O ex-presidente Lula sentenciou há poucos dias que a Lava Jato está dando prejuízos ao País! Que apesar das "querelas" conseguidas com a devolução de alguns milhões das empresas investigadas, está tendo um efeito contraproducente pelo marasmo a que sujeita a economia, já fragilizada pela crise política! Óbvio que estamos perante uma análise anã e medíocre da atual realidade, envolvendo um processo de investigação a agentes públicos e empresários, que há anos vêm impondo um modo corruptivo na lida com o dinheiro público. Lula assim vê o atual momento. Mas, a meu ver, o pior vem exatamente do interior do Palácio do Planalto. Ali se encontra uma mulher que, em tempos idos, guerrilhou com a ditadura e aprendeu a sobreviver em situações extremas. Não preciso escrever sobre o que os porões de um governo totalitário impõem aos presos políticos! Com certeza, estaríamos sendo brandos demais e, às vezes, até traídos por visões românticas que a história acaba consagrando! Guerrilha é legítima quando o governo é ilegítimo. Guerrilha tem um preço e os protagonistas o conhecem. Em não poucas ocasiões, porém, por esse mundo afora, os guerrilheiros conquistam o poder, seja por vias democráticas ou com a própria derrota armada imposta ao status quo governamental! No Brasil, uma guerrilheira foi eleita presidente do país!

Com a exposição midiática dos sepulcros podres da política atual, apontando evidências de altos índices de corrupção, e com a promiscuidade que existe há décadas entre o Legislativo e o Executivo, Dilma Rousseff tem mostrado ao país a sua face de "papisa da subversão", como foi chamada pelo promotor militar da acusação, em 1970. Fria, calculista e determinada, impressiona os seus ministros com a sua postura, perante o processo de impeachment em andamento na Câmara. A presidente não quer abandonar o poder e não acredita que dele seja apeada democraticamente. Ao decidir abrir o cofre para segurar os deputados mais vulneráveis, o faz com o nosso dinheiro. Ao ficar vinte e quatro horas se defendendo do que chama de "golpe", usa o tempo precioso de que disporia para driblar a crise. Dilma fica cara ao bolso dos contribuintes. Não trabalha; recebe; gasta! Gasta muito para se manter em pé. Tal uma guerrilheira entrincheirada, a presidente partiu para o tudo ou nada e nisso revelou a mulher do passado, na luta contra os militares! Equivoca-se ela ao confundir governo opressor com processos constitucionais legítimos baseados em crimes praticados. Uma presidente que nada faz é tão prejudicial aos cofres públicos, quanto a que faz, ainda que errado! Dilma está acuada e tem dificuldade em reconhecer a gravidade da situação. Isso desde 2012, quando a casa começou a ruir e as decisões da Presidência conduziram o transatlântico para o abismo! Não vai recuar! Vai lutar, acreditando em si! E quando um político eleito e, portanto, passível de ser retirado do cargo, chega nesta fase, tudo fica muito caro para a nação!Pela inércia e pelas tensões que se vão gerando desnecessariamente dividindo o país, acirrando ânimos e alimentando potenciais conflitos. A cada dia no Planalto, Dilma obriga o Brasil a recuar um ano! Como uma crise massacra sempre os mais pobres, a presidente mata no ninho os filhotes que o seu partido diz ter gerado nos últimos anos!

A signatária da Presidência, com a sua miopia em reconhecer a gravidade dos tempos que correm, vai ser responsabilizada pela história por não ter tido a grandeza de espírito de abreviar a crise, que com sua inaptidão ajudou a criar. O salário que ganha é troco, comparado com o seu custo! Ela não ouve ninguém. É o que dizem; eu prefiro achar que ouve. Escuta sim os que lhe alimentam o puro instinto de sobrevivência, mesmo que signifique ser cassada no buraco! Os que como ela concebem o poder pelo poder e o veem como mera proteção em tempos de Lava jato.

MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS é padre na Arquidiocese de Londrina

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