Qual será a relação entre esses dois fatores atualmente na economia brasileira?
Um jornalista e apresentador de um jornal local fez uma explanação sobre o assunto na TV. Boa foi sua argumentação e concordei com seu relato, mas devo acrescentar alguns aspectos que são de interesse da coletividade saber.
O cenário é o seguinte: aumentam a cada dia na nossa cidade os relatos de crimes cometidos contra a população em geral. E por que isso acontece? Segundo o jornalista, um dos motivos é falta de empregos que obriga os responsáveis pela família a praticarem roubos e assaltos na tentativa de suprir condições mínimas de sobrevivência. Em outras palavras, são pessoas desempregadas que roubam para não passar fome.

Isso pode ser verdade, mas que fatores econômicos estão contribuindo para que as pessoas fiquem desempregadas? Tenho, claramente, uma resposta para esse fato. E uma das causas, sem dúvida, é a alta taxa de produtos importados que a cada dia mais e mais o Brasil tem tomado como regra fazer para suprir a demanda por esses produtos também em nome do livre comércio internacional ou "globalização". Assim agindo, o que acontece é que além de perder divisas (recursos financeiros) para o exterior, isso também contribui com o fechamento de postos de trabalho, principalmente na indústria. Produtos que até pouco tempo atrás, como papel para recado, não eram importados hoje estão à disposição em papelarias em geral. Em geral, a indústria é a que mantém, na cadeia produtiva, o maior nível de empregabilidade.

Disse ainda o jornalista: onde estão as autoridades que não aumentam os investimentos em segurança? Pois posso afirmar que isso somente seria um paliativo diante das circunstâncias. O correto para acabar com esse círculo vicioso seria cobrar das autoridades governamentais federais atitudes que favoreçam e fortaleçam a indústria brasileira notadamente das pequenas e micros empresas que proporcionalmente são as que mais empregam no Brasil.
Agindo dessa forma, com o passar do tempo, e tomando-se uma firme política de sustentabilidade econômica como regra, por consequência até outros aspectos de fortalecimento dos fatores que contribuem para a previdência e demais também poderiam melhorar.

Ocorre que da maneira como está pode-se caminhar para o colapso institucional e 11,5 milhões de desempregados atualmente confirmam-me essa tendência. No meu entendimento, muitos erros econômicos acorreram no Brasil desde o governo Collor e, de lá para cá, as políticas federais adotadas somente contribuíram para se chegar ao estado atual. Mas ainda creio que a situação possa se reverter se medidas duras de ajustes forem feitas a começar pela diminuição da carga de tributos que incidem sobre a folha de pagamento e que são de responsabilidade das empresas. Pode parecer absurdo, mas no mundo inteiro o Brasil é o país que tem uma das maiores taxas de encargos sobre salários e isso, numa economia que tem a concorrência aberta com outros países que não possuem as mesmas políticas, torna-se uma luta desigual onde quem mais tem a perder é a própria população e sociedade como um todo que não ter como lutar.

Neste ano de eleições muitos candidatos a cargos públicos no Brasil virão e dirão que lutarão para melhorar os níveis de empregos dos trabalhadores, porém creio que somente políticas públicas federais constantes e permanentemente reavaliadas podem contribuir para que isso aconteça.

MAURICIO KALAU GONZALES é administrador e docente na Universidade Estadual de Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

mockup