Secretário de educação: quem se candidata?

O prefeito eleito de Londrina, Marcelo Belinati (PP), está fazendo um processo seletivo para escolher o futuro secretário municipal de Educação. Com a seleção, que será feita pelo Instituto Vetor Brasil, Belinati quer encontrar um profissional com perfil inovador, com conhecimento do setor de educação nacional e que faça projetos capazes de atrair recursos das esferas estadual e federal.
Segundo ele, "quer um secretário dinâmico, proativo, com um vasto conhecimento, que dialogue com todas as áreas e servidores, mas que seja uma pessoa que esteja constantemente buscando recursos para Londrina através de projetos. Não quer fazer o que todos os prefeitos anteriores já fizeram, quer inovação". Diz ainda que o objetivo é ter uma educação de qualidade. Por isso, a escolha será por meritocracia e não por indicação. Vai contratar uma pessoa competente e qualificada. O novo secretário ficará encarregado de administrar um orçamento da ordem dos R$ 396 milhões e irá gerir quase 5 mil funcionários. O candidato selecionado receberá uma remuneração em torno de R$ 9,7 mil e assumirá o cargo no início da próxima legislatura, no dia 1º de janeiro de 2017. A pergunta que não quer calar é: um profissional dinâmico, pró-ativo, qualificado, competente, com vasto conhecimento na área de educação, conhecedor de todas as fontes de recursos públicos, que possam ser trazidas para o município, que irá gerenciar uma Secretaria com quase 5 mil servidores vai se sujeitar a receber menos de R$ 10 mil por mês e somente por 4 anos? Quero crer que um candidato com todas essas qualificações tem vaga garantida por tempo indeterminado em inúmeras outras empresas da área de Educação, especialmente no eixo Rio-São Paulo, e dificilmente teremos um candidato com esse perfil sendo o novo secretário da Educação de Londrina. Embora a intenção seja boa, não acredito que poderá haver sucesso. Vai que dá certo!

JOÃO MASSARUTTI é professor em Londrina.




Nem tudo como Trump quer

Até por ardilosa estratégia, Donald Trump poderá se revelar um bom governante. Porque ele pode ser irreverente, pela conveniência de agradar os simpatizantes de causas idênticas, mas não é nem tolo e nem ingênuo. Homem de negócios, rico e sagaz, ele é um arquétipo dos anseios de vida dos americanos, destacadamente a classe média, mas uma vez no poder terá de ir se curvando à realidade da aldeia global. Trump não poderá fugir dos ideais do seu Partido Republicano, que defende a política do livre comércio com os países, ao contrário do que ele tem manifestado. Ou o partido se adapta a ele - o que não deverá acontecer com toda a plenitude - ou ele se adapta ao partido. Os EUA têm policiado o mundo, mas o mundo também vigia os norte-americanos. Ele fala em suspender alguns acordos comerciais (e outros) celebrados por Barak Obama, mas empresas americanas estão em todas as partes do mundo, e onde ele arranjar encrencas, ali terá de enfrentar os interesses delas. Não vai ser tudo como ele quer mas como for possível.
Ao menos Trump não é um guerreiro e intervencionista, mas é certo que combaterá com força o terrorismo. Ele despreza a preservação ambiental, defende a diminuição dos impostos, o porte de armas pelos civis, e, conforme a agenda do partido, é contra a legalização do aborto, e este é um bom sinal. Mesmo dispondo da maioria nas duas casas do Congresso, isto não quer dizer que não terá oposição, porque ele fez adversários entre seus pares e não pode ignorar os democratas. Sim, ele provavelmente buscará mandar de volta os imigrantes irregulares, que somam 11 milhões, e dificultará a entrada de novos, argumentando que eles roubam empregos de patrícios nos EUA. E se Donald Trump não é imigrante, é filho de pai imigrante alemão e de mãe escocesa. Sua atual mulher, a ex-top model Melania, 24 anos mais nova - bonita, hoje recatada e do lar... nasceu na Iugoslávia. Ivana, sua primeira mulher, era checa. Pessoas que os EUA acolheram. A partir de 20 de janeiro Donald Trump será uma espécie de rei do mundo, e todas as atenções e olhares, inevitavelmente, estarão voltados para ele.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina.

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