No estudo da macroeconomia há um dilema fundamental entre inflação e desemprego. Todo responsável por políticas econômicas precisa optar por uma prioridade, pelo menos no curto prazo. Se não prescinde de combater a inflação, deverá ser conivente com um nível maior de desemprego. Por outro lado, caso não tolere o desemprego, deverá aquiescer a uma inflação mais elevada.

Para alguns economistas que se posicionam perante este trade-off fundamental, dentro de uma ótica realista de quem acompanha o cotidiano, nada assusta mais, nada é mais apavorante do que o desemprego. Nada mais triste para um trabalhador do que ver o aluguel vencendo sem ter recursos para pagar. Nada mais trágico para um pai de família do que abrir o freezer e não ter a carne para alimentar sua família. Nada mais desolador do que não ter o leite na geladeira, os mantimentos na despensa. Nada mais desesperador do que não ter os recursos básicos imprescindíveis à subsistência.

O desemprego é, pois um dos grandes, se não o maior de todos os problemas sobre os quais, os economistas e a sociedade como um todo devem se debruçar. No Brasil do limiar do da década de 2010, a situação era de estabilidade, neste particular, com taxas de desemprego em níveis historicamente baixos, em torno de 5%, segundo as entidades responsáveis pela pesquisa.

A situação brasileira era insofismavelmente confortável, sobretudo quando comparada com o resto do mundo, então envolto numa das mais severas crises econômico-financeiras da história, nascida da crise do subprime dos EUA, mas que se alastrou rapidamente para os quatro cantos da terra, abatendo-se com maior ou menor intensidade sobre praticamente todos os países, incluindo o Brasil.

Nesse sentido, o governo brasileiro, à época, resolveu combater os reflexos do arrefecimento da atividade econômica mundial, lançando mão de políticas econômicas (fiscal e monetária) ativas, sobretudo pela concessão de estímulos tributários (redução de IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados) para alguns setores específicos.

Evidentemente, os efeitos da crise atingiram a economia brasileira, mas de forma menos intensa do que outros países, principalmente os países desenvolvidos, de modo que a crise não foi uma "marolinha" antes, tampouco um "maremoto" depois.
Pois o conforto acabou. Desde 2011 a economia brasileira vem minguando, claudicando, decrépita. Um quadro preliminar de estagnação, transformou-se em recessão e depressão. Hoje há uma miríade de notícias ruins, com praticamente todos os indicadores denotando a piora da conjuntura econômica nacional, um infortúnio. A crise é abrangente, na medida em que já atinge das regiões mais industrializadas às regiões menos dinâmicas.

E agora, como sair desse charco econômico e social? Não basta um simples "ajuste". O Brasil precisa de uma reforma geral (política, previdenciária, tributária, etc.) a fim de conduzir o país a um choque de eficiência e produtividade. Em vez de artificializar renda e consumo, via crédito elástico (modelo esgotado), o governo precisa exortar a retomada do investimento, a iniciativa empresarial. Pelo que, a retomada do crescimento econômico passa primeiro, pelo desenlace da crise política que se abateu sobre o país. Enquanto não houver um governo legítimo, com força política capaz de aduzir estas mudanças estruturais prementes, o Brasil não será uma economia alvissareira.

DOUGLAS PAZ é economista e mestre em Economia Regional pela Universidade Estadual de Londrina

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