Opinião Atualizado em 03/07/2016, 18:14
ESPAÇO ABERTO
Esta frase de Thomas Hobbes publicada em 1651 na obra Leviatã reflete bem a tendência à dominação do homem pelo próprio homem. Na antiguidade, a escravidão. Na idade média, o feudalismo com seus vassalos. Na revolução industrial, a exploração dos operários com jornadas exaustivas e em situações sujas e perigosas.
E por que os escravos, os vassalos e os operários aceitavam estas condições? Porque não tinham escolhas.
As mudanças foram graduais, inicialmente lentas e depois mais acentuadas. Hoje as constituições dos países civilizados, algumas que privilegiam mais a liberdade, outras que privilegiam mais a igualdade fornecem o arcabouço necessário para a busca dos direitos humanos e, consequentemente, a busca da felicidade plena.
No Brasil, as lutas sociais contribuíram para a ampliação dos direitos dos trabalhadores. Por exemplo, as greves foram consideradas "caso de polícia"; hoje a greve é um direito constitucional, assim como inúmeras conquistas como o décimo terceiro salário, férias, repouso semanal remunerado, seguro-desemprego, fundo de garantia, licença maternidade, participação nos lucros, garantia de salário entre outras.
Para garantir os direitos, é preciso reivindicá-los e é necessário lutar por eles. Não podemos simplesmente esperar que caiam do céu.
Os direitos dos médicos têm sido frequentemente ultrajados tanto na esfera pública como na privada. São muitas as lutas que, seja nacionalmente ou localmente, são absolutamente necessárias. Como representantes dos médicos aqui na região de Londrina, as demandas mais prementes a citar são: aprovação da PEC 454/09, que institui a carreira de estado do médico; criação do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos para os médicos da Prefeitura de Londrina e dos demais municípios da base de atuação; correção das distorções salariais dos médicos do serviço público de saúde; remuneração profissional pelo piso salarial estabelecido pela Fenam (R$ 12.993,00 para 20 horas semanais para o ano de 2016); aplicação dos reajustes anuais dos serviços médicos em contratos com operadoras e planos de saúde, conforme obriga a Lei 13.003/14; combate à "pejotização", que nega as garantias constitucionais, trabalhistas e previdenciárias; melhoria das condições de trabalho da categoria, seja no serviço público ou privado. Também a situação de insegurança no trabalho principalmente na periferia, é exemplo dos riscos à dignidade do trabalho do médico.
Conclamo os colegas médicos que participem onde puderem e quiserem, seja de associações comunitárias, seja de associações de classe como associação médica, sindicato e politicamente, onde for de seu interesse. Não sejamos apáticos. Existem aqueles que agem e aqueles que recebem a ação. Temos recebidos as ações, mas também podemos agir. Para lutar, devemos estar unidos.
As reuniões do Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná (Sindmed) são abertas à participação da classe. O Sindicato não é meu e nem de uma minoria. É dos médicos. É o legítimo representante em Defesa do Médico.
Lembrem-se: hoje temos escolha.
ALBERTO TOSHIO OBA é presidente do Sindicato dos Médicos do Norte do Paraná
Sem sombra de dúvida, o cooperativismo deu certo no Brasil. São cerca de 50 milhões de brasileiros ligados ao movimento cooperativista que, no dia 2 de julho, mostram sua força e realizam o Dia C Dia de Cooperar com milhares de ações voluntárias ocorrendo simultaneamente por todo o país, celebrando ainda o Dia Internacional do Cooperativismo. E apesar do momento político e econômico delicado, estamos fazendo nosso dever de casa e pensando no futuro. Tivemos inúmeras conquistas, mas, sem dúvida, é hora de unirmos forças para a retomada de crescimento do país e essa data abre um excelente canal para ampliarmos os debates e avançarmos ainda mais.
Em outras crises econômicas, como em 2008, por exemplo, o cooperativismo fez uso dos seus diferenciais de participação democrática, independência e autonomia e mostrou realmente ser capaz de mitigar os efeitos de uma situação econômica ruim, posicionando-se como um segmento robusto e visionário.
Tanto é que dados do Ministério do Desenvolvimento da Indústria e Comércio Exterior (MDIC) apontam o potencial econômico das cooperativas brasileiras. Ao analisar o compilado das exportações e importações em 2015, podemos notar o crescimento de 1,3% no valor total exportado por elas, alcançando a cifra de US$ 5,3 bilhões. Com isso, atingimos 148 mercados internacionais no período.
E é para isso que o cooperativismo trabalha: para injetar resultados financeiros na economia e ânimo nas pessoas e instituições. O Sistema OCB composto por três entidades - Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (, SESCOOP ) e Confederação Nacional das Cooperativas (CNCOOP) - tem atuado em parceria com o governo federal e organizações internacionais visando à promoção dos produtos e serviços cooperativos em fóruns mundiais, como por exemplo, o Brics, a fim de viabilizar novos negócios tanto para as cooperativas quanto para o país.
Além de comemorar as conquistas, o movimento cooperativista brasileiro sabe muito bem o que pretende para um horizonte de médio e longo prazo. No ano passado, demos início a implementação de um planejamento sistêmico estratégico para o período 2015-2020, com uma visão de futuro para todo o setor: "até 2025, o cooperativismo brasileiro será reconhecido pela sociedade por sua competitividade, integridade e capacidade de gerar felicidade aos seus cooperados".
E para alcançarmos essa meta, é necessário superar os principais desafios elencados nesse planejamento estratégico: qualificar a mão de obra para o setor; profissionalizar a gestão e a governança do sistema; estimular a intercooperação, promover a segurança jurídica e regulatória e, por fim, fortalecer a representatividade, a cultura cooperativista, a imagem e a comunicação do movimento.
Certamente, esses passos nos ajudarão a colher os frutos de um bom trabalho, feito de sol a sol, um dia após o outro. E, como cooperativistas convictos que somos, temos tudo que é necessário para vencer esse desafio, tornando o cooperativismo reconhecido por suas particularidades e benefícios, em especial por sua competitividade, integridade e capacidade de promover a felicidade dos cooperados. Então, mãos à obra porque o futuro nos espera!
MÁRCIO LOPES DE FREITAS é presidente do Sistema OCB e membro do Conselho Curador da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ)
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