Dia da Água: como lidar com a falta de saneamento básico?

Ter água limpa e saneamento básico é mais que um direito, é sinônimo de qualidade de vida e saúde para a população



Avançamos muito pouco no quesito de saneamento e isso é grave, pois são inúmeros os danos que esse cenário pode trazer à população. De acordo com uma pesquisa realizada em 2015 pelo Instituto Trata Brasil, em parceria com a consultoria GO Associados, 50,3% dos brasileiros têm acesso à coleta de esgotos e, desse resultado, somente 42% dos esgotos são tratados. Diante desses números, é importante aproveitar o Dia Mundial da Água, celebrado em 22 de março, para debater a questão do saneamento básico. É que outro dado significativo apresentado nesse estudo também chama a atenção: em 24 capitais brasileiras, menos de 80% dos esgotos são tratados.

Basta olhar para um dos grandes problemas da saúde pública no momento: a proliferação do mosquito Aedes aegypti e o consequente aumento desenfreado dos casos de dengue, chikungunya e vírus zika. Isso ocorre porque o esgoto a céu aberto se acumula em poças, que se misturam às águas da chuva e se transformam em novos criadouros para o mosquito.

Uma publicação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2002 trata sobre a redução de riscos e promoção de uma vida saudável. O documento diz que efeitos adversos à saúde estão ligados à ingestão de água insegura associada à higiene inadequada e motivadas pela falta de acesso ao saneamento e gestão inadequada dos recursos e sistemas hídricos, sendo que a diarreia infecciosa é o maior fator de contribuição para carga de doenças associadas à água, ao saneamento e à higiene. A diarreia infecciosa é responsável por cerca de 4 bilhões de casos a cada ano. Outras doenças, como a febre tifoide, hepatite A e E, pólio e cólera também são potencialmente causadas pela falta de tratamento da água.

Além das muitas vítimas, o combate a essas doenças também afeta diretamente os cofres públicos, afinal, investir em saneamento e prevenir os danos custa bem menos que cuidar de um paciente internado. Já é de conhecimento que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cada dólar gasto com o saneamento básico representa uma economia de US$ 4,3 com a saúde.

Embora seja uma realidade distante de boa parte da população, algumas soluções químicas são extremamente eficazes para minimizar os níveis de contaminação da água e capazes de contribuir diretamente com a qualidade de rios, lagos, represas e lençóis freáticos. Para auxiliar no tratamento feito tanto por administrações públicas quanto por privadas, empresas nacionais trabalham constantemente no desenvolvimento de sistemas e produtos altamente eficazes e seguros, como o cloro ideal, para desinfecção de águas e esgoto. Soluções à base de cloro já são aplicadas há mais de 100 anos, por exemplo, em estações de tratamento e também em indústrias de alimentos e bebidas. É o meio mais eficaz e barato para prevenir doenças, eliminar parasitas, vírus, fungos e bactérias.

Ter água limpa e saneamento básico é mais que um direito, é sinônimo de qualidade de vida e saúde para a população. Por isso, o Dia da Água deve ser visto como uma oportunidade perfeita para chamarmos a atenção do poder público, da sociedade civil e da iniciativa privada para um dos grandes problemas do País, que necessita urgente de uma solução.

ELIAS OLIVEIRA é gestor institucional da unidade de negócio Sabará Químicos e Ingredientes


Estresse na Terceira Idade



Existe uma estreita relação entre estresse e envelhecimento. Ao contrário do que muita gente pensa, não são apenas as pessoas jovens, no auge de sua vida profissional, que podem ser acometidas desse mal. Muitos idosos estão estressados e nem têm consciência disso.

Vários caminhos podem levar ao estresse na terceira idade, e um deles é o estilo de vida. Na vida, colhemos o que plantamos. Somos os únicos responsáveis pela vida que temos e, se a quisermos saudável, longa e plena de energia, temos de agir desde já!
Vícios, como tabagismo e alcoolismo; hábitos alimentares inadequados, como alimentação rica em gorduras saturadas e açúcares; e até problemas cotidianos, como questões familiares, pressão no trabalho e crise conjugal, são apenas alguns dos inúmeros fatores relacionados ao estresse. Submetendo o seu organismo a esses agentes por um longo período, você estará contribuindo para deteriorá-lo cada vez mais.

Não são os anos de vida que envelhecem um indivíduo, mas sim a carga de estresse a que ele foi ou é submetido, que age implacavelmente, "gastando" o seu "capital" de energia.

Muita gente pensa que se pode repor energia, mas quem que passa por um estresse prejudicial, mesmo que seja submetido a tratamentos e se recupere, nunca voltará a ser como antes. Enquanto se é jovem, um pequeno déficit de energia parece não fazer diferença. Então, a pessoa não percebe, começa a reincidir em situações de estresse e a perda de energia começa a aumentar progressivamente. Isso provoca doenças e envelhecimento precoce.

Quando se fala em envelhecimento, precoce ou não, tem se de falar também em depressão. Envelhecimento, em geral, representa queda na capacidade produtiva do indivíduo, e quando isso acontece, caem também os estímulos e as perspectivas de vida desse indivíduo, que começa a manifestar sintomas, como falta de concentração e de atenção, perda de memória, dificuldade com raciocínio lógico, dificuldade em assimilar novas informações, problemas em simpatizar com novas pessoas, dificuldade de organização, entre outros. Nesse quadro, típico de depressão, a pessoa sofre pela ausência de estresse.

O estresse negativo ou distresse pode deixar o indivíduo menos inteligente, pois as reações químicas provocadas pelo organismo em resposta aos agentes estressores destroem lentamente sua estrutura cerebral, em especial o hipocampo, responsável pela memória (não por acaso, um dos sintomas de estresse é a perda de memória!). Dessa forma, o estresse também pode ser associado à doença de Alzheimer.

