A escola católica e a Campanha da Fraternidade

Conhecer sobre os biomas é válido, mas aprender como preservá-los e cuidar para que não se extingam vai além da sala de aula

A Igreja no Brasil lançou na Quarta-feira de Cinzas a Campanha da Fraternidade 2017, com o tema "Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida" e o lema "Cultivar e guardar a criação" (Gn 2,15), com o objetivo de chamar a atenção para o cuidado com a vida, destacando os biomas brasileiros.

Alguns se perguntam, "o que a escola pode fazer com a Campanha da Fraternidade? Como inseri-la no currículo escolar?". Por meio dos elementos inculturadores, os educadores podem dinamizar a temática nas sequências didáticas, projetos de investigação e transversalmente no próprio currículo.

A escola católica, de modo especial a escola Marista, assume como projeto educativo todos os anos a Campanha da Fraternidade. Não é mais um projeto que se repete anualmente desde 1964, pelo contrário, as novas temáticas abrem muitas possibilidades de investigação, pesquisa, conscientização e mudança. Não se pode "passar" pela campanha, ou seja, realizar atividades esporádicas fora da vida das crianças, adolescentes e jovens. É necessário encarnar a temática e produzir efeitos na vida dos alunos, educadores e familiares. Toda ação educativa necessita do engajamento do tripé família, escola e aluno. A autêntica transformação da educação precisa do comprometimento de todos os envolvidos no processo.

Unificar conhecimento teórico e prático responde ao "cultivar e guardar a criação". A cada dia surgem novas necessidades da Mãe Terra, a "casa comum", para que a vida seja preservada e respeitada na intrínseca diversidade presente em nosso imenso Brasil.
A campanha nas escolas deve conscientizar e produzir mudanças. Se nada acontecer de novo, não produz fraternidade e defesa da ecologia. E cuidado, não é apenas do "animalzinho de estimação" ou "plantinha de casa"; tudo o que está presente nos biomas precisa ser cuidado, a começar pelas pessoas e demais seres vivos. Ter o espaço educativo bem cuidado e protegido, como as salas de aula, jardins, bosques, é importante, mas o cuidado com as pessoas da comunidade educativa é essencial.

Transformar a vida por meio da campanha passa por simples ações: cuidar e guardar a criação não precisa de grandes projetos, é preciso que cada um faça sua parte para que o todo aconteça. Buscam-se longe formas de preservar a criação, mas a preservação começa nas relações do cotidiano. Quem respeita a planta do pátio e os colegas, saberá respeitar todas as formas de vida dos biomas.

A escola Marista trabalha a integralidade do ser, as crianças precisam do processo ensino-aprendizagem dos conteúdos, mas necessitam também vivenciar e praticar aquilo que aprendem. Conhecer sobre os biomas é válido, mas aprender como preservá-los e cuidar para que não se extingam vai além da sala de aula.

As escolas católicas precisam continuar o profetismo de Jesus. Não apenas denunciar, mas anunciar com práticas efetivas o que pode ser diferente. Se os alunos realizarem pequenos gestos concretos, a fraternidade acontecerá e os biomas brasileiros e a vida serão cuidados e defendidos em todas as instâncias. Quem começa ainda criança a cuidar e preservar será um adulto que fará de tudo para que as formas de vida existentes nos seis biomas brasileiros sejam preservadas.

JOSÉ CARLOS PEREIRA é diretor geral do Colégio Marista Criciúma (SC)


Politicamente correto... – Será??



Nascido nos corredores da Universidade de Stanford, nos E.U.A., nos anos 1980, essa "estupidez" chamada politicamente correto se propagou pelo mundo a fora, exercendo uma pressão dissimulada, perpetrada por minorias que não se sentem representadas na sociedade, para que todo cidadão de bem seguisse a sua cartilha.

Esse movimento se caracteriza pela constante tentativa de calar o interlocutor, não permitir a exposição de suas ideias e, caso ele consiga, o PC cria, para o transgressor, um rótulo pelo qual ele ficará conhecido na sociedade.

Negar o direito do outro de se expressar da forma que considera mais adequada, ou não admitir suas ideias, fere o mais elementar princípio que rege as relações humanas: "Posso não concordar com suas ideias, mas defenderei até a morte o seu direito de expressá-las" .E. B. Hall. Uma das maiores conquistas da sociedade humana foi o sacro direito à liberdade de expressão. Só arbítrios horrorosos como o nazismo, fascismo e comunismo tentaram cercear esse direito inalienável do homem, mas foram silenciados sob suas próprias ruínas.

O PC é praticado por um bando de alienados que te oprimem, te humilham, te impedem de ser você mesmo, desfazem seus círculos de amizades, te colocam contra os te amam e tornam sua vida um inferno. Você tem, sempre, que pensar antes de falar, olhar ao redor, falar baixinho, como se estivesse cometendo um crime. O politicamente correto está transformando o povo brasileiro, alegre e gozador, num povo triste, agressivo e de humor duvidoso.

As redes sociais abrigam os arautos dessa novilíngua, sempre dispostos a corrigir os incorretos, criticar as ideias científicas, e emitir opiniões de falsos sociólogos, sempre antevendo uma significativa superioridade moral. São os novos justiceiros sociais.

Não admitem a crítica; não aceitam a controvérsia; consideram-se os donos absolutos da verdade. Os defensores dessa estupidez são os que se expressam, mas impedem o próximo de se expressar; exigem seus direitos, mas negam o direito do outro; se confrontados, desfiam um rosário de argumentos rasteiros e mesquinhos, tentando impor suas ideias fascistas na marra.

Na obra profética de George Orwell, 1984, ele propõe a novilíngua, na qual, através do domínio da linguagem, dominavam o pensamento e aprisionavam as ideias.

Alguns exemplos: Aleijado – deficiente físico; Cego – deficiente visual; Viciado -dependente químico; Relacionamento homossexual – homoafetivo. Caso você não concorde, recebe um rótulo: uma fobia ou será acusado de "discurso de ódio". Nem o mais experiente psiquiatra conseguiria lidar com tantas fobias: islamofóbico; xenófobo; homofóbico; racista; misógino; fascista, nazista, capitalista, etc.

Se o oponente possuir argumentos fortes, o PC transforma o debate em ataque pessoal, abandona a razão e berra que o discurso do oponente é um discurso de ódio.

Index Proibitorum das marchinhas de carnaval - é isso aí: fizeram uma lista de marchinhas de carnaval que não poderão ser executadas este ano por serem ofensivas.

Isso é verdade! Acredito que, se hoje vivessem os grandes mestres compositores das marchas de carnaval, estariam todos presos: Ataulfo Alves, Geraldo Pereira, Sinhô, Pixinguinha, Dorival Caymmi, Ary Barroso, Lamartine Babo, David Nasser, João Roberto Kelly, J.Piedade, Braguinha e Noel Rosa. Os temas são: gagos, carecas, gordos, gays, negros, negras, mulatos, mulatas... Não perdoavam ninguém. E daí?

Como diz o consagrado jornalista Ruy Castro: "Se o politicamente correto existisse nos anos 1940 e 1950, o carnaval teria deixado de existir.

PAULO ANDRÉ CHENSO é médico em Londrina.

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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