Impeachment não é tábua da salvação
Reginaldo Gonçalves


Os nove meses que se estenderam, onde ficou evidenciada a desconfiança política e econômica generalizada, com o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, além do desmantelamento dos partidos de esquerda, e total descontrole governamental, ainda estão longe de chegar ao fim. A quebra de confiabilidade com os desvios de finalidade e a briga entre os poderes prejudicou sensivelmente a economia, demonstrando a incapacidade dos políticos de assumir uma postura no mínimo coerente com suas propostas. Os estragos causados por um cenário interno de incertezas e prejuízos no parque industrial em decorrência do medo e do baixo consumo, arrastados pelo endividamento da população, com a queda no crescimento medida pelo PIB e a crescente massa de desempregados, minimizaram o crescimento do País. Embora tenhamos vivenciado há pouco o "desfecho do caso", é importante ressaltar que, a posse de Michel Temer na Presidência, pelo menos até o momento, não representa nenhuma recuperação à economia e à geração de emprego, uma vez que, pairam dúvidas sobre a legitimidade do seu governo que carece de um apoio mais pontual do Congresso. E a população espera uma mudança radical da economia com um crescimento acentuado e a uma rápida recuperação do emprego, infelizmente a situação tende a não ocorrer dessa forma. Para virar o jogo, o governo deverá mudar de postura e pensar cortar gastos, promover reformas profundas no sistema previdenciário e deixar de se curvar diante dos aumentos elevados no funcionalismo público. Para que a confiança possa ressurgir, desaparecendo de vez o latente cenário negro, com a retomada dos investimentos externos, que consequentemente impactarão o PIB e a retomada da empregabilidade, é fundamental que medidas como redução dos juros e investimentos em infraestrutura, sejam pautas urgentes e prioritárias. A tábua da salvação do cenário econômico, ainda pode estar longe da terra prometida. Ninguém suporta uma taxa de juros tão alta, que, em grande parte não é do consumo.

REGINALDO GONÇALVES é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina em São Paulo




A comunicação dos agroquímicos
José Luiz Tejon Megido


O monitoramento de redes sociais passa a ser fundamental na gestão de todo agronegócio e de setores do agro. Um relatório da NetNexus, que monitora todo o agronegócio nas redes sociais, revela que 84% das reverberações sobre agrotóxicos são negativas. Estas refletem a medição de menções ao agro referentes à última semana, e dentre elas se destacam, por exemplo, um estudo da Universidade do Ceará que atribui o aumento de casos de câncer em jovens que foram expostos aos agroquímicos, outra sobre aves na Antártica com a presença de pesticidas no sangue, e uma publicação do Ministério da Agricultura e Pecuária que mostra os Estados mais contaminados do Brasil.
Muito bem, há três semanas os agrotóxicos contavam com 83% de reverberações negativas e na penúltima a proporção aumentou para 84%. O único aspecto positivo nas redes sociais sobre os agrotóxicos foi a notícia que coloca Minas Gerais como o estado que possui o maior número de centrais para recolhimento de embalagens de defensivos.
O que você faria se sua categoria de negócio estivesse classificada com 84% de reverberações negativas nas redes sociais? Está na hora dos dirigentes das empresas agroquímicas compreenderem que, ou se comunicam ou tomam uma iniciativa institucional educadora e de diálogo com a sociedade. Caso contrário, essa negatividade toda pode sim, ser um câncer legítimo contra o setor, e uma mácula para a imagem do agronegócio brasileiro como um todo.
Está na hora do setor agroquímico, como prefiro chamar, aprender e saber se comunicar com a sociedade em geral, pois sem agroquímico não faremos agrocomida, agroenergia, agrofibras, agroproteínas e hortifruticultura.

JOSÉ LUIZ TEJON MEGIDO é conselheiro fiscal do Conselho Científico Agro Sustentável

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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