Opinião Atualizado em 04/01/2017, 00:01
ESPAÇO ABERTO
Quando assumi a Secretaria Municipal de saúde de Londrina, em outubro de 2015, a cidade estava infestada de Aedes. O índice de infestação Lira naquela data era de 7,9% (lembrando que é seguro até 1% e que acima de 4% significa risco de epidemia). Chamamos atenção da cidade para estes dados e foi desencadeada uma intensa operação de combate ao mosquito. Carreatas, multas, atividades escolares, ações educativas de comunidade, envolvimento de entidades, empresas e instituições, engajamento sério e responsável da imprensa, reuniões comunitárias, mutirões, informes em igrejas, "Dias D" nos dias 9 de cada mês, etc.
O mosquito começou a ceder. O Lira de janeiro de 2016 ainda subiu a 8%, já menor que o mesmo índice um de ano antes, mas ainda muito alto. E daí para frente começou a cair. Foi de 2% em abril, 0,3% em julho (o menor Lira de Londrina desde há muitos anos) e chegamos no 4º Lira, em final de outubro de 2016 e início de verão, com um patamar muito bom para o histórico de Londrina: 1,4%. O impacto desta derrubada da infestação do mosquito, manifesta-se claramente no comportamento da doença dengue entre nossa população em 2016. No primeiro semestre daquele ano chegamos a ter momentos com mais de 500 casos confirmados por semana, ficando numa faixa de 150 a 300 casos por semana, em média.
Chegamos a ter dois óbitos por dengue na cidade no primeiro trimestre do ano. No entanto, como consequência do efetivo combate ao mosquito, seguido da visível queda dos índices de infestação detectada nos Liras de abril, julho e outubro de 2016, nós estamos, desde agosto último, registrando uma média que chega a, no máximo, 2 a 4 casos confirmados de dengue por semana!
Ao todo foram confirmados 5.160 casos de dengue em 2016, dos quais apenas 84 casos são do segundo semestre e sem nenhum óbito. Isto comprova que se derrubarmos a presença do mosquito em nosso meio, nós derrubamos também a doença. E no caso, não só a dengue, como também o zika vírus e a chicungunha. Acredito ter sido esta a maior vitória da saúde pública de Londrina em 2016. Agora, é manter a atenção, segurar os índices de infestação nos patamares deste início de verão, que em 2017 teremos uma taxa de incidência muito baixa de doença e, o melhor de tudo, sem nenhum óbito.
GILBERTO BERGUIO MARTIN é médico sanitarista e ex-secretário municipal de Saúde de Londrina
Vivemos pequenas necessidades que se transformam, a cada dia, em grandes desafios, principalmente quando nos deparamos com o cenário político.
O ano de 2016 ficou marcado por diversas manifestações populares, brigas partidárias e ideológicas, é uma situação atípica. Inevitavelmente, houve a troca do chefe do Executivo, a então presidente sofreu o processo de impeachment, que não teve a integralidade do impedimento como sanção e parece que o processo serviu para só dizer sobre sua inaptidão ao cargo que ocupou por cinco anos. O vice assumiu e as coisas não melhoraram, é como se a fórmula mágica tivesse falhado e voltamos a falar trocar de presidente. Novamente há agitação nas redes sociais, mas agora a direita e a esquerda parecem convergir.
As pessoas têm aguçado o senso crítico e estamos prestes a deliberar por um senso comum, que nos remete à mesma resposta: erramos! Sim, erramos, mas não no voto. Apenas não demos importância àquilo que realmente merecia, falhamos com Aristóteles quando nossa democracia já não é aquela que tem a igualdade por fundamento. Admitimos, sem resistir, que tanta coisa prejudicial tomasse forma de lei, é hora de mudar, de reprogramar o Estado através da participação ativa e da deliberação.
O momento não é de ocupar a escola, mas de transformá-la em local de conhecimento e de produção de cidadãos comprometidos com um futuro melhor, respeitando os professores e dando-lhes autonomia e liberdade para ensinar. A oportunidade não é para lutar por direitos trabalhistas não que não sejam necessários , mas é momento de acabar com a rivalidade de classes e buscar a defesa da geração de empregos e riquezas que possam ser distribuídos de forma igualitária.
Sobre o Congresso Nacional, esperamos que alguns se salvem, pois de resto, a preocupação com o povo parece cada vez menor e, com anistia ou não, que perpetue a nossa memória e a reflexão seja feita por meio do voto e da fiscalização. Que as manifestações populares cresçam cada vez mais, pois essa é a essência do Estado Democrático.
VINÍCIUS ALVES SCHERCH é advogado em Bandeirantes.
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