Opinião Atualizado em 14/06/2016, 23:00
ESPAÇO ABERTO
Num momento de crises políticas, financeiras e sociais muitos se esquecem dos seus direitos e obrigações. É possível que conviver e interagir com o trânsito possa demonstrar um impasse de menos valia. Os atores que compartilham dessa interação social de trânsito devem ser considerados como hábeis para ir e vir. Afinal, é legalmente considerado apto para conduzir veículos automotores. Se ele é apto pelos órgãos de trânsito, que o consideram com "habilidades condizentes para conduzir", a imprudência e negligência não cabem no seu comportamento de perito para dirigir. Se é apto, portando uma Carteira Nacional de Habilitação, não podemos aceitar que ele deva ser vigiado nos percursos que trafega. O livre-arbítrio não deve ser percebido como aquele que conduz com velocidade acima da permitida, passar no sinal vermelho ou então parar sobre a faixa de pedestre. Tais manifestações nos fazem acreditar que o infrator despreza os princípios da cidadania que todos nos esperamos e devemos demonstrar. Diante dos dados apresentados pela imprensa, chego a pressupor que esses atores prevalecem do "jeitinho brasileiro", que a própria legislação oportuniza, levando-o a negligenciar a si mesmo e aos demais que compartilham desse espaço. Se por um lado, a legislação permite dualidade, por outro, presumo que o homem motorizado quer ser vigiado e punido. Mil notificações por dia, registrados pelos radares em Londrina, nada mais são que mil situações de risco. Por acreditar que esses riscos acontecem com os outros atores e não com ele, o levam a se comportar sempre dessa forma.
Ser multado, paga pela infração cometida, infelizmente não muda comportamento. Se valesse o ditado "quando dói no bolso" o infrator aprende a se comportar adequadamente, os levantamentos atuais e reais seriam menores e o índice de acidentes seria mais aceitável. Na existência da realização de perícia, nos acidentes de trânsito sem vítima, infelizmente, não é feita com relação ao condutor, considerado o maior responsável, até porque raramente é assumida por ele, gerando a síndrome de vitimização. A mudança de comportamento só ocorrerá quando esse infrator assumir seus comportamentos inadequados e se predispor em mudar a si próprio. Só assim aprenderá a conviver em coletividade.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga em Londrina e diretora do departamento de Acidentes, Crimes e Perícias de Trânsito da Associação Brasileira de Medicina de Trânsito (Abramet)
Na faculdade de Jornalismo, um dos maiores chavões que se pode escutar dos professores é: "Não existe jornalismo imparcial". Apesar de esta ser considerada uma verdade universal, há muita discussão acerca do assunto. A imparcialidade realmente não é possível, e nem deveria ser. Mas este não é o cerne da questão.
Hoje em dia todos somos comunicadores de certa forma, todos opinamos sobre qualquer assunto em tempo real. Fazer um "textão" no facebook é só mais uma frivolidade do cotidiano. Mesmo assim, os debates se dissolveram.
Antes mesmo de se discutir qualquer assunto, bandeiras são levantadas em hashtags e em fotos de perfil que declaram apoio a uma variedade infinita de causas. Você já sabe o que um indivíduo pensa por causa da foto de perfil que ele usa. Tudo bem, vivemos (teoricamente) numa democracia, e isso nada mais é que liberdade de expressão. Mas até que ponto isso limita o diálogo? Apoiar causas é importante, opinar e analisar situações também. Mas algo está errado no facebook e também no jornalismo: os egos estão inflados.
Bandeiras se sobrepõem à troca de ideias. Assim como o "PTralha" não ouve a opinião do "coxinha", quem lê a "Veja" se recusa a ler a "Carta Capital". Há uma busca incessante por encontros entre pessoas que concordem entre si. E só.
De que forma algo irá mudar se tudo o que se faz é usar insistentemente uma hashtag para se autoafirmar em círculos sociais? Isso é grave. O debate está desaparecendo. Não há união, apenas uma sede por mudança estagnada por esquerdas e direitas fragmentadas. Você ainda ouve quem discorda de você? Aliás, você escuta quem discorda de você?
Enquanto isso, nossos direitos se perdem em meio a jogadas políticas e rivalidades partidárias. Afinal, humanos de antolhos são perfeitos candidatos à massa de manobra, e seja lá quem estiver no poder usará disso para legitimar sua autoridade.
JULIANA PEREIRA é estudante de Jornalismo na Universidade Estadual de Londrina
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