Opinião Atualizado em 26/02/2017, 23:00
ESPAÇO ABERTO
É muito triste andarmos por aí e vermos pessoas desrespeitando regras e leis sem serem devidamente punidas, enquanto pessoas corretas sofrem para cumprirem com toda burocracia existente no sistema. É ainda mais frustrante saber que boa parte dessas pessoas, conhecem a lei existente, mas, simplesmente, a desrespeitam por falta de fiscalização, pois sabem que não serão punidas. É o que chamamos de impunidade legal.
Tome como exemplo o que andou acontecendo no Espírito Santo! Pessoas que não haviam se envolvido em crimes até então "aproveitaram" a impunidade legal para abusar do sistema e cometerem crimes. Um verdadeiro absurdo. Como o Estado não consegue fiscalizar tudo, gostaria de promover a reflexão a respeito de um problema que envolve o cidadão comum, colaborando, e muito, com todo esse contexto. Falo a respeito da impunidade social, mas, afinal, o que é isso?
A impunidade social é a forma passiva de agir da grande maioria dos indivíduos hoje perante injustiças, crimes e ilegalidades ao seu redor. O famoso "fazer vista grossa".
O Estado não consegue e nunca vai conseguir fiscalizar e punir perfeitamente. É imprescindível para o avanço de nossa sociedade que aprendamos a não ficarmos calados diante de situações como essas, sejam de menor gravidade, como o indivíduo que para em faixa dupla ou piores como, por exemplo, venda de drogas.
Que fique claro: não estou sugerindo que coloquemos nossa vida em risco, é necessário avaliarmos caso a caso o que podemos fazer no ato e quais medidas podemos tomar para que os responsáveis sejam punidos. Mas faça algo!
Fato é que nós nos acostumamos à impunidade, ilegalidade e crimes. Precisamos lembrar que eles não deveriam ser parte do nosso dia a dia e que não é certo passar por essas situações "fazendo vista grossa"!
Falem com o responsável quando possível, façam denúncias pelos meios adequados, tirem fotos, filmem, publiquem nas redes sociais, qualquer coisa. Deixemos bem claro que cada um de nós é fiscalizado por todos os demais e teremos uma sociedade bem melhor. Um exemplo bem simples: o entregador de alguma empresa passou dirigindo perigosamente ou furou sinal? Pegue a placa e ligue na empresa avisando. Tenho certeza que a maioria das empresas irá, no mínimo, repreendê-lo.
MATHEUS BICALHO SANCHES é estudantes de Administração na Universidade Estadual de Londrina
Quando chega a época do Carnaval vemos inúmeras pessoas sentindo-se obrigadas a se divertir horrores. Para elas, é preciso curtir, pular, beber, gargalhar desenfreadamente. Não é opcional, mas obrigatório e quem não entra na onda da folia sem limites é porque não sabe se divertir ou é um fracassado.
Bom mesmo, de acordo com muita gente, é festar como se não houvesse amanhã e como se nossa felicidade se baseasse no quanto estamos gozando de uma alegria exuberante. Hoje, o mandamento que muito seguem é: "Terás que gozar!". Uma pessoa que jamais se permite viver a dimensão do prazer será, com certeza, frustrada. Se nada pode e se tudo é proibido isso gerará muitos sofrimentos e "neuroses". Afinal, a vida sem prazer e sem festa torna-se intolerável.
Entretanto, o mandamento obrigatório de ter que se divertir à beça também é torturante e nos faz viver numa prisão. Nesses casos uma pessoa se sente obrigada a mostrar uma alegria escandalosa que não existe, mas que se quer fingir que existe.
Quando a festa é compulsória e exagerada é porque se trata de um desespero que fica oculto atrás de tantos pulos e gritos. Não se enganem. Quem mais entra num delírio de alegria é quem mais está desesperado e quem procura uma forma de compensar esse sentimento de desespero através de excessos: bebidas, comidas, drogas, sexo e declarações insistentes do quanto sabem curtir a vida. Tanto a proibição do prazer quanto o prazer excessivo são sinais de que algo não vai bem, de que se leva a vida ineficientemente.
O budismo acredita que só pode ser feliz quem alcança o caminho do meio, que é equilibrado. Para Buda, as atitudes extremas só oferecem mais sofrimentos e ignorância. A ignorância procura compensações para a vida, o que só leva a enganos. Para a psicanálise quando há obrigação de se gozar é porque já não há mais prazer, mas angústia que precisaria e poderia ser tratada. Caso contrário, o prazer facilmente vira tortura.
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina
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