Ótimas expectativas para a safra de trigo
Rafael Gai


Com uma produção estimada em mais de cinco mil toneladas em 2015, de acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), este ano, a safra de trigo no Brasil se inicia com ótimas expectativas em relação às condições climáticas devido à La Niña. Dentro de um programa de rotação de culturas, o trigo tem sido uma das alternativas para o cultivo de inverno, e a região Sul do Brasil é responsável por cerca de 90% da produção tritícola. No entanto, nos últimos anos, algumas dificuldades foram enfrentadas pelos produtores, como o clima e questões fitossanitárias, que comprometeram a produção e a qualidade do produto final, resultando na queda dos preços. As manchas foliares são causadas por fungos e têm sido, ao lado da ferrugem, uma das principais doenças da cultura. Seu aumento está diretamente ligado ao uso de sementes infectadas e à monocultura, podendo trazer prejuízos de até 80% na produção final. As principais medidas para combater as doenças do trigo são: a realização de rotação de culturas, o uso de cultivares com resistência genética e a escolha e aplicação correta do fungicida. A combinação desses métodos reflete diretamente na sanidade da cultura e, consequentemente, no aumento da produtividade. Uma pesquisa realizada em Passo Fundo (RS) pelo professor Erlei Melo Reis demonstrou a eficiência do fungicida composto por epoxiconazol e cresoxim no controle de manchas foliares em trigo na última safra. Assim como as manchas foliares, a ferrugem da folha (Puccinia Triticina) também pode causar prejuízos de até 80% na produtividade. A doença pode se manifestar desde o surgimento das primeiras folhas até a maturação da planta, e se desenvolve melhor em temperaturas amenas (15°C a 20°C), umidade relativa alta e molhamento foliar de 4 a 6 horas. Medidas preventivas, como o uso de cultivares tolerantes, controle químico com triazol, estrobirulina e protetores, somadas às boas expectativas de clima, irão proporcionar ao produtor de trigo uma boa safra este ano.

RAFAEL GAI é engenheiro agrônomo de desenvolvimento de mercado de uma empresa de agroquímicos de Londrina




Dilma, uma entre os comuns
Walmor Maccarini


Sim, foi um arranjo vergonhoso e uma afronta à Constituição não haverem cassado também os direitos políticos de Dilma Rousseff, mas ela livre e solta por aí não oferece perigo algum. Mesmo que por medida torta, foi até bom permitir-lhe esta liberdade, porque assim ela mesma se encarregará de anular-se de vez. Certamente, continuará por algum tempo seu discurso beligerante e proclamando que foi vítima de golpe, mas ela é tão escassa de argumentos que, em poucas semanas, poucos se lembrarão dela e até a evitarão. Se ela incorporar a estratégia petista, mais se prejudicará, porque o PT vive a agonia da morte lenta, e se Dilma imagina que se converterá numa liderança, equivoca-se. Nada mais resta do partido, a não ser a lembrança de seu legado sinistro de desmandos e corrupção. Os poucos manifestantes vivem seus dias de ressaca e ainda cometerão badernas nas ruas, mas falta-lhes ideal e inteligência política, e por isso não se sustentarão. Secou-se a vertente do poder e o partido já não tem líderes capazes de promover a mobilização do que resta da militância e da esquerda festiva. As cabeças mais expressivas do PT no Congresso não se arriscarão doravante a erguer bandeiras do partido, porque temem a resposta das urnas nas eleições parlamentares vindouras. E os agora candidatos petistas a prefeito e a vereador já nem ostentam a sigla. O lamentável e entristecedor é que, mesmo que se vinculem a outras facções, os políticos no geral - salvando-se poucos - continuarão os mesmos... Não há que temer as ameaças de Dilma feitas após o episódio do impeachment, porque aconteceram em momento de ânimos exaltados e ela ainda estava companhada por seu séquito barulhento, aparentemente conferindo-lhe força. Ela tem tiro curto e seu discurso é de pouca consistência. Já desacreditada que era quando no poder, imagina-se agora! Dilma tem carregado o estigma de envenenar a si mesma, pela ira que demonstra e que lhe é inerente, atestando o que seus próximos falavam acerca de sua irreverência e agressividade quando assentada no trono presidencial. Mesmo que eventualmente ainda se eleja para algum cargo público, ela será apenas mais um entre os políticos comuns.

WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina

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