ESPAÇO ABERTO
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quarta-feira, 15 de junho de 2016
Fábio Chagas Theophilo 
Não devemos comparar coisas que são incomparáveis. O erro cometido pela arbitragem no jogo Brasil e Equador jamais poderá ser comparado com o que aconteceu no jogo Brasil e Peru. No primeiro caso, mesmo a televisão teve que usar uma lente de aproximação para identificar que a bola não havia saído no cruzamento do jogador equatoriano. O árbitro errou ao apontar que a bola havia saído e invalidou o gol do Equador. Caso similar ocorreu na Copa do Mundo da África do Sul de 2010, quando o Frank Lampard fez o gol da Inglaterra contra a Alemanha e, apesar da bola ter batido no travessão e ter entrado a poucos milímetros da linha do gol e ter saído depois, o juiz invalidou o gol. A Fifa, após esse lance, autorizou a utilização da tecnologia denominada goal-line.
Em ambas situações acima, o olho humano jamais poderia identificar o local exato da bola e a arbitragem errou, pois a decisão foi baseada numa suposição ou conjectura. No entanto, tais decisões da arbitragem se justificam, pois fogem do que o ser humano é capaz de detectar - e daí a necessidade da tecnologia.
Por outro lado, a Fifa prega no futebol o fair play que significa o jogo honesto, bem jogado, o jogo justo, sem malandragem ou qualquer tipo de fraude, farsa ou dolo.
E o fair play, ou a ausência deste, inclui simulações de falta ou de pênalti ou qualquer outro ato ardil de atletas para confundir ou ludibriar a arbitragem, e foi isso que o atleta peruano fez.
E é aí que reside a imensa diferença entre os dois jogos do Brasil e as situações distintas, acima mencionadas. O gol da equipe peruana foi uma fraude, como que uma raquetada com o braço do atleta, que havia passado da bola. Foi um gol de braço deliberado e doloso com intenção , pois o atleta abriu o braço direito para colocar a bola para dentro do gol e, no caso, o árbitro não viu pois estava encoberto por outros jogadores e validou o gol peruano.
A decisão equivocada da arbitragem custou a eliminação do Brasil, e aqui o objeto desse artigo não é discutir os infindáveis problemas e soluções para a seleção brasileira dentro e fora do campo.
O gol de mão Maradona o qual este denominou de "mano de Diós" contra a Inglaterra na Copa de 1986 foi outro episódio lamentável da falta de fair play.
Esse é o mais reprovável comportamento que qualquer atleta pode ter a falta de fair play. Em uma analogia, seria o equivalente ao atleta que se dopa para uma prova de natação ou atletismo.
Será que ganhar sem ética, pela fraude, justifica a vitória? Será que ganhar, custe o que custar, justifica o que aconteceu no jogo do Brasil contra o Peru ou da Inglaterra contra a Argentina lá em 1986, dentre tantos outros casos de falta de fair play?
Em vários casos de doping as medalhas/conquistas são cassadas ou anuladas. No futebol, no entanto, fica tudo por isso mesmo.
Abre-se a oportunidade urgente para que o novo comando da Fifa através do seu novo presidente Gianni Infantino adote a tecnologia no futebol, tanto para a limitação humana da arbitragem como para casos de ausência de fair play, com a utilização do vídeo pela arbitragem para lances polêmicos, tal como ocorre no vôlei, no tênis e no basquetebol.
Ganhar, perder, jogar bem, jogar mal são inerentes ao futebol. Mesmo os erros da arbitragem são comuns e são parte também do futebol, afinal há uma limitação humana.
Mas ganhar por ganhar, através do dolo, da malandragem, da fraude, isso é inaceitável e uma mudança através da adoção da tecnologia, a essa altura, faria muito bem ao esporte e aos seus apaixonados seguidores.
FÁBIO CHAGAS THEOPHILO é advogado em Londrina
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