Aos 44 anos, completados dia 29/6 e comemorados hoje, o Instituto Agronômico do Paraná atinge uma marca histórica de enorme importância científica, econômica e social: o lançamento de sua 200ª cultivar, número que sintetiza o gigantesco esforço da instituição e de seus colaboradores, para impulsionar o desenvolvimento tecnológico da agricultura paranaense ao nível "classe mundial" que ostenta hoje.
Com seu forte simbolismo, a marca histórica caberá à linhagem de feijão carioca LD 1092, batizada como IPR Celeiro, 37ª cultivar criada pelo Programa de Pesquisa em Feijão do Iapar. Desenvolvida ao longo de décadas, essa cultivar tem a particularidade de ser a única comercial do país obtida por melhoramento genético convencional, moderadamente resistente ao vírus do mosaico dourado e resistente ao "carlavírus", principais doenças que impedem o plantio do feijoeiro no período mais interessante para os produtores (janeiro a abril).
Este fruto da pesquisa do Iapar permitirá ampliar a produção da cultura e aumentar a diversificação de espécies cultivadas no agroecossistema, resultado que bem ilustra a missão e a razão de ser de nosso Instituto. De fato, esta é também a história das 203 outras cultivares de 36 espécies, como trigo, café, milho, arroz, batata, mandioca, frutas, plantas fibrosas, adubação verde e forrageiras, além do feijão, que lançamos nestes 44 anos. Cada uma delas demandou mais de dez anos de pesquisas, custeadas pela sociedade paranaense através da Secretaria de Estado da Agricultura, e teve alto impacto no avanço e produtividade do setor e na melhoria da renda e qualidade de vida do produtor rural.
Como exemplo desse impacto, basta citar o caso da citricultura paranaense: proibida no Estado até a década de 1970, por restrições sanitárias, a atividade tornou-se possível no Paraná a partir dos 1980 graças a pesquisas do Iapar, que geraram cultivares e processos que permitiram a convivência com o cancro cítrico, ensejando intensa atividade agrícola e agroindustrial, responsável pela geração de empregos, renda e impostos que atestam, de forma eloquente, os impactos econômicos, sociais e tecnológicos da pesquisa agrícola.
Outra realização importante, que o Iapar comemora hoje na presença de seu Conselho de Administração e da Comissão de Agricultura da Assembleia Legislativa do Paraná, é a assinatura de acordo com uma das maiores editoras globais de livros científicos, a Springer Nature, para coedição e distribuição internacional de alguns dos 504 livros editados pelo Instituto nestes 44 anos. Através dessas publicações, o Iapar dá outra significativa contribuição ao meio rural e ao agronegócio paranaense, disseminando novos sistemas de produção e as melhores práticas de manejo agrícola e de conservação dos recursos naturais, obtidas por meio da pesquisa aplicada.

Em nome da família "iapariana", formada por 700 colaboradores ativos e centenas de inativos, compartilhamos com a sociedade paranaense o sentimento de gratidão, por todo o apoio recebido, de satisfação pelo dever cumprido e de entusiasmo pelo muito que temos a realizar em favor da agricultura do século XXI.

FLORINDO DALBERTO é engenheiro agrônomo e presidente do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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