ESPAÇO ABERTO
Inflação e alta de juros
Reinaldo Martins Siqueira
Os economistas e políticos brasileiros continuam errando no básico. Literalmente "matando o paciente" por erro de diagnóstico. Também, boa parcela dos empresários brasileiros peca por não entender que, se um produto está vendendo bem, existe então um ganho de escala, ou seja, com o aumento das vendas os custos de produção tendem a cair, então o ganho passa a ser bem maior. Desnecessário subir preços. Em alguns casos é pura ganância, em outros, pura burrice. Manter preços estáveis é salutar para todos desde a indústria até o consumidor final. Aumentando-se os juros tiramos do consumidor o poder de consumir mais, do empresário, o poder de produzir mais. Aí, vem o desemprego, a falta de dinheiro e mais queda de consumo e de arrecadação. É a recessão alimentada por políticas equivocadas.
O mercado tem as suas próprias leis, se existe queda de vendas, parte-se para promoções e redução de preços. Se os preços sobem e mesmo assim as vendas continuam fortes, é sinal de que existe espaço para isso e, com certeza, novos concorrentes irão entrar no mercado, equilibrando os preços e dividindo espaço.
O governo deve sim monitorar o mercado e, se tiver que intervir na economia, que o faça de forma pontual, não como faz hoje, penalizando todos. Subir juros é uma burrice, só quem ganha com isso é o sistema financeiro, ninguém mais. Quando se fala em meta de inflação de 5% ao ano, os bancos cobram juros de 10% ou 15% ao mês, é um verdadeiro caso de polícia! E o governo nada faz em relação a isso. Juros baixos estão diretamente ligados a aquecimento da economia, a investimentos em ampliações de parques industriais, em mais empregos, mais rendas e, consequentemente, maior arrecadação. Mas, não sei por que, aqui no Brasil tudo é diferente. Abra-se o mercado, deem condições para que novas empresas aqui venham concorrer, impeçam fusões de empresas que reduzem quadros e monopolizam o mercado, pratiquem uma política estável, entendível, com carga tributária justa, e assim teremos um país maior e melhor. Precisamos de muito pouco para isso, basta termos na administração de nosso país, pessoas competentes de verdade. Porque até hoje só tivemos marqueteiros, que falam e falam, mas de bom mesmo, nada!
REINALDO MARTINS SIQUEIRA é consultor de empresas em Londrina
Que geração é essa?
Esther Cristina Pereira
O título deste artigo é uma das maiores incógnitas que temos hoje em nossa sociedade. Quem são essas crianças e adolescentes que estamos formando? O que elas pensam, quais seus sonhos e planos para o futuro? Como enxergam o mundo e as gerações passadas? Vivi recentemente uma experiência muito rica e diferente. Acompanhei um grupo de 16 jovens entre 12 e 13 anos em uma viagem pela Europa por duas semanas para aperfeiçoar a fluência da língua inglesa. Neste período, pude constatar que o comportamento deles é igual ao de um camaleão, que vai mudando conforme o ambiente. Já convivia diariamente com eles dentro da escola, no período da manhã, mas nesta jornada, passamos 24 horas por dia juntos. E na convivência diária começamos a observar comportamentos que são muito preocupantes: como arrumar uma mala? como manter o quarto organizado? como preparar um café com leite? como lavar um par de meias? como descascar laranja? Muitos deles não sabiam como realizar tais atividades. Em contrapartida, na tecnologia são de uma esperteza de tirar o fôlego. Em se tratando de produtos para maquiagem, tratamentos de cabelo, marcas e roupas, são excelentes.
Mas o que mais mexeu com minha visão de mãe e pedagoga foi observar a falta de emoção e sensibilidade. Saudade...é como se não conhecessem este sentimento. Não havia uma preocupação em saber da família, dos pais... desolador! A preocupação era com o que havia sido postado no Facebook e observações em relação ao estilo de roupa usada - mostrando verdadeiramente que o que vale é a aparência, o ter, o parecer. Estes jovens tocarão o mundo, serão nossos futuros gestores, políticos, os adultos do amanhã. Como imaginar o mundo na mão deles? Será que existirá um olhar coletivo? É óbvio que não, a individualidade e o egoísmo serão dois quesitos interiorizados de tal maneira que o outro não será visto. Para educadores e pais, vale uma grande ressalva e reflexão: precisamos pensar em formas de lidar com este novo perfil de ser humanoe.
ESTHER CRISTINA PEREIRA é psicopedagoga, diretora da Escola Atuação em Curitiba e vice-presidente do Sinepe/PR
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