Primeira infância e o futuro

Uma pesquisa da Universidade de Harvard, que trata da necessidade de melhora da educação das crianças, aponta que 87% do tamanho definitivo do cérebro é constituído até os três anos de idade. Assim, o estímulo a essa capacidade deve se dar desde cedo: estima-se que, até os quatro anos, a criança desenvolve mais da metade do potencial mental do adulto. Outro levantamento internacional, do Hight Scope, aponta que para cada 1 dólar investido em educação há uma economia de 16,4 dólares com doenças, pobreza e criminalidade. Para além de chamar a atenção dos governos, esses dados servem de alerta aos pais que procuram uma escola para os seus filhos pequenos. A ideia de que a "escolinha" serve apenas para deixar a criança enquanto os pais trabalham deve ser extinta. A educação infantil, na verdade, deve ser um espaço de convivência, brincadeiras, participação, exploração e de ferramentas para que a criança encontre a melhor forma de se expressar e de se conhecer. Assim, os pais devem observar se a escola estimula os pequenos a desenvolver a autonomia, a criatividade e o trabalho em equipe. Atentos a esse cenário, até mesmo algumas empresas estão investindo em locais para que os funcionários possam acompanhar mais de perto o desenvolvimento dos filhos na escola. Na Bosch, em Curitiba, por exemplo, desde o início do ano, funciona nas dependências da empresa um centro de educação infantil, que atende cem crianças, de seis meses a cinco anos. A evolução da ciência e das pesquisas já nos fez ver que o futuro depende de mais investimentos na primeira infância. Os passos seguintes da escolaridade, desde o ensino fundamental até a universidade, dependem, e muito, dos estímulos dados nessa fase da vida. Por isso, no momento de fazer a matrícula, é crucial estar atento à metodologia. Afinal, o desempenho das nossas crianças também está diretamente ligado a taxas de produtividade, renda, violência e outros indicativos de desenvolvimento econômico e de qualidade de vida do país.

LILIAN LUITZ é psicopedagoga especialista em desenvolvimento pessoal e familiar e gerente do Colégio Sesi.


Presentear o Menino Jesus



O Natal é um período mais propício para a reflexão e a reconexão com a chama do amor universal. Vamos então renascer para um tempo novo e abraçar o maior número de pessoas, com sentimento fraternal e não por mera formalidade. Lembrar que a festa natalina rememora o nascimento de Jesus. Fantasiar-se de Noel para um emprego temporário de quem necessita não é um mal, mas não se pode substituí-lo pelo Menino Jesus e pelos presépios em nossas casas e nos shoppings. Não devemos permitir que o mercantilismo nos subjugue e que o balanço do Natal seja medido pela estatística das vendas no comércio. Devemos, sim, medir o resultado da festa natalina por quantos cumprimentos amorosos, por quantos pedidos de desculpa, por quantos perdões, por quantas palavras de conforto e quantos sorrisos temos dado a quem deles tenha precisado. Certamente que, com o olhar e a mente mais voltados para um presépio e o que isto representa, os comerciantes venderiam mais e teriam menos insucessos. Jesus, do lugar onde hoje se encontra, nos contempla com suas bênçãos se o reverenciarmos e nos lembrarmos dele, eis que a mente e o sentimento favorecem essa conexão, mas um deus pagão nada pode nos dar. No Natal e em qualquer época, a mente e a coração voltados para o Alto nos santifica e toca a fonte da prosperidade e de todas as boas coisas. Podemos presentear as pessoas - e presentear também as nós mesmos; nos reunir na ceia de Natal, mesmo que tantos não possam tê-la por sofrerem nos hospitais e presídios ou não tenham ninguém por companhia; podemos rir, cantar e curtir com doce lembrança a saudade dos nossos queridos que já não estão presentes, mas com o olhar voltado para os benfazejos coirmãos dos planos mais altos, que nos auxiliam nesta trajetória terrena. E agradecer sempre pelas dádivas da vida, apesar das tribulações. Neste Natal vamos atenuar os ímpetos do nosso ego inferior, porque ele robustece as nossas imperfeições; abrir os portais do coração e ampliar o horizonte de nossa visão física e espiritual, para assim enxergarmos mais nitidamente as virtudes humanas e nos sintonizarmos com as fontes onde a Suprema Providência armazenou e nos disponibilizou todas as graças.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

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