ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 04 de julho de 2016
Marcos Antonio de Arruda 
Ano de eleição é mesmo uma grande fartura, principalmente nos últimos meses que antecedem ao pleito. Falo das eleições municipais. Os detentores do poder utilizam de todos os meios e artifícios para fazer o que não fizeram durante os anos de mandato, seja de 4 anos ou de 8 para quem já se reelegeu. Antes do ano eleitoral são licitações desertas; empresas que entram em falência e as obras ficam paralisadas; ruas esburacadas e sem faixa de pedestre; bueiros entupidos; iluminação precária... Se for para fazer uma relação de tudo o que não fazem ou não conseguem fazer, o espaço desse artigo seria insuficiente.
No ano eleitoral, milagrosamente, as obras começam a aparecer com formato de concluído. E ainda gastam mais do que o previsto no orçamento inicial é preciso agilidade para inaugurá-las antes do pleito eleitoral: são benfeitorias em ruas, vilas, bairros e estradas parece o pássaro fênix que ressurge das cinzas.
Mesmo com a arrecadação caindo, conseguem realizar o que era improvável, e dizem que é graças à boa administração, como se isso fosse necessário apenas no ano eleitoral. Ou será que para se fazer alguma coisa tem que economizar por 3 anos e gastar apenas no ano eleitoral? Isso não parece estranho?
Parece que, do dia para a noite, os detentores do poder recebem uma luz, uma força especial que os guia no caminho certeiro da solução de todos os problemas enfrentados nos últimos anos. É mesmo um "festival de mágicas", até de fazer inveja ao grande Houdini. Mas, quem se ilude com tudo isso? Como a lagarta de uma borboleta, o povo já começa a sair do "casulo" da ignorância e a perceber a enganação vindoura. Em que sentido é essa enganação? De que tudo o que vê sendo feito é mentira? Não! Apenas sabe que ano eleitoral é mesmo o ano da providência política. As promessas não realizadas são completamente esquecidas e quase que um crime de lesa-pátria as revelar. Apenas o que fazem às vésperas da eleição é o essencial que se divulgue na mídia, e que são patrocinadas com o nosso dinheiro.
Isso tudo tem um sentido claro; permanecerem no poder ou fazer um sucessor é o poder pelo poder. Citando Aristóteles, que formulou a tipologia das formas de poder, classificando em três tipos de poder: o paterno, o despótico e o político. E, nesse sentido, no qual o soberano manda em seus súditos eleitores, é que avizinha-se o embiocado gesto de benevolência do ano eleitoral. Os mais desavisados são tragados nas suas inocências e ficam à mercê da manipulação midiática.
É tempo de devolver o poder ao povo, não apenas como no artigo da Constituição, onde lemos que o "poder emana do povo". Se emana do povo, também pertence ao povo e a ele, tão-somente a ele (ou a todos nós) é que se deve obedecer. Mas (os políticos) fazem desse poder um cabide de emprego e profissão.
E agora quem poderá nos salvar? É o nosso tão valioso voto, cujo valor é o mesmo que do mais abastado da face da terra. O voto tem valor, e assim deve ser usado como ferramenta transformadora para darmos um basta nos políticos que só trabalham em ano eleitoral. Os que trabalham durante todo o mandato, e você se convence disso, então siga-os. Mas, se não lhe convence, decida o futuro pelo voto e seja mais ativo pós-eleição mostre para os eleitos (leia-se, nossos empregados) o poder do seu voto; é ele que nos garante o poder do exercício da cidadania. A cidadania se faz com gestos e ações, mais do que com palavras e reclamações. Lembre-se sempre de que os políticos são pagos com o nosso sagrado dinheiro, e o que fazem em benefício da população não é caridade, é dever e obrigação. Foi para isso que os elegemos.
MARCOS ANTONIO DE ARRUDA é estudante de Direito e conciliador do Juizado Especial no Fórum de Cornélio Procópio
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