ESPAÇO ABERTO
Imagine que você esteja fechado em uma sala qualquer. De repente, alguém, do lado de fora, bate à porta e pergunta: "Há alguém aí?" E você, de dentro, responde: "Não há ninguém aqui". Este é um exemplo de contradição performativa. Quando o conteúdo proposicional "não há ninguém aqui" é enunciado, ele nega a si próprio, considerando, ao contrário do que foi dito, que há alguém naquele ambiente para emiti-lo.
A democracia é regida por princípios inerentes à civilidade. O Ocidente foi pouco a pouco reconhecendo conceitos indispensáveis para que o convívio humano marcado por diferenças culturais, étnicas, religiosas e ideológicas pudesse coexistir de forma a evitar a violência. Tolerância, respeito, reconhecimento da alteridade são condições de possibilidade da própria democracia. Na medida que o espaço público é insultado com discursos que negam estes princípios, gera-se uma contradição performativa. Fazer uso dos meios fornecidos pela democracia para negá-la é, sem dúvida, um contrassenso. E a contradição performativa se impõe como limite da própria democracia. Daí para frente é barbárie.
A postura que evoca a política como campo de guerra, espaço de confronto direto entre amigos e inimigos, vencedores e vencidos, ou luta entre o bem e o mal, tende a gerar uma espécie de contradição performativa. Isso porque a política tem como fim a construção conjunta de um espaço público capaz de albergar uma vida digna. E isso significa respeito às pessoas e, sobretudo, consideração à pluralidade de visões de mundo que convivem no mesmo espaço social. A disposição de relacionar-se com o outro de maneira inteira e com inteiro respeito é a questão fundamental que perpassa a capacidade de viver em uma democracia e projetar o mínimo de civilidade. É, pois, um respeito republicano que convém a qualquer cidadão, impondo-se com mais força àqueles que detêm funções públicas.
Não há como negar que a vida social é bastante conflituosa e, em boa medida, a tensão existente decorre da pluralidade de concepções de mundo, da diversidade de discursos que norteiam assuntos religiosos, científicos, jurídicos, ideológicos, entre outros. Nesse campo, a ação política que não se limita à atuação partidária é pensada em termos de escolhas orientadas por preferências. Democraticamente, todos devem ter a liberdade de se posicionarem no espaço público e de formarem suas convicções a respeito de questões que afetam suas vidas. O permanente conflito que perpassa as sociedades democráticas não pode e não deve ser reduzido ao confronto destruidor, pois isso conduziria a democracia à uma contradição performativa.
É por isso que a política é tão importante, pois em sua arena encontra-se a esperança de gerar vínculos que permitam a construção conjunta de uma sociedade plural não dominada pela brutalidade e menos ainda pela prática covarde do bullying.
A experiência democrática exige maturidade e responsabilidade, algo que não se conquista fora de um autêntico processo educacional. Quando certos atos ferem o respeito à dignidade do outro e o seu direito de fazer uso do espaço público, assistimos não apenas posturas de imaturidade, mas, sobretudo, de infantilismo político. Comportamentos autoritários e truculentos ratificam a necessidade de fazer avançar o debate a respeito da formação de cidadãos autênticos, capazes de conviverem em sociedades plurais e complexas.
Porém, pode ser que uma dia a "Escola sem partido" venha a prosperar. Será quando haverá a produção no atacado de atitudes que hoje são notadas apenas no varejo. E quando esse tempo chegar parafraseando o filósofo Jurgen Habermas será preciso adotar a postura do historiador helenista, apenas preocupado em documentar para a posteridade as promessas não cumpridas de uma cultura francamente decadente.
CLODOMIRO JOSÉ BANNWART JÚNIOR é professor de Ética e Filosofia Política na Universidade Estadual de Londrina
De acordo com dados do último Censo, promovido em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o trabalho realizado pelas mulheres no campo seja como produtoras, agrônomas ou engenheiras - corresponde a 42,4% da renda familiar, enquanto que, nas cidades, esse número é de 40,7%. O levantamento aponta também que elas já chefiam 57,3 milhões de domicílios 38,7% de todas as residências brasileiras.
Segundo uma análise feita pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), que entrevistou mais de 300 mulheres, 88% delas se consideram independentes financeiramente; 57% participam ativamente de sindicatos e associações rurais; 60% possuem curso superior; e 55% acessam a internet diariamente.
Ou seja, os números mostram que as mulheres estão em todos os segmentos de negócios. E, se antes costumavam se dedicar a atividades domésticas, de plantio e roçado, agora muitas dessas brasileiras executam serviços até pouco tempo considerados pesados. Um dos fatores que tornaram isso possível foi a adaptação realizada pelo mercado de maquinários agrícolas, a fim de desenvolver tecnologias mais leves, ergonômicas, potentes e que exigem menos esforço físico na operação.
São tratores para o corte de grama, sopradores, motocultivadores e roçadeiras, que substituem os tradicionais facões, enxadas e outras ferramentas pesadas. Dessa forma, elas conseguem dominar com facilidade o manuseio de equipamentos, seja para aparar a grama de sítios e fazendas, preparar o terreno para o plantio nas zonas rurais ou, até mesmo, para podar árvores, cercas-vivas e realizar outros cuidados nos jardins residenciais.
O mercado de trabalho evoluiu e, nos últimos anos, homens e mulheres se dividem nas mesmas tarefas. Hoje, está cada vez mais evidente que todos estão aptos a realizar as mesmas funções, basta oferecer as ferramentas adequadas. Isso tudo tem mudado também a mentalidade e a maneira de atuar das empresas, que aperfeiçoam desde as técnicas até a estrutura de vendas para que possam se comunicar melhor e atender esse público tão especial.
PAULO FIGUEIREDO é consultor técnico
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