Novos cursos de Medicina
Paulo Afonso Magalhães Nolasco


Notícia publicada na Folha de Londrina no último dia 3 informa a criação de novos cursos de Medicina Brasil afora. Com esta notícia vem as informações que preocupam. A completa falta de estrutura das faculdades, o que causa apreensão nos responsáveis pela fiscalização da boa Medicina que ainda se pratica no Brasil. Nota-se que a questão é a mesma que envolve os cursos de Direito. A criação indiscriminada de cursos de Direito pelo Brasil, atendendo a interesses de políticos causou e continua a causar sérios problemas em relação a esta honrada profissão. São despejados "formados" em quantidade absurda que não têm as mínimas qualificações para o exercício da profissão. A OAB faz a fiscalização possível para tentar aferir a capacidade desses cidadãos, oriundos de faculdades sem qualidade. O exame de Ordem, odiado por egressos dessas faculdades e abominados por políticos demagogos, é o único meio de aferir as mínimas condições profissionais para esses recém-formados. E é só isso. Não exige nada mais do que o trivial que um advogado deva saber. Observa-se que a Medicina vai para o mesmo caminho no Brasil. A preocupação é notada pelas manifestações de conselhos de Medicina, país afora. Ao que se vê, a Medicina em breve estará no mesmo padrão da advocacia, formando bacharéis, depois de algum tempo de exames de Ordem, advogados, depois concursados ou professores por não terem mercado profissional. O exame de Ordem na Medicina, será o único remédio que restará ao Conselho Federal de Medicina para aferir as mínimas condições técnicas dos profissionais da Medicina, se não se adotar uma posição firme definitiva quanto a esta política demagógica. Logo, se se permitir a criação indiscriminada de cursos de Medicina no Brasil, acontecerá como aconteceu com o Direito. O país que mais tem faculdades de Direito no mundo! O resultado está aí.

PAULO AFONSO MAGALHÃES NOLASCO é advogado em Londrina

O lucro que não interessa
Bernardo Paiva


Quando falamos que não nos interessa o lucro da venda ou consumo indevidos das nossas cervejas – ou seja, em excesso, por menores de 18 anos e ainda associado à direção – pode soar contraditório. "Como assim? É lucro." A gente não quer. Empenhar-se para que o produto que você cria e vende não prejudique a sociedade é firmar um contrato vitalício de cuidado e atenção. A cerveja faz parte do cotidiano de nós, brasileiros, há mais de cem anos. Queremos continuar a estar nas mesas de almoço de família, festas, churrasco, happy hour e em momentos de confraternização. Quando consumida indevidamente, a bebida alcoólica é capaz de causar prejuízos indiscutíveis. Não adianta esperar de braços cruzados ou advogar pela redução do consumo exagerado sem adotar medidas concretas. A alteração dessa realidade só é possível com o engajamento de diversos setores da sociedade, como o setor de bebidas, dona de um grande potencial para disseminar mensagens e unir as pessoas. Trabalhar com firmeza e de forma constante para o consumo de forma inteligente é da nossa conta. Decidimos assumir metas nessa área. Entre os compromissos, está o aumento da participação de produtos não alcoólicos ou com baixo teor de álcool no volume total de vendas para 20% até 2025; o investimento de, no mínimo, US$ 1 bilhão em programas de conscientização; a escolha de seis cidades no mundo para trabalhar iniciativas que possam reduzir o consumo irresponsável em 10%; e também enfatizar a comunicação do tema nos rótulos das nossas cervejas. Estamos comprometidos para alcançarmos essas metas, que são um importante passo em defesa da cultura da moderação. E renovamos nosso compromisso anualmente no Dia de Responsa, data em que paramos toda a companhia para sair às ruas promovendo o consumo responsável.
Acreditamos no trabalho em rede, unindo empresas, órgãos públicos, instituições não governamentais e sociedade em um objetivo comum: o consumo inteligente de bebidas alcoólicas. Isso é da nossa conta.
BERNARDO PAIVA é presidente da Ambev

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup