Opinião Atualizado em 04/05/2016, 23:00
ESPAÇO ABERTO
Hoje não dá mais para contar os atos de pessoas sem a menor educação criando cenas grotescas a torto e a direito. Cada vez mais, pessoas com altos cargos e posições, estão sem a menor decência e acabam por virar um bando de crianças malcriadas, daquelas que ninguém suporta e quer receber em casa. Para pessoas assim, falta educação e esta implica uma mente capaz de contenção. Deputados elogiando a tortura e outros cuspindo. Atores cuspindo nos outros devido a divergências políticas e outros, nem tão famosos assim, provocando celebridades até um ponto de tensão insuportável. Nas redes sociais (nem se fala) sobra troca de farpas e xingamentos da pior espécie. O que é isso tudo? Falta de contenção.
Na vida nem tudo se pode, no entanto, essa máxima vem sendo esquecida e ignorada vergonhosamente. Sempre haverá pessoas a dizer besteiras por aí e sempre seremos provocados e convidados a perder a linha proferindo grosserias que só nos empobrecem. Contudo, temos uma escolha e o que vai definir que escolhamos tal ou qual caminho é o nosso nível mental, ou melhor, a nossa capacidade de contenção.
O problema é que muitos confundem contenção com repressão e como ninguém quer se sentir reprimido crê que tem que fazer tudo que tem vontade, sem nada conter e daí nascem essas cenas lamentáveis. Viver reprimido é uma violência onde alguém não pode se manifestar e ser si mesmo. Isso é doentio e acaba com a vida. Agora, acreditar que nada do que se sente precisa ser guardado também é doentio. Quando educamos crianças dizemos a elas que é preciso tolerância e que algumas coisas é melhor conter, principalmente nossa agressividade. Caso contrário viveríamos numa sociedade em que tudo é permitido, até mesmo a mais baixa e grave violência. Viver em sociedade requer aprender a ética da contenção. Infelizmente, faltam pessoas crescidas nesse mundo, capazes de se portar como gente, e sobram moleques desbocados. Devemos sempre avaliar qual a ética que usamos ao nos relacionarmos com nossos amigos, colegas, vizinhos e familiares. Será que nessa nossa ética existe contenção?
SYLVIO DO AMARAL SCHREINER é psicoterapeuta em Londrina
No momento em que esquerdopatas adotam a cultura de cuspir nos outros, o jornalista Oswaldo Militão indaga, em sua coluna, se alguém leu ou escreveu sobre o que aconteceu àqueles soldados romanos que cuspiram no rosto de Jesus.
A literatura espírita refere-se com frequência à lei de causa e consequência, encontrável também em outros escritos - ou seja, o que se semeia se colhe. Idêntica resposta vale para os que pediram a sua condenação, aos que o açoitaram, humilharam e o conduziram ao martírio da cruz. Certamente que Jesus perdoou a todos, mas isto não invalida que eles tenham se embaraçado nas teias da expiação, que pode ser penosa ou branda, dependendo das circunstâncias dos males cometidos e do grau de arrependimento de cada um. Nunca um castigo divino, mas a misericórdia que permite a oportunidade do resgate. Sem dúvida que o delito maior foi dos sacerdotes judeus, que formavam no Sinédrio e induziram Pilatos - sabidamente um fraco à dúvida e a não tomar uma enérgica decisão a favor do divino rabi eis que tinha esse poder assim como influenciaram a turba insana que bradou "crucifiquem-no" quando o preposto romano recorreu à opinião do povo ali concentrado.
Segundo os ensinamentos da doutrina, muitos dos personagens perversos daqueles dias podem estar ainda envoltos na denominada "roda de samsara", a das sucessivas reencarnações. Porque dois mil anos passados não são muito tempo. O provável é que passaram ou ainda estão passando por angústia moral, que se traduz pelo inferno dos remorsos. Ou pode dar-se o caso de nem todos haver-se arrependido e ainda chafurdem no universo das sombras, eventualmente importunando pessoas e mundos, em forma de governantes corrompidos, tiranos, algozes e enganadores. Certo é que ninguém escapa do estigma da semeadura e da colheita. Quando se fala da justiça divina não se deve imaginar um Deus punidor, mas o cumprimento das lei das oportunidades, que é uma graça continuamente concedida quando o indivíduo busca regenerar-se. Mas todo ser é livre, neste plano terreno e nas demais existências planetárias do vasto e imensurável cosmo, podendo decidir o que quer para si. Está escrito que lhe é outorgado inclusive o direito de não desejar viver a eternidade, mas ingressar na não existência, portanto sua extinção total e irrecuperável.
WALMOR MACCARINI é jornalista em Londrina
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