ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de junho de 2016
Alessandra Banaszeski da Silva - Eliana Cristina dos Santos 
Doenças respiratórias e o inverno
Alessandra Banaszeski da Silva
Com a chegada do inverno e das temperaturas mais baixas, aumentam os fatores que estimulam a ocorrência de doenças respiratórias, principalmente entre as crianças. Problemas como asma, pneumonia, rinite alérgica e bronquite são agravados pela baixa umidade e resfriamento do ar, que levam a menor dispersão dos poluentes, irritando a mucosa respiratória. Além disso, com o frio, as crianças tendem a permanecer mais tempo em locais fechados e, por isso, ficam mais propensas ao contágio de vírus, principais vilões das doenças respiratórias. A asma, por exemplo, atinge aproximadamente uma em cada cinco crianças, sendo que metade delas não está com sua doença controlada. Estímulos externos, como infecções virais, ar frio, fumaça de cigarro e contato com ácaros, desencadeiam alguns sintomas dessa doença: tosse, chiado e falta de ar. Devido a isso, as crianças devem estar com a doença controlada através de medicações inalatórias específicas, para não aumentar as crises na época do frio. Com o intuito de evitar as doenças respiratórias, devemos adotar medidas simples de prevenção em nosso dia a dia: realizar a higiene adequada das mãos (com água e sabão e, quando possível, álcool gel), arejar os ambientes e evitar lugares fechados e aglomerados. Além disso, é importante os pais realizarem em seus filhos as vacinas contra gripe e pneumonia, bem como manterem o uso de medicações específicas para o controle dos sintomas das doenças respiratórias. Assim, pais e filhos poderão aproveitar o melhor da estação, juntos e com saúde.
ALESSANDRA BANASZESKI DA SILVA é médica pneumologista pediátrica em Londrina
A morte da onça Juma
Eliana Cristina dos Santos
O assassinato da onça Juma é só o cartão de visita das Olimpíadas. O megaevento mostra uma de suas faces violentas executando em praça pública a até então mascote onça Juma. O fato causa comoção e ganha destaque na mídia e nas ponderações virtuais, como de fato deve ser. Afinal, qualquer forma de violência tem que ser rechaçada, combatida e nos causar estranhamento. A grande questão é que para satisfazer o ego olímpico não só Juma perdeu sua vida, para aparecer "bonito" na foto uma higiene social e humana tem se realizado no país tupiniquim. Pessoas são retiradas do seu local de moradia, outros são simplesmente banidos para que não venham a causar incômodos sujando os cartões postais que estarão ao dispor dos gringos, pessoas trabalham à exaustão nas obras, muitas outras têm suas vidas abandonadas por que em nome da austeridade nossos governantes optam com construir estádios obsoletos ao invés de hospitais, escolas, moradia, saneamento básico e, não bastasse essa decisão estúpida, ainda eles e suas corjas enriquecem com as obras fraudulentas.
Como se vê, o rastro de sangue deixado pelas Olimpíadas pode ser muito maior do que o que escorreu da pobre onça Juma. Será que nossa indignação, tristeza e comoção seria capaz de ir um pouquinho além e perceber o que de similar tem as mortes da onça Juma, do menino Ítalo,
do gorila de Cincinnati, do trabalhador Amarildo, do leão Cecil, do elefante do Zimbabue, do menino sírio Aylan Kurdi que compõem uma lista longa e dolorosa de seres que foram ceifados por um sistema que descarta vidas? Será que vai demorar muito para percebermos que a culpa não é da Juma, nem do Ítalo, do mesmo modo que não é do Cecil, do gorila, do Amarildo, dos indígenas, dos negros, dos homossexuais, das mulheres, dos refugiados, dos elefantes, dos cachorros, nem tão pouco dos astros?
Se demorarmos um pouco mais para perceber que o sistema capitalista por si só é nocivo e extrai o que há de mais violento das pessoas, estaremos muito perto de perdermos a humanidade. O que significa que nada mais nos comoverá, nem o homicídio da Juma, nem crianças morrendo de fome, nem mulheres violentadas, nem jovens sendo executados, nem pais de famílias desaparecendo. A morte da Juma é só uma exacerbação quase que ilustrativa da selvageria que é a sociedade capitalista.
ELIANA CRISTINA DOS SANTOS é assistente social em Londrina
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