Para resgatar a funcionalidade do corpo fragilizado pelo estresse, tudo tem de ser cuidadosamente planejado e aplicado. Alguns caminhos para isso são os alimentos funcionais, a homeopatia e a medicina oriental, que buscam promover a qualidade de vida e realçar o sentido da vida (espiritualidade) nos indivíduos, minimizando, por exemplo, a demanda pelo uso de medicamentos convencionais.

Seguem-se algumas dicas capazes para a sua saúde e qualidade de vida:

Manter-se fisicamente ativo, praticando exercícios de acordo com as suas condições físicas e sob orientação especializada;

Manter-se intelectualmente ativo, cultivando o hábito da leitura e da escrita;

Adotar uma alimentação saudável e de acordo com as suas necessidades;

Investir em novas amizades e cultivar as antigas;

Manter uma ocupação.

Hoje, quantidade e qualidade de vida caminham lado a lado. Para viver mais é preciso viver com qualidade, daí a necessidade de rever conceitos, de avaliar a visão acerca da realidade que nos cerca e de buscar uma reintegração com essa realidade, como meio de alcançar um resultado duradouro e eficiente.

LAIR RIBEIRO é médico cardiologista e escritor



Você já se imaginou sendo o seu próprio chefe?



No futuro todos os trabalhadores serão seus próprios chefes. Ou ao menos a grande maioria será. É o que sinaliza a evolução de um novo modelo que dá independência ao trabalhador, conhecido como Gig Economy, Freelancer Economy ou também chamado de Economia Autônoma.

Neste novo modelo as pessoas podem trabalhar quanto, quando e de onde quiserem. Ao invés de vínculo empregatício, as relações de trabalho passam a ser temporárias e definidas para a execução de projetos e tarefas específicas. Não há mais horário a cumprir e nem mesmo a necessidade de ir à empresa. O trabalhador é quem decide. Em alguns casos, não há nem mesmo uma relação de trabalho, mas sim disponibilização de uma plataforma que conecta o trabalhador ou prestador de serviço, a empresa ou diretamente ao cliente final.

Há inúmeras plataformas digitais no mundo criando oportunidades para as pessoas trabalharem por conta própria, conquistar clientes e desenvolver projetos. Plataformas como a Workana ou Freelancer, por exemplo, geram oportunidades para profissionais de tecnologia, marketing, design, entre outros, se conectarem as empresas que precisam do seu serviço. Outras plataformas, como a TaskRabbit ou a brasileira Get Ninjas, permitem que as pessoas ofereçam seus serviços de assistência técnica, aulas diversas, consultoria, serviços em geral, entre outros, a qualquer um que esteja buscando. Há também plataformas como o Cabify ou o DogHero, que dão a oportunidade para qualquer um ser motorista particular ou um anfitrião de cachorros, cujo os donos precisam de alguém para cuidar de seus bichinhos por uns dias.

Estas plataformas inovam conectando pessoas e criando oportunidades de troca entre quem oferece e quem procura, sendo que o mais valioso é a reputação na rede e avaliação pública dos serviços prestados. Para quem tem uma boa nota, não vai faltar trabalho. Isso é ótimo também para a sociedade, pois contribui para elevar o nível geral dos serviços prestados.

Com os novos modelos vêm a mudança e com ela a resistência. Alguns podem não se encaixar nos padrões regulamentados atuais, gerando o debate entre o reconhecimento do inusitado ou a tentativa de encaixar no tradicional. Como no caso do Uber, por exemplo, quando no último dia 15 de fevereiro, foi divulgada a notícia que um juiz de Belo Horizonte interpretou como vínculo empregatício a relação entre o motorista e a plataforma, gerando massivas críticas e diferentes opiniões na sociedade.

Desta economia sob demanda, também fazem parte as empresas que têm contribuído contratando cada vez mais profissionais para projetos temporários. No final de 2016, o McKinsey Global Institute, uma consultoria empresarial dos Estados Unidos, divulgou uma pesquisa constatando que aproximadamente uma em cada quatro pessoas que trabalham na Europa ou Estados Unidos, estão envolvidas com trabalho independente. Outros estudos preveem que em 2020, provavelmente um a cada três trabalhadores americanos serão independentes. O emprego de carreira tende a ser cada vez menos comum.

Muitas pessoas preferem ser independentes, pois têm mais flexibilidade e são donas do seu tempo. Ao mesmo tempo, é interessante para as empresas, pois já se provou mais eficiente contratar profissionais específicos para alguns trabalhos do que manter times de pessoas que as vezes tendem a se acomodar. Hoje, acredito que as escolhas dos profissionais são feitas cada vez mais pela reputação e o portfólio de projetos desenvolvidos, do que somente pelo diploma.

Em 2016, durante sua campanha presidencial, Hillary Clinton disse em um discurso: "A economia sob demanda, ou a chamada economia gig, está criando muitas oportunidades para as pessoas e destravando a inovação. Mas ela também está levantando difíceis questões sobre relações trabalhistas e sobre o que será considerado um emprego no futuro".

Novas relações, formas de contratar e de trabalhar. Uma mudança grande está acontecendo e pressionando o mundo a se adequar. A economia sob demanda vem demonstrando aumentar as oportunidades no mercado enquanto equilibra relações ao satisfazer tanto o trabalhador quanto o tomador de serviço. Quando a relação é ganha-ganha, a tendência é aumentar o número de adeptos.

E você, já se imaginou sendo o seu próprio chefe?

JORGE PACHECO é CEO e fundador da Plug

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