Brasil entrou em colapso

Teremos nós, povo brasileiro, sofrido com a angústia em vislumbrar a repetição da história de um tempo no qual a voz da cidadania não mais podia ser escutada? Parece, da forma mais visceral, como um grito de socorro que antecede a quase falência moral, social, política, econômica sob pena de estado terminal,
de toda uma nação. O escritor escocês Thomas Carlyle, nos legou, em 1837, valiosos ensinamentos sobre a Revolução Francesa que, com a audaciosa tradução de Antônio Ruas, embasa cirurgicamente esta reflexão sobre o dia em que a Presidência da República do Brasil entrou em colapso: "Se essa palavra mágica é uma vez esquecida, o encanto dela está quebrado! As legiões de espíritos, que vos serviam assiduamente, levantam-se agora contra vós, como demônios ameaçadores; a vossa arena livre e bem ordenada converte-se num lugar de tumulto infernal, onde o desgraçado mago é desconjuntado membro a membro".
Agora sim somos uma nação, pois antes éramos somente um povo submerso em uma cegueira cívica dolosamente imposta pela classe dirigente do país como forma de substituir a escravidão física, abolida corajosamente pela primeira mulher a reger o Brasil, em 1888, a princesa Isabel. Uma sociedade livre, consciente de seus deveres e direitos mostra a sua força. Lembrai-vos senhores que conduziram o Brasil ao colapso e que ocupam os cargos mais altos da nação, somente conhecendo o passado poderemos compreender o presente e projetar o futuro!

Mas menos de uma semana após o ex-presidente Lula ser ouvido pelos promotores públicos, a presidente Dilma utiliza-se de todo seu poder e, além de afrontar a Justiça Federal, os princípios constitucionais como a impessoalidade e moralidade na condução dos destinos da nação, nomeia-o como ministro-Chefe da Casa Civil. Se a voz do brasileiro continuar a ser ignorada e a dignidade da Justiça aviltada, lembraremos do que nos legou o escritor escocês há mais de dois séculos, quando a voz do povo francês não foi mais escutada: "Para o próprio soldado a revolta é terrível e as mais das vezes lastimável; e por ser tão perigosa, não deve só lamentá-la, mas odiá-la." (...) "Os soldados, como nós temos dito muitas vezes, revoltam-se: se não fosse isso, muitas coisas que neste mundo são transitórias talvez ficassem permanentes".

EDUARDO LEBBOS TOZZINI é advogado em Londrina




Existe luz no fim do túnel?

O Brasil passa por seu pior momento econômico desde o início dos anos 1990 (e talvez desde 1932, quando, pela última vez, apresentou queda no PIB por dois anos consecutivos). Nossos cenários trabalham com duas opções para a volta do crescimento: a partir do segundo semestre de 2017 ou o de 2018. Considerando que a economia começou a recuar em meados de 2014, atualmente estamos no meio desse período de depressão. O início de 2016 não foi muito animador, mercados de ações (Ibovespa) e de fundos imobiliários (IFIX) recuaram 6,79% e 6,17%, respectivamente. Apesar disso, acredito que a hora de manter baixa alocação em ativos de maior risco pode estar ficando para trás. Os investidores de imóveis precisarão ter mais paciência, pois a recuperação acontecerá depois do mercado de ações. O preço dos imóveis novos vendidos na cidade de São Paulo recuou, ao longo dos últimos dois anos, 11,5% em termos nominais e 24,7% em termos reais (descontando-se a inflação). Apesar das vendas terem parado de cair, o índice VSO (Venda Sobre Oferta) de doze meses bateu novo recorde de mínima em novembro do ano passado, alcançando os míseros 5,8% - e deve piorar ainda mais nos próximos meses. No passado recente, muito se discutiu se havia ou não bolha no mercado imobiliário. Discussão esta, bastante inútil, pois ela serve apenas para inflar o ego dos interlocutores. O que interessa é que quem investiu em imóveis nos últimos anos teve (ou está tendo) enorme dificuldade para apurar rendimentos atrativos. No mercado de locação, a situação não é muito melhor e, infelizmente, os investidores de fundos imobiliários também passam por problemas com o aumento da vacância, inadimplência e devolução antecipada dos imóveis. Enquanto a economia não voltar a crescer será difícil os rendimentos dos fundos imobiliários subirem - por essa razão, suas cotas têm se desvalorizado. Ainda está difícil de ver uma luz no fim do túnel, porém há chances de termos passado do meio dessa jornada. A recuperação do mercado de ações deve vir antes do mercado imobiliário e mais importante do que a economia melhorar, a confiança dos empresários e do consumidor precisar evoluir – estamos de olho nesta luz.

RAPHAEL CORDEIRO é consultor de investimentos e coordenador do curso de EAD em Finanças Pessoais da Universidade Positivo em Curitiba

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