Opinião Atualizado em 01/06/2016, 23:00
ESPAÇO ABERTO
O caso da menina estuprada coletivamente no Rio cria violências em série à medida que vão surgindo hipóteses. A agressão sexual como fator de humilhação é incontestável, some-se a isso a possibilidade de uma participação consentida em orgia e os moralistas encontram a justificativa do estupro, embora as investigações apontem para outra situação. Se isso já é complicado, fica pior ainda com a hipótese de estupro como forma de "justiçamento" ou punição por ela ter traído o tráfico, chegaram a considerar isso. Quando a gente acha que a barbárie atingiu o ápice, ainda vê pessoas julgando a moça nas redes sociais, criticando seu comportamento, transformando quem seria vítima em ré. E quando a gente acha de novo que a barbárie chegou ao limite, certa militância resolve "aproveitar" o estupro politicamente. Sim, o oportunismo neste caso também é hediondo e requer manobras de raciocínio impressionantes.Por outro lado, o caso também explodiu no exterior e muitos estão cancelando a vinda para as Olimpíadas por medo da violência na cidade que seria maravilhosa, não fosse o crime organizado, o caos flagrante fora dos eventos, o duro contraste entre a urbanização de primeiro mundo feita para os jogos e as favelas cada vez mais populosas onde cidadãos honestos perdem entes queridos para a guerra entre a polícia das UPPs e o tráfico. Eu também não tenho vontade de visitar países dominados pelo terror. É o que o tráfico faz hoje no Brasil: terrorismo, é nosso Estado Islâmico com requintes de tortura que vitima homens e mulheres todos os dias. Essa violência às vésperas das Olimpíadas é impactante, é a "Ilha da Fantasia" desmoronando. É um choque constatar que criamos essa ilha com nossa falsa alegria que, na semana passada, acordou cercada por 33 homens armados de fuzil, um exemplo de "fascimachismo" impressionante contaminando tudo: do estupro à política, passando por uma inegável miséria sociocultural que é a base de tudo. Miséria é o substrato dessa barbárie e poucos tocam no assunto.
O que aconteceu com essa moça não é caso isolado. Só que desta vez tudo foi filmado e divulgado como um trunfo da crueldade. Isso derruba todos os valores com um tiro de escopeta nos miolos da Ilha da Fantasia, não há o que recolher.
CÉLIA MUSILLI é jornalista e escritora em Londrina
Quando o assunto é reforma na Previdência, nosso governo, independente de partido, sempre procura passar a conta para o trabalhador, atrelando o rombo nas contas aos pensionistas da iniciativa privada. Fala-se muito, aos que se aposentam cedo, mais ignoram o tão cedo que esse cidadão iniciou sua contribuição. Ignoram também que a maioria dos que se aposentam tão cedo como mencionam, voltam ao mercado de trabalho e continuam contribuindo sem ter nenhum retorno, pois esse valor não lhe dá direito ao recálculo em sua aposentadoria e nem sequer de um auxílio doença, caso venha sofrer um acidente porque o sistema alega que já possui um benefício. E, tratando-se de um trabalhador da iniciativa privada, um simples mortal, só pode ter um benefício, diferentemente de outras polpudas aposentadorias que somam vários benefícios. Seria justo alterar só a aposentadoria privada? Por que não se fala em igualar as aposentadorias, privada/pública, usando a mesma tabela? Por que não apresenta o rombo da Previdência, separando as contas públicas e privadas? Quantos aposentados públicos voltam a contribuir? Não estou querendo desmerecer o setor público de suas conquistas, mas se existe um problema tem que dividir com todos. Uma reforma séria teria que iniciar com: 1- auditar e recadastrar todos pensionistas 2-auditar as verbas do Ministério da Previdência, incluindo sua gestão e suas obras em instalações administrativas; 3- auditar se o repasse da União (impostos recolhidos das empresas, retidos nos jogos das loterias da Caixa e de todas outras retenções que se apregoam em nome do INSS) se estão sendo transferidos na totalidade do valor arrecadado para a Previdência. Após uma análise criteriosa do sistema, aí sim, o governo teria crédito para passar a conta aos contribuintes. Pena que neste País (das bananas) arrecada-se primeiro, repassa a conta antes, para depois tentar resolver o problema. É muito mais fácil, não exige nenhum esforço e nem inteligência de nossos governantes que, em questão de inteligência, estão longe de uma reforma geral.
FLÁVIO COLHADO GIMENES é contador e gerente financeiro em Londrina
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