O impedimento da presidente Dilma Rousseff está prestes a ser sepultado na Câmara dos Deputados. Com a força que possui o chefe do governo no presidencialismo brasileiro, difícil não haver influência direta e indireta na votação que decidirá o acolhimento ou não da denúncia.

Nosso presidencialismo de coalizão permite a distribuição de cargos a aliados, retenção ou liberação de verbas de acordo com os ventos políticos, e até mesmo cobrança de "dívidas passadas" com o governo. O Legislativo não raro encontra-se amarrado ao Executivo.

Sondagens de votos dos deputados apontam um placar apertado na votação. Os 342 votos necessários ao acolhimento da denúncia contra a presidente não estão garantidos.

A favor do impeachment há em torno de 240/250 deputados e contra outros 130/140, restando assim 130/140 votos disputados por governo e oposição. Na política nada é certo e o placar pode oscilar para ambos os lados.

Embora grande parte das "ruas" esteja a favor do impedimento, o que definirá o resultado será a habilidade governista em usar a máquina pública e o fisiologismo dos deputados indecisos.

Nada pode nos surpreender neste momento de Operação Lava Jato, em que muitos deputados são citados desde as primeiras fases da investigação. Precisamos lembrar que os 2/3 de votos dos deputados são obrigatórios, e nesse sentido a ausência na votação será muito bem-vinda pelo governo.

Sem dúvida, o placar será apertado, arrisco a dizer que faltarão três votos para a abertura do processo. As recentes trocas de partidos por parte dos deputados e a saída (?) do PMDB do governo tornaram mais nebulosas as previsões. Sendo derrotado este pedido de abertura de processo de impedimento da presidente na Câmara, não significa paz para a presidente governar. Outros pedidos virão e com mais consistência. A luta governo/oposição continuará, talvez mais acirrada ainda.

A crise política aprofunda e se espalha pela sociedade, na medida em que as fases da Lava Jato avançam e vai ampliando sua atuação e envolvendo cada vez mais políticos e empresários, desnudando o sistema eleitoral e seu financiamento. A credibilidade dos políticos é cada dia menor e goleada a cada momento.
Resta discutir soluções sérias e sóbrias. A eleição geral antecipada é uma saída possível. Se os políticos (Executivo e Legislativo) não cumpriram seu papel na República, ou o fizeram em dissonância com o que se espera deles e com a lei, que o Judiciário o cumpra.

A impugnação da chapa eleita na disputa presidencial de 2014 (Dilma/Temer) é o melhor caminho. Ora, a presidente foi eleita democraticamente e a vontade das urnas precisa ser respeitada. Outrossim, a mesmo democracia possui regras e estas regras sendo desrespeitadas decorre um processo fraudado. É preciso democratizar a democracia.

Soluções em períodos de crises não são simples, sobretudo com a crise complexa em que passamos. A luta pelo poder extrapola a vida pública causando instabilidade social. Para que a nação retorne aos trilhos e supere a crise, o melhor caminho é a eleição geral já.

WILSON FRANCISCO MOREIRA é sociólogo e agente penitenciário em Londrina

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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