Opinião Atualizado em 25/01/2017, 00:01
ESPAÇO ABERTO
Com a notícia da separação de William Bonner e Fátima Bernardes e de Brad Pitt e Angelina Jolie a internet veio abaixo com incontáveis comentários. Chegou a ser o assunto mais comentado nas redes sociais. Afinal, por que essas separações mobilizam tanta gente se há inúmeros outros casais, ao nosso lado, que estão se separando sem gerar tanta curiosidade e agitação? O que será que o fim desses relacionamentos causam? Penso que nesses casais celebridades acabamos depositando muitas ilusões e fantasias e, quando um desses casamentos terminam, é justamente nossas ilusões que sofrem um golpe. Abrir mão de uma fantasia é sempre doloroso. O problema está quando não encaramos o casamento sob uma ótica real, mas obrigamos que ele seja algo perfeito e digno de qualquer conto de fada. Se alguém não vive esse casamento idealizado (ninguém vive), tende a fantasiar sobre o casamento dessas celebridades que parecem ser perfeitos. Quando estes terminam nossas ilusões ficam feridas e tememos nunca vivenciarmos a perfeição que insistimos em acreditar. É mais do que natural casamentos terminarem. Frequentemente o que uniu um casal perde sentido ao longo da vida porque as pessoas mudam e as expectativas de cada um se transformam. Ninguém precisa e deveria permanecer casado se não há sentido nessa relação. Não há como forçar a barra, senão o custo pode ser uma vida infeliz. E viver infeliz não é um preço válido a pagar. Muitos são os que se mantêm casados mesmo quando um já está odiando o outro. Esperam que vai melhorar no futuro e com isso vão se destruindo e geralmente levam os filhos juntos nesse abismo. Os filhos necessitam de pais que estejam bem e não necessariamente que estejam casados. Exigimos que os casamentos sejam perfeitos e que as pessoas não mudem. Todavia, aceitar que a separação pode em determinados casos ser um bom negócio é importante. Entretanto, é difícil se separar porque toda separação implica em realizar um trabalho de luto. Isso demanda maturidade para que a elaboração do fim de um relacionamento seja digna e não caia em mais feridas e falta de respeito. Quando aceitamos abrir mão das ilusões podemos tolerar que a perfeição não existe e aí sim viver de verdade um casamento possível.
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina
A Organização Mundial de Saúde define saúde como um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Por si só, essa definição põe por terra algumas arcaicas discussões sobre a pertinência ou seria impertinência para uns tantos? de se falar, tratar, cuidar, praticar, promover a saúde mental. É fato, pois, inquestionável, indiscutível, inarredável que não existe saúde geral, se a saúde social, mental e física não estiver em equilíbrio. E nesse trinômio físico, mental e social a relevância da saúde mental parece evidente, pois quando não se é capaz de sentir plenamente e de pensar claramente, não se consegue decidir com propriedade acerca de si, dos outros e das circunstâncias que nos inscrevem e circunscrevem. O que, por consequência, nos impede de agir com responsabilidade plena em relação à saúde em geral, mais, em relação à vida. Nesse sentido, promover a saúde mental é responsabilidade de cada um e de todos nós. Essa é uma questão de saúde pública, é um valor coletivo e, como tal, implica necessariamente o acolhimento indiscriminado, a informação correta, a promoção constante, a prevenção ampla, o tratamento adequado, a reabilitação segura. O caminho da reclusão, da alienação, da exclusão, da discriminação daqueles considerados doentes mentais é, seguramente, o caminho de uma sociedade injusta, desequilibrada, desonesta e incivilizada. Por fim, cabe, ao menos uma reflexão: na nossa sociedade em que a drogadição ilícita é largamente consentida e a lícita cada vez mais incentivada, há que se perguntar quem são, de fato, os doentes mentais? Esta reflexão e o desafio que ela impõe já começam a ser bravamente enfrentados pela campanha Janeiro Branco, que merece não só nossa acolhida, mas, sobretudo, nossa irrestrita adesão na medida em que trata das necessidades de saúde mental de todos nós.
ROVENA PARANHOS é coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Arthur Sá Earp Neto (FMP/Fase) em Petrópolis (RJ)
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