O populismo é um tipo de prática política que vicejou em várias nações do mundo em determinados momentos, assim como no Brasil. Governos catastróficos, corruptos e incompetentes, que se mantinham no poder à custa de mentiras e negociatas espúrias. Grande parte de tudo isso, na América Latina, é a herança colonial equivocada de exploração máxima com investimentos mínimos. Não fomos contemplados com a colonização por cultura avançada, mas tivemos a chance com os franceses e os holandeses, expulsos, zelosamente, pelos lusitanos. Mas os holandeses expulsos daqui fundaram, ao norte, uma vila chamada Nova Amsterdã, na pequena ilha de Manhattan. Posteriormente, os ingleses a rebatizaram como Nova York. É isso mesmo, cara-pálida, Nova York poderia ter sido em Recife!

Populismo é um sistema de governo intervencionista, atravancador, capaz de pôr em risco a própria nação para atender seus interesses mesquinhos. O governo populista ignora os valores morais individuais, promovendo o patrulhamento ideológico e o aparelhamento do Estado, que é transformado num imenso feudo. Ao distribuir falsos benefícios à custa de tributação criminosa, promove o aumento da dívida pública sem constrangimento, e faz "o que for preciso" para manter-se no poder.

O Império foi muito ruim, dizem, mas nos 127 anos de República, o que vimos foram golpes, traições, estados de sítio, revoluções e intentonas, sendo o governo de Eurico Dutra o primeiro a se iniciar e terminar democraticamente, 57 anos depois da proclamação! Entre nossos governos populistas, nenhum foi tão deletério para a nação quanto o do PT. Lula tornou-se presidente vitalício, já que nunca abandonou o poder – é a primeira vez na história que um ex-presidente continua presidente, mandando e desmandando em tudo e em todos, inclusive na então "presidenta".

O PT jogou a nação nas mãos sujas do esquerdismo sindicalista, que não vacilou em dilapidar o erário público, se locupletando no melhor estilo Justo Veríssimo, o personagem corrupto de Chico Anysio. Destruíram o que foi construído antes e, além de nada produzir de per si, jamais se furtaram em maldizer os governos que os antecederam e, mesmo o esforço hercúleo para conter o monstro da inflação foi chamado, cretinamente, de "herança maldita". E que herança nos deixará esta caterva de energúmenos? Na liderança do partido congregaram os comunistas anistiados pelo governo militar em 1979, o qual até hoje maldizem, como se só os militares tivessem cometido crimes e, pelo viés da vitimização, escondem seus crimes hediondos, atrás da máscara que chamam de Comissão da Verdade – a verdade deles, não a da História.

Finalmente, o PT chegou ao poder arrastando a esfarrapada bandeira do populismo sem fronteiras, vazio de patriotismo e ávido pelo erário, iniciando a prática que lhe é intrínseca: locupletar-se com o erário, construído com o suor de milhões de brasileiros extorquidos pela esmagadora carga tributária. Expuseram a farsa de seu socialismo coxo e mentiroso, como de regra são todos os socialismos, com a utilização da ilusória distribuição de renda (bolsas-esmolas de todo tipo, mas não empregos) e praticando uma inclusão social falsa e desonesta. Abandonaram a saúde e a educação à própria sorte, com milhares de pessoas morrendo por desassistência e escolas em ruínas. Ignorando valores morais, esmagaram a meritocracia. Gestaram seus próprios direitos à moda do "Ancien Régime" (Antigo Regime), e Lula só não disse "L’État c’est moi" ("O Estado sou eu") porque é ignorante demais, mas é assim que ele sempre se sentiu.

A crise econômica e institucional em que mergulharam a nação faria inveja ao mais infame dos ditadores. O país andou tanto para trás que serão necessárias décadas de luta árdua para recuperar os estragos desse populismo doentio e covarde. Abriram as burras da corrupção e se embriagaram com toda a volúpia que a impunidade propicia, após terem, sistematicamente, aparelhado os diversos níveis da Justiça. Esqueceram-se, no seu devaneio totalitário, que a sociedade tem vida própria e não pode ser sempre sufocada. Um dia ela acorda, se levanta, reage, e aí eles começam, finalmente, a tremer. Como agora.

PAULO ANDRÉ CHENSO é médico e professor em Londrina

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