ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 25 de maio de 2016
Alberto Chahaira Sobrinho 
Nesses dias conturbados, lembrei-me daquele programa humorístico da TV, que citava uma fictícia "Organizações Tabajara", que tinha como bordão a expressão "seus problemas acabaram"!
Assim como nossa realidade, a propaganda não passava de um embuste!
"Mas tiramos do poder os maiores corruptos da nossa história", bradou com um extemporâneo e fugaz patriotismo uma parcela da sociedade. Houve diversos casos de corrupção fartamente divulgados na imprensa, realmente, mas qual seria a nossa referência para elevá-los ao patamar de campeões dessa nefasta modalidade?
Seria, por acaso, o período da ditadura militar, de tristes lembranças? Ora, se num regime militar de exceção você não pôde nem mesmo discordar das ideias políticas dos brucutus fardados de plantão, imagine então levantar um caso de corrupção para qualquer tipo de averiguação? Os que tentaram, findaram seus dias no "pau de arara" ou estão na lista de desaparecidos ou foram levados, por "argumentos" nada sutis, a arrefecerem seus ímpetos "comunistas".
Seria, então, o período de FHC, o sociólogo arrependido? Apesar do maciço apoio que teve da grande mídia, lembremos alguns fragmentos: a Polícia Federal não era aparelhada como hoje e nem tinha autonomia para mexer com seus "patrões"; o Ministério Público não tinha a cobertura midiática atual e a sustentação para empreitadas mais ousadas; FHC jamais nomeou o primeiro nome da lista tríplice enviada pelo MP, para o cargo de procurador-geral da República, peça fundamental para a moralização de qualquer governo, sendo ele o responsável por enviar as denúncias, que, aliás, não foram poucas, ao Poder Judiciário. O PGR nomeado por FHC, primo do seu vice-presidente, jamais remeteu uma denúncia de peso sequer ao STF e ficou conhecido, até por seus pares, como o "engavetador geral da República". O que aconteceria se fossem investigados alguns casos como, a compra de votos para aprovação da emenda da reeleição, caso Banestado, Proer e Sivam, por exemplo?
Sim, houve corrupção. A diferença de outros governos é que agora houve punição!
Sim, houve mentiras na campanha. Eleições livres servem exatamente para a troca de mentirosos!
Sim, houve doações de empresas suspeitas. Empresas que também doaram para os principais adversários da presidente!
Falaram, então, que não queriam os investigados da "Lava Jato". E Temer nomeou ministros envolvidos. E eles nada mais falaram.
Panelaço para a nomeação de Lula. E Temer nomeou ministros investigados. E as panelas silenciaram.
Impediram uma presidente jamais acusada de embolsar sequer um centavo do dinheiro público. Pela moralidade, disseram. E puseram o PMDB! Oi? Nenhuma luz piscou nas janelas daqueles belos prédios.
Artimanhas assim, só fragilizam a já questionável legitimidade desse remendo de governo interino, sem voto e sem apoio popular.
Eu também quero o fim dessa política rasteira e dessa praga que é o roubo do dinheiro público. Mas que a Justiça seja igual para todos, sem preferências e sem partidarismos.
Ninguém, em sã consciência, vai querer defender erros e falcatruas, seja de quem e de qual partido for, porém, é óbvio que este processo de impeachment foi maculado por um enredo que nada tem a ver com a corrupção, como, por exemplo: a vingança de um presidente da Câmara que dispensa apresentações, afastado após a execução do serviço sujo; um vice-presidente conspirador, também citado na Lava Jato, de um partido que nunca se notabilizou por atitudes éticas e que já teve 3 presidentes sem jamais ter ganho nas urnas; o golpismo do partido que perdeu as eleições livres e democráticas pela quarta vez consecutiva, que botou na rua alguns de seus "indignados" eleitores tentando, quem sabe, um pretenso 3º turno. Tudo com o beneplácito da grande mídia.
Mas calma, "seus problemas acabaram!".
ALBERTO CHAHAIRA SOBRINHO é especialista em Gestão Pública pela Universidade Estadual de Maringá e pedagogo em Bela Vista do Paraíso
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