A Pesquisa CNT de Rodovias faz anualmente um criterioso levantamento de toda a malha federal pavimentada e dos principais trechos de cada unidade da federação. A malha rodoviária brasileira possui 1.720.607 km de estradas, considerando vias federais, estaduais e municipais, das quais a pesquisa avaliou 10.763 km.
O estudo minucioso traz dados interessantes sobre as rodovias do Paraná, que apresentam classificações antagônicas, oscilando entre ótimo e péssimo. A conservação das rodovias paranaenses são determinantes para o desenvolvimento do Brasil, já que o Estado faz divisa com o Paraguai e a Argentina, além de possuir um dos mais importantes centros de comércio marítimo do mundo, o Porto de Paranaguá.
A pesquisa aponta que 2.860 km das rodovias paranaenses são "boas ou ótimas", 1.997 km são considerados "ruins" e 1.139 km foram julgados "péssimos". Atualmente, seis concessionárias administram 2.505,2 km de rodovias no Estado, o chamado Anel de Integração, que interligam as cidades de Curitiba, Ponta Grossa, Guarapuava, Cascavel, Foz do Iguaçu, Campo Mourão, Maringá, Paranavaí, Londrina e Paranaguá.
Entre os três estados do Sul, o Paraná conquistou a melhor classificação no aspecto geral das rodovias, com larga vantagem sobre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul. O Paraná também leva a melhor na classificação "bom", mas fica em segundo nos quesitos "ruim e péssimo", no qual o Rio Grande do Sul se sagra campeão.
A conservação das rodovias impacta, entre outros fatores, nas taxas de acidentes. Segundo o Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER-PR), o número de acidentes, com vítimas ou não, caiu nos últimos anos, felizmente. Um demonstrativo recente do órgão indica que em 2006 foram 14.539 acidentes, e em 2014, data do último registro, o número foi 10.676.
Porém não há motivos para comemorar. Ao mesmo tempo em que o número de acidentes diminui, a gravidade aumenta. Para a Polícia Rodoviária Estadual (PRE), aproximadamente 45% das mortes em rodovias estaduais estão relacionadas com ultrapassagens negligentes, onde a conduta inadequada dos motoristas ocasiona acidentes de elevada gravidade nas modalidades colisão frontal e longitudinal, que na sua maioria produzem mortes. A ausência do cinto de segurança, principalmente por passageiros do banco traseiro, é outro fator que chama a atenção da PRE e que contribui diretamente para o agravamento das lesões decorrentes destes acidentes, que poderiam ser com menor gravidade mediante a utilização do acessório.
O excesso de velocidade também preocupa, pois só em 2015 foram registradas mais de 163 mil imagens de radar em todo o Estado que atestam a velocidade acima da permitida em lei, o que demonstra o comportamento inadequado dos motoristas.
É preciso investimento nas rodovias do Paraná, que apesar do resultado acima da média nacional, estão longe do ideal. Boas estradas, conscientização dos motoristas e empresas, além da boa vontade do poder público, são os fatores que, juntos, produzirão resultados realmente satisfatórios.

GILBERTO CANTÚ é presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas no Estado do Paraná (Setcepar)

■ Os ar­ti­gos de­vem con­ter da­dos do au­tor e ter no má­xi­mo 3.800 ca­rac­te­res e no mí­ni­mo 1.500 ca­rac­te­res. Os ar­ti­gos pu­bli­ca­dos não re­fle­tem ne­ces­sa­ria­men­te a opi­nião do jor­nal. E-­mail: opi­niao@fo­lha­de­lon­dri­na.com.br

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