Gestão pública: compromisso do cidadão
Jairo Martins


No ranking de competitividade apresentado pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil ocupa a 81ª posição, pior desempenho desde 1998. No relatório, entre os principais fatores para a queda brasileira estão a atual conjuntura política e as questões estruturais do País. Entramos na recessão econômica por conta da má gestão dos recursos públicos e o que mais presenciamos nos noticiários é a crise política instaurada.

Todos sabemos que a gestão pública tem vários entraves, mas cabe à liderança política escutar a sociedade e seus questionamentos. Da mesma forma, o cidadão deve participar da vida pública da cidade, mesmo que o seu candidato de preferência não seja eleito. É preciso ser crítico também em relação à implantação dos planos de Estado, que devem ter continuidade, independentemente da orientação partidária, como saúde, educação e segurança.

O projeto "Adote um Vereador", do jornalista Milton Jung, convida voluntários a fiscalizar, visitar o gabinete, além de publicar informações sobre o vereador escolhido. Além disso, é exigida transparência das contas públicas para que a sociedade tenha acesso aos gastos de cada obra ou bens adquiridos.

Um ótimo exemplo de fiscalização pela sociedade civil é o trabalho dos observatórios sociais. Os grupos voluntários acompanham da licitação até a entrega do produto ou serviço, de modo a agir preventivamente no controle orçamentário do município. Além da implementação de leis municipais e ações de melhoria da cidade, é necessário observar os resultados por meio de indicadores - acidentes, atendimentos, ocorrências. Só é possível avaliar se uma medida surtiu efeito por meio de medições. Sem processos estruturados, gestão eficiente e capacitação das secretarias da prefeitura, não é possível tornar uma cidade competitiva. O trabalho é de todos, órgãos públicos e cidadãos. Afinal, o Brasil é a nossa tarefa.

JAIRO MARTINS é presidente da Fundação Nacional da Qualidade

Ouvir as vozes do santuário interior
Walmor Maccarini


Os que dão ouvido também às vozes de seu santuário interior podem encontrar facilmente as respostas que buscam, mais que aqueles que apenas as ouvem de fontes externas. Estes podem enganar-se, mas aqueles não incidem em equívocos, porque o que lhes fala é a voz que emana da própria essência. Pode-se entendê-la como a voz da alma, que se manifesta pela intuição e é conectada ao Espírito Universal. É um comodismo reger a vida tão-somente pela palavra que chega pronta, especialmente no caso das religiões. Dessa forma, bloqueia-se a faculdade do próprio pensar e do livre descobrir, que pela falta de uso se atrofia.
À medida que são abertos os portais, mais o campo das percepções se amplia, e assim a marcha evolucionária avança. Os sistemas sedimentados de certas doutrinas religiosas são limitadores em muitos pontos, porque formatam as mentes novas e consolidam as adultas e velhas, não permitindo buscas além do que estabelecem seus fundamentos. Estes são resultantes das interpretações subtraídas dos seus livros-guias, que, se encerram valiosos ensinamentos, são palavras dos homens, com diferentes entendimentos e também equívocos e contradições. Veja-se que para os hebreus que escreveram o Velho Testamento, Deus é capaz de ira, de impor castigos e a quem se deve temer; já o Novo Testamento, pela palavra de Jesus, fala de um Deus compassivo, de amor e misericórdia.
Legisladores eclesiais criaram normas e delas se servem e as difundem, e assim o uso as cristaliza, porque os fiéis tendem a ouvir e aceitar, sem questionar, mesmo que tenham tantas dúvidas. E se, eventualmente, lampejos de clarividência os assomam, contrariando o que lhes ensinaram, imaginam que forças demoníacas os estejam assediando. Isto retarda o avanço espiritual. Sim, as religiões têm servido para robustecer a convicção dos fiéis na existência de um poder superior, mas os guias eclesiais deveriam deixar que a verdade entre na alma deles e permitir-lhes a busca também em outras fontes. Porque delas poderão ser extraídas preciosas revelações, muitas já latentes em cada um, e assim alargando os caminhos da libertação.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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