ESPAÇO ABERTO
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 11 de maio de 2016
Narciso Pissinati 
Defensivos agrícolas são substâncias que têm o potencial de causar a morte de organismos vivos, com o propósito de preservar a flora ou a fauna da ação de seres considerados nocivos. Esses produtos devem ser fiscalizados e regulamentados para que se possa garantir a segurança da população, da lavoura e do ecossistema.
Constantemente se observa o mau uso de defensivos agrícolas em nosso país que vai desde a recomendação e a utilização de produtos e doses incorretos, o uso de produtos não registrados ou até falsificados, contrabandeados, roubados. O mercado de insumos está sempre buscando criar e apresentar aos produtores rurais novos produtos para a lavoura, com promessas de diminuição das pragas e maior rendimento.
Em quase todas as safras encontramos novos desafios com a apresentação por parte de diversas empresas, dessas "novidades" prometendo inovações, melhorias, vantagens e ganhos que o produtor possa vir a ter com tal aquisição e uso, mas, na prática, todos precisam estar atentos e precaver-se. O mau uso dos defensivos agrícolas é um problema quando utilizados fora das recomendações ocasionando supressão dos organismos vivos benéficos à planta.
São muitos e de diversas origens os produtos oferecidos com capacidade de potencializar a produtividade. Mas que na prática sabe-se que isso nem sempre é viável e nem sempre acontece. A pressão sofrida pelo produtor, pelas novidades e pela diversidade de produtos apresentada com a promessa de turbinar a produtividade, aumentar ganhos financeiros e promessas de lucro fácil é grande. Mas nem sempre as situações de cada propriedade são semelhantes e as respostas de cada produto podem se apresentar de forma bem diferente diante da variedade de solos, por isso, a importância de testar os produtos em pequenas frações antes de efetivar uma possível troca.
Caso opte pela mudança, o produtor deve enumerar razões verificando vantagens e desvantagens diante dos produtos já utilizados e novas opções que lhe ofereçam segurança fazendo uma avaliação criteriosa do que e de quando trocar/utilizar. Sem menosprezar o conhecimento e a intenção de quem planta/produz recomenda-se sempre procurar um profissional de sua confiança e que conheça a sua lavoura para orientar e acompanhar a necessidade e quantidade de aquisição e de aplicação deste ou daquele produto bem como sua origem, registro e experiências já elaboradas e elencadas.
Para isso, existem os pesquisadores que têm como dever e prática definir o melhor produto, com critérios definidos de viabilidade com análises estatísticas e observância da prática com o devido cuidado e muita responsabilidade. Observa-se também as necessidades, no campo, de conhecer a constituição do solo, análises, declividade, posicionamento, plantas, climas, etc., sempre atento às reações adversas que possam ocorrer.
Por outro lado, tem-se a preocupação e a previsão da escassez de alguns produtos essenciais e importantes para a agricultura, por mais salutar que seja, utilizar com maior eficiência para diminuir os riscos e contaminações.
No entanto, há que se diferenciar o produto que possui fundamento técnico-científico daquele que é apenas mais uma oportunidade de faturamento do fabricante.
Assim, reafirmamos o desafio diante das necessidades e das imposições é ter a segurança da escolha, da indicação de bons profissionais e da coragem da aquisição que atenda as nossas necessidades e não as ações do mercado de compra e venda para não ficar mergulhado em aventuras e frustrações.
A prevenção e a preservação da vida é dever de cada um.
NARCISO PISSINATI é presidente do Sindicato Rural de Londrina
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