Opinião Atualizado em 13/07/2016, 23:00
ESPAÇO ABERTO
O excelente artigo "Pedágios: fatos e verdades", do advogado Almir R. Sudan (Espaço Aberto 9/7), sinaliza que é hora da sociedade paranaense se levantar contra esse movimento impositivo das concessionárias e autoridades governamentais para prorrogar os atuais contratos do pedágio. Depois de 19 anos de falta de transparência, sendo explorada por um negócio economicamente danoso e tendo que pagar um preço alto em vidas ceifadas por ter que transitar por estradas obsoletas, a nossa população não pode aceitar passivamente essa proposta indecorosa. As negociações se transcorrem na mais absoluta sombra da obscuridade. Eles não querem novas licitações e fogem do debate aberto, gerando incertezas e desconfiança. O mote que usam agora é repactuação. "Repactuar" significa: recombinar, fazer novo acordo, alterar o que havia sido combinado, etc. Por que fazer novo acordo, se os usuários cumpriram a sua parte, pagando tarifas abusivas e tudo mais que lhes foram empurrados goela abaixo nos contratos? Ou estão querendo dizer que as concessionárias não cumprirão a sua parte? Se já nos sacrificamos por quase duas décadas, não nos custa aguardar por mais breves cinco anos para uma negociação mais decente, com uma ampla concorrência pública e, certamente, com valores tarifários bem mais baixos dos atualmente praticados. Com a amarga experiência que tivemos, não vamos cair em outro ardil. Esse aceno de um novo pacto é um conto-da-carochinha e pode ser um artifício insidioso para mais 24 anos de empulhação. Basta, não suportaremos e não merecemos continuar vivendo tamanho pesadelo. O governador Beto Richa precisa sair do seu silêncio e dar melhores esclarecimentos aos paranaenses. Queremos saber, senhor governador, qual o motivo desse seu empenho para prorrogar, agora, os contratos vigentes até 2021, sendo que o seu mandato termina em 2018? Por que não vem a público e mostre claramente à população o que está compromissado nos atuais contratos e o que falta realizar? Por exemplo, o trecho Ponta Grossa/Mauá (Rodovia do Café) será totalmente duplicado até 2021? E a necessária duplicação Jataizinho/Ourinhos (SP), qual é a situação? Essas e outras tantas dúvidas latentes precisam ser melhor explicadas. Aguardamos respostas convincentes.
LUDINEI PICELLI é administrador de empresas em Londrina
Ao decorrer do século XX, a agricultura foi o grande objeto de debates ideológicos, quando a distribuição das terras era tida como meio de promoção de justiça social, visando a distribuição da riqueza. Neste cenário, a agricultura era tida como produção arcaica, de baixo valor agregado, relegada aos países tidos como "de terceiro mundo", enquanto a indústria era vista como o carro-chefe do crescimento econômico e modernização do País. O século XXI avançou e, em sua segunda década, ainda há um grande grupo de autores e "policy makers" que acredita que o Brasil precisa apostar em segmentos econômicos mais "avançados", muitas vezes sem observar vantagens comparativas e sem um planejamento setorial de longo prazo adequado. Contudo, em estudo denominado "mito da produção agrícola de baixo valor agregado", o economista Antonio da Luz demonstra, a partir de dados estatísticos, que não há lógica econômica nesta tese.
Atualmente, a agricultura gera alto valor agregado, inclusive gerando mais valor adicionado que a indústria por unidade monetária faturada. Enquanto a agricultura gera R$ 0,57 de VA para cada real de valor bruto da produção, a indústria gera apenas R$ 0,33.
Esse resultado mostra que: a agricultura brasileira é de alto valor agregado e pode contribuir muito com o desenvolvimento econômico do País. E a indústria é vítima de um alto custo intermediário, resultado de políticas industriais malsucedidas e ausência de políticas horizontais que poderiam contribuir para reduzir o custo industrial. É preciso que a sociedade e os agentes políticos encarem a agropecuária como um importante setor para o crescimento econômico brasileiro, e não como a atividade que deva ser superada.
GABRIEL CARDOSO GALLI é advogado e professor universitário em Curitiba
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