que sentem os portugueses, ao celebrarem o centenário de Fátima. Quem já visitou Aparecida, em peregrinação, sabe que em Portugal o clima é o mesmo. O céu azul e o dia claro são característicos do local onde Nossa Senhora apareceu aos pastorinhos Lúcia dos Santos (com 10 anos na época), Francisco Marto (com 9) e Jacinta Marto (com 7), esses dois últimos primos de Lúcia e que se tornarão beatos nesse ano jubilar.
O que une as aparições em Fátima à devoção a Aparecida é justamente o fato de Maria se revelar, tal qual fez e faz Jesus, aos mais humildes: aos pescadores, numa sociedade brasileira colonial de senhores de engenho, de condes e realezas e às crianças, numa sociedade moderna que valoriza o dinheiro e o poder. É aos inocentes e aos puros de coração que Maria se revela, a fim de mostrar o caminho a Deus a quem já perdeu a pureza da fé.
Visitar e peregrinar pelos santuários dedicados a Nossa Senhora é uma experiência de fé fantástica. Faz-nos sentir envolvidos e alimentados no colo da Mãe. Além de Aparecida e Fátima, recentemente tive a oportunidade de visitar o de Nossa Senhora de Guadalupe, na Cidade do México, considerada não apenas a padroeira daquele país, como também a Imperatriz das Américas. Uma devoção pouco difundida aqui pela América do Sul, mas igualmente rica em histórias, detalhes e orações. A mística em torno de Nossa Senhora sempre, independentemente das formas assumidas, nos levam ao centro da fé cristã: o próprio Cristo.
Além de Lourdes, na França, que já é um local peregrino e romeiro dedicado à devoção a Nossa Senhora, outros destinos no mundo têm despertado o interesse de fiéis que buscam conhecer mais as diferentes formas de se rezar a Maria. Na Croácia, por exemplo, o Santuário Nacional de Marija Bistrica, cuja devoção dos croatas remonta ao século XVI. Ou então na Bósnia-Herzegovina, com Nossa Senhora de Medjugorge, aparição mais recente, data de 1981. É a mais famosa aparição mariana do século XX.
A característica mais marcante dos lugares dedicados a Maria, no entanto, é o retorno a seu Filho Jesus. O tema do centenário de Fátima é: "O meu Coração Imaculado conduzir-vos-á até Deus!". Quem sabe nesse ano Mariano possamos nós nos aproximar mais de Jesus olhando o chamado da Mãe que nos quer revelar o amor de seu Filho por nós!
RITA BRAILE é agente de turismo em Londrina
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