SOS Biblioteca Pública

Um dos ativos culturais mais antigos de Londrina está paulatinamente sendo colocado em "fogo morto". A expressão, utilizada pelo escritor José Lins do Rego para mostrar a decadência de um ciclo cultural e econômico nordestino, cabe bem à realidade das nossas bibliotecas públicas. Elas estão como um fogo que vai se apagando. Não é de uma hora para outra. A chama vibrante vai ficando cada vez mais fraca, bruxuleante. E, ao final, se transformam em fumaça, pó e passado.
A trajetória da Biblioteca Pública, em especial, tem se apresentado assim ultimamente. Em funcionamento desde 1951, ou seja, há 65 anos, ela surgiu para atender a um público ávido por leitura e informação numa Londrina que estava em transação de referência rural do interior do Paraná para centro urbano cultural.
Nos primeiros anos, a história da biblioteca foi marcada por grandes eventos literários e por amplo atendimento à população. Tal era a procura, que a Biblioteca Pública veio para o coração da cidade, num dos prédios-referência da Avenida Rio de Janeiro. Nas décadas de 1980 e 1990, o atendimento era até as 22 horas. De lá para cá, o horário foi sendo reduzido. Na primeira década deste século, fechava às 19 horas durante a semana. E, aos sábados, funcionava das 8 horas às 13 horas. Na atual administração, o fechamento foi antecipado para as 18 horas. E, aos sábados, passou a ser quinzenal. Nos últimos dias, houve o anúncio de mais uma redução no horário já exíguo. Agora, a Biblioteca Pública abre apenas às 10 horas da manhã. E não atende mais aos sábados, nem mesmo quinzenalmente. Trata-se de um processo que está levando a instituição à condição de fumaça. Nós, leitores, educadores, bibliotecários, entendemos que as bibliotecas prestam um serviço imprescindível para a população e para a vida cultural da cidade. Mas, parece que nossos gestores não concordam com isso. Diminuindo paulatinamente o horário de funcionamento, mostram um flagrante descompromisso para com elas. Esperamos que a administração pública reveja essa postura que atinge diretamente a vida cultural de Londrina. E evite que o fogo aqui se apague como no romance de José Lins do Rego, que pode ser encontrado, em horário reduzido, na Biblioteca Pública.

ROVILSON JOSÉ DA SILVA é professor do departamento de Educação da UEL e ex-diretor da Biblioteca Pública




Os jovens e o emprego

O desemprego é problema crescente no Brasil – e os jovens são particularmente afetados. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a desocupação, na faixa entre 15 e 24 anos, deve ter atingido 15,5% em 2015, o que nos coloca um patamar acima da média mundial. Já o percentual de jovens sem emprego, educação ou treinamento deve ser aproximar de preocupantes 20% no país.

Os fatores mais relevantes são a falta de oferta de empregos, causada pela atual situação econômica do país, e a disponibilidade de mão de obra mais experiente, fruto dessa mesma crise.

Constata-se que alguns jovens tendem a prolongar sua educação formal, quando dispõem de recursos, para se preparar melhor em busca de oportunidades. A crescente sofisticação do trabalho, pela automação, conectividade e internacionalização das relações, cria desafios instigantes para os novos profissionais.

Uma das possíveis soluções para esse cenário seria o incentivo à adoção de medidas que já foram aplicadas em outros países, como os contratos diferenciados para trabalhadores sem experiência ou com baixa qualificação. Outra medida eficiente seria o incentivo aos cursos de formação técnico-científica em nível intermediário.

Do ponto de vista do jovem, uma boa saída está em estágios e períodos de aprendizagem prática, que iniciam um processo de amadurecimento pessoal, ajudam na construção do currículo e podem até levar a uma contratação.

Independentemente de se conseguir ou não esse tipo de oportunidade, ninguém deve abrir mão de sua própria educação, por mais complicado que seja trabalhar e estudar ao mesmo tempo.

ERNANI PAUTASSO NUNES JUNIOR é engenheiro mecânico em Joinville (SC)

